Pandemia provoca saída de alunos das escolas particulares

Durante o período de pandemia do coronavírus, uma parcela significativa dos pais de alunos da rede particular de ensino está transferindo seus filhos para escolas públicas ou apenas os retiraram das escolas, como no caso dos alunos de até três anos de idade que não estão no ensino obrigatório. O motivo da mudança de escola ou retirada é devido ao pagamento das mensalidades mesmo neste período em que as aulas presenciais foram proibidas como forma de prevenção. As salas de aulas continuam vazias desde março.

De acordo com o diretor do Colégio Drummond e vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino Noroeste Paraná (Sinepe NO-PR), Vander Alves Ferreira, as escolas particulares da região estão transferido muitos alunos para a rede pública. Conforme o diretor, no Drummond foi registrada uma taxa de 3,5% de retirada ou transferência de estudantes. “2,8% dessa transferência foi da educação infantil, especificamente de séries que não são obrigatórias”, explicou o diretor.

O colégio conta com 920 alunos, destes 32 deixaram o estabelecimento. “Dos 32 que saíram, 26 são das séries não obrigatórias, mini-maternal ou maternal 1 e 2”, afirmou Ferreira.

Desde o dia 20 de março, o colégio trabalha com o ambiente virtual, assessorado por uma plataforma da Microsoft. “Por meio da plataforma, temos aulas normais desde educação infantil até o ensino médio. Trabalhamos com o chat, vídeo aulas, tudo como se fosse dentro da sala de aula”, contou o diretor.

Segundo o diretor, apesar do estranhamento ao primeiro acesso às plataformas online, hoje todos já estão cumprindo suas atividades. “No início estranharam muito, mas hoje estão bem adaptados”, reforçou Ferreira.

Na Escola Adventista de Cianorte, que vai até o quinto ano do ensino fundamental, a transferência e saída de alunos foram baixas e também foram focadas em alunos dos anos não obrigatórios, das turmas de até três anos de idade.

Conforme o diretor da escola, Cláudio Nardes, o estabelecimento teve uma evasão bem pequena. “Entre os alunos de três anos, 10 saíram e apenas dois foram transferidos do ensino fundamental”, informou. Ao todo, a Escola Adventista conta com 300 alunos.

A forma para manter o ensino é baseada em plataformas online e aulas assíncronas. “Como somos uma rede de ensino, nós temos uma plataforma na qual os alunos têm aulas online e a também usamos o Zoom – ferramenta que permite contato online por vídeo com um grande número de pessoas –, para aulas assíncronas”, afirmou o diretor.

“Os alunos acessam as plataformas e acabam participando de uma aula praticamente ao vivo. Todos participam, desde a educação infantil até o quinto ano”, contou Nardes.

O diretor ainda reforça que os alunos não estão parados neste período e continuam fazendo atividades educacionais. “O fundamental tem desafios diários das disciplinas que precisam ser postados na plataforma. Dessa forma, entendemos que fizeram a atividade e viram o conteúdo”, explicou.  “Não e fácil, mas temos avançado nesse campo”, concluiu Nardes. 

Pais

A A. B. é mãe de uma menina de cinco anos matriculada no pré-2. De acordo com ela, muitas mães retiraram seus filhos das escolas por não concordarem em continuar pagando a mensalidade sem ter aulas. Essas mães matricularam seus filhos no ensino da rede pública.

A mãe ainda acrescentou que não vai tirar sua filha da rede particular e que espera que os colégios entrem em um acordo com os pais quando as aulas retornarem, dando um desconto ou isenção e mensalidade.

Centro infantil 

O Centro de Educação Infantil Arte do Aprender trabalha com crianças do berçário até o pré-2, por volta dos três anos de idade. Conforme a diretora Marilza Peroco, devido ao fechamento do estabelecimento ocasionado pela pandemia do coronavírus, o centro teve uma evasão expressiva. “Como aqui temos crianças de anos não obrigatórios, temos uma alta desistência”, lamentou a diretora.

Antes da pandemia, o centro contava com 122 crianças inscritas, e hoje devido desistências, conta com 79. Ou seja, uma redução de 35% das crianças inscritas.

Segundo Marilza, a desistência acontece, pois muitos pais tiveram que contratar babás para cuidar de seus filhos. “Como o comércio abriu, as mães voltaram a trabalhar e não tiveram onde deixar as crianças. Precisaram pagar outra pessoa. Acredito que ficou pesado para pagarem tanto o centro educacional como uma babá nesse período”, explicou.

De acordo com diretora, ela entrou em contato com os pais para que estabelecessem um acordo. “Conversei com eles para que a gente pudesse entrar em um acordo. O nosso gasto é mínimo e demos um desconto significativo para os pais, mas mesmo assim alguns não continuaram”, contou.

Para que as crianças continuem se desenvolvendo, o centro de educação infantil continua passando atividades remotas. “Os professores montaram um plano de aula e enviamos aos pais. Alguns imprimem, outros eu envio a impressão. Além disso, enviarmos apostilas e estamos terminando a implantação das plataformas para que seja mais um meio de comunicação com as crianças”, reforçou a diretora.

 

Escolas particulares vazias devido a pandemia do coronavírus. Foto: Renata Martins

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