Câmara julga amanhã futuro de Dadá

Da Redação

O vereador Adailson Ignácio Carlos da Costa, o Dadá (Podemos), pode sentar pela última vez, ao menos nos próximos anos, nas cadeiras onde foi cativo por cinco legislaturas. O político vai ser julgado amanhã, 27, por colegas parlamentares acusado de se beneficiar de um esquema conhecido como rachadinha que consiste em dividir os vencimentos com um servidor nomeado em seu gabinete.

A sessão que vai definir o futuro político de Dadá está marcada para começar às 13h30. A sessão será aberta ao público, mas a presença no plenário será controlada. De acordo com o presidente da Câmara, o vereador Wilson Luiz Peres Pedrão (Republicanos), permanecerão no plenário entre vereadores, servidores da Câmara, jornalistas e visitantes, no máximo 50 pessoas.

Conforme Pedrão, o relatório da comissão que será apresentado amanhã foi imparcial e procurou analisar todas as provas apresentadas e ouvir as testemunhas sem distinção. O presidente destacou que Dadá teve respeitado seu amplo direito à defesa e que durante todo o processo não houve interferência ao trabalho da comissão.

Pedrão também explicou que cada uma dos vereadores terá 15 minutos para falar sobre o relatório e que a defesa outros 120 minutos para apresentar a contestação. “Acredito que o decisão seja anunciada por volta das 18h30”. A votação será aberta.

O Relatório

O relatório, que pede a cassação do vereador Dadá, foi concluído pela Comissão Processante formada pelos vereadores Tiago Fontes (presidente), Pastor Dejair (relator) e Marcão da Madeforte (membro). A investigação da câmara foi iniciada em fevereiro, mas Dadá foi afastado do mandato por decisão judicial 15 dias depois da sua vitória nas urnas.

O vereador do Podemos estava sendo investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) há pelo menos um ano quando foi preso em flagrante junto com seu assessor de gabinete. José Santos Barbára. Os dois chegaram a ficar presos por dois dias, mas foram colocados em liberdade após o relaxamento da prisão.

Apesar da liberdade, Dadá continua afastado do cargo. Para ser cassado definitivamente são necessários dois terços do plenário mais um voto. Ou seja, o vereador afastado perde seu cargo se sete vereadores votarem a favor da sua cassação. Mesmo absolvido, Dadá continua longe da Câmara por força do mandado judicial que lhe afastou do mandato.

Se for cassado, quem assumem definitivamente a vaga deixada por Dadá é a primeira suplente do Podemos, a professora e ex-secretária de Educação de Cianorte, Neusa Casassa.

Dadá está confiante, mas aguarda liminar para anular atos da comissão

O vereador Adailson Ignácio Carlos da Costa, o Dadá (Podemos) disse ontem, 26, no fim a da tarde, que está confiante no julgamento do seus pares. Segundo ele, a sessão que vai julgar sua cassação deve ser um julgamento técnico, baseado única e exclusivamente nas provas apresentadas. Dadá disse que não teme um julgamento político.

Para Dadá, não há a possibilidade dele ser cassado se as provas forem levadas em conta. “Não há provas materiais que comprovam que eu ficava com parte do salário. Este é o fato. O que não posso é ser julgado politicamente”, disse o vereador.

O parlamentar afastado confirmou que ingressou com um pedido de liminar no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) pedindo a suspensão da sessão de cassação e a nulidade do processo que culminou com o relatório que pede sua cassação. Segundo ele, é uma incoerência a Câmara julgar seu mandato antes de uma manifestação da Justiça que ainda não julgou o seu caso. “E se curso do processo a Justiça me declara inocente? Como é que fica minha situação na Câmara, já que nesse caso não houve crime nem irregularidade?”, indaga o vereador.

O pedido de liminar tem efeito retroativo. Ou seja se, o TJ-PR considerar nulo o processo, a cassação é suspensa.

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