Protesto em Cianorte pede justiça pela morte de bebê de 1 ano e 3 meses

Familiares, amigos e moradores de Cianorte e região participaram, na tarde deste sábado, 23, de uma manifestação pedindo justiça pela morte de uma bebê de um ano e três meses. O ato começou em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cianorte e seguiu em carreata até o Paço Municipal, reunindo dezenas de pessoas com cartazes, buzinaços e pedidos por responsabilização.

A mobilização foi organizada pela família da criança, que acusa negligência médica durante os atendimentos realizados em unidades de saúde de Cianorte e região. Em meio à emoção e revolta, os manifestantes cobraram respostas das autoridades e melhorias no atendimento pediátrico do município.

Segundo relatos da tia da bebê, os primeiros sintomas surgiram entre os dias 12 e 13 de abril, quando a criança começou a passar mal e foi levada à UPA de Cianorte. Conforme a família, os médicos diagnosticaram apenas uma gripe e liberaram a menina para casa em diferentes ocasiões.

Mesmo com a persistência dos sintomas, a bebê continuou sendo levada para atendimento médico em Cianorte, sem que o quadro fosse considerado grave. Durante o feriado de 20 de abril, a mãe viajou com a filha para visitar familiares em Peabiru. Já na cidade, a criança voltou a apresentar piora no estado de saúde e foi encaminhada para a UPA local, onde realizou um raio-x. O exame apontou bronquiolite e a equipe médica decidiu transferi-la para a Santa Casa de Campo Mourão.

Ao chegar ao hospital, segundo a família, a pediatra informou que a bebê precisaria permanecer internada por cerca de 15 dias para tratamento. No entanto, familiares afirmam que houve uma intervenção para que a criança fosse transferida novamente para Cianorte, sob a promessa de que receberia todo o suporte necessário no município.

A bebê foi então encaminhada ao Instituto Bom Jesus, onde permaneceu internada por apenas dois dias antes de receber alta médica, com orientação para continuar o tratamento em casa.

A família relata que, mesmo seguindo todas as recomendações médicas e administrando os medicamentos prescritos, o estado de saúde da criança piorava a cada dia. A bebê voltou diversas vezes à UPA e a outras unidades de saúde. Em um dos atendimentos mais recentes, um médico de um posto de saúde teria indicado a necessidade de internação e orientado a realização de um novo raio-x na UPA, com a expectativa de que a criança fosse internada na sequência.

Entretanto, segundo os familiares, após o exame realizado na UPA, outro médico avaliou que a bebê não apresentava gravidade, diagnosticando apenas “sapinho” e liberando novamente a criança para casa.

Horas depois, durante a madrugada, o pai da menina entrou em contato com familiares pedindo ajuda, afirmando que a filha estava roxa e com grande dificuldade para respirar.

A criança retornou à UPA em estado grave. De acordo com a família, uma pediatra reconheceu a gravidade do quadro, iniciou o uso de antibióticos e solicitou transferência urgente ao Instituto Bom Jesus. No hospital, exames apontaram comprometimento severo dos pulmões da bebê. A equipe médica informou que ela precisaria ser entubada e transferida para outra cidade, mas antes seria necessário estabilizar o quadro clínico.

Durante o processo de estabilização, a bebê sofreu uma parada respiratória. Apesar das tentativas de reanimação, ela não resistiu e morreu.

Abalada, a família acusa falhas graves no atendimento médico desde os primeiros sintomas apresentados pela criança. Segundo os parentes, a bebê chegou ao estado crítico com bronquiolite, pneumonia e comprometimento dos dois pulmões sem que medidas adequadas tivessem sido tomadas anteriormente.

Durante a manifestação deste sábado, familiares seguravam fotos da menina e pediam justiça. “Eu quero justiça e não vou me calar”, afirmou a tia da criança, que considera o caso um episódio de negligência médica.

Até o momento, não houve divulgação oficial sobre eventual investigação do caso ou posicionamento das unidades de saúde citadas pela reportagem.