Pandemia completa seis meses

No dia 12 de março foi registrado o primeiro caso de Covid-19 em Cianorte, a primeira – junto com Curitiba – cidade do Estado a registrar a doença. Seis meses depois, o município contabiliza 878 casos da doença e 14 mortes. Neste período, a Capital do Vestuário enfrentou diversas situações, o fechamento do comércio logo no início da pandemia, diversos empregos perdidos, a construção de um centro de triagem – Centro de Atendimento à Síndrome Respiratória –, aberturas de alas hospitalares para atendimento à doença, isolamento e distanciamento social, o pico dos casos entre junho e julho e, agora, espera por uma estabilidade nas confirmações.

De acordo com o prefeito Claudemir Bongiorno, a administração da cidade não esperava ter que lidar com a situação tão cedo, já que Cianorte foi uma das primeiras cidades do interior e do Estado a ter casos de Covid-19. “Tivemos que correr para estruturar toda a saúde para o seu enfrentamento. O início da pandemia foi, certamente, muito preocupante, porque ainda não tínhamos leitos credenciados, não sabíamos como atender as pessoas que poderiam se contaminar. Foram dias e noites de muitas reuniões com profissionais da saúde de nosso município, buscando estratégias, formas para comprar EPIs (que passaram a custar até 10 vezes mais), medicamentos e formar uma rede de atendimento que fosse segura para os pacientes e profissionais da saúde”, esclareceu o prefeito. “Precisávamos cuidar das pessoas, mas sem deixar de pensar na economia da cidade”, acrescentou.

Segundo Bongiorno, com a evolução da doença, também evoluíram as atitudes tomadas pela administração e pela população. “Hoje olho para trás e vejo o quanto evoluímos, tanto na estrutura de nosso sistema de saúde, como também como pessoas. Ficava muito emocionado quando via as empresas, clubes de serviços, pessoas físicas, se mobilizando para nos ajudar, doar respiradores, máscaras, álcool 70% e outros EPIs”, afirmou.

Conforme o prefeito, foi neste momento em que ele viu que o Poder Público não estava sozinho, que a comunidade estava disposta a colaborar. “A responsabilidade enquanto prefeito aumentava, porque eu não podia decepcioná-los. Não é fácil ser prefeito num momento de tantas incertezas. Mas acredito que fomos iluminados por Deus e, até o momento, conseguimos tomar atitudes acertadas”, reforçou.

Para Bongiorno, o momento mais desafiador para ele, foi quando as autoridades do Estado do Paraná e o Ministério Público solicitaram o fechamento de todo o comércio. No começo da pandemia, o fechamento do comércio trouxe muitos prejuízos aos comerciantes, mas na segunda solicitação de fechamento por parte do Governo Estadual, a prefeitura buscou recursos e não conseguiu manter o varejo aberto.

“Nós tivemos que tomar uma atitude praticamente isolada em relação aos demais municípios, porque entendíamos que tínhamos feito a nossa parte e seríamos capazes de atender os doentes, caso aumentasse o número de contaminados. Por isso que nosso comércio está hoje funcionando quase que em sua totalidade, bem diferente de muitas cidades, que permanecem com tudo parado”, explicou o prefeito.

O prefeito ainda acredita que o pior momento da pandemia passou, mas que é importante que todos continuem alertas e tomando todos os cuidados necessários. “Eu acredito que o pior já passou. Mas também penso que não é hora para relaxar nos cuidados. Contamos com bom senso dos empresários e da população como um todo para não vivermos uma segunda onda de contaminação, porque não queremos regredir”, finalizou Bongiorno.

Cidade ainda não está em uma situação segura

De acordo com a chefe da Divisão de Prevenção em Saúde, Heloísa Dantas, é visível que Cianorte apresentou uma redução drástica nos números, mas ainda não é possível dizer que o município está em uma situação segura. “Isso, porque, assim como já aconteceu em outras localidades, corremos o risco uma segunda onda de contaminação, visto que com o relaxamento da população, a propagação aumenta”, esclareceu Heloísa.

Segundo Heloísa, a principal preocupação da equipe de saúde, e prioridade, durante esses meses de pandemia, foi dar à população um atendimento de qualidade. “Formar uma estrutura de atendimento à comunidade e pensar em estratégias para conter a contaminação, num curto espaço de tempo, foi a nossa prioridade. Acredito que tivemos sucesso na maioria das atitudes tomadas. Neste tempo, não sofremos com a falta de leitos, medicamentos, EPIs, nem recursos financeiros”, disse.

A chefe da divisão ainda reforçou que a saúde conseguiu contratar profissionais qualificados e criar um fluxo próximo de atendimento. “Quando superarmos a pandemia, teremos um sistema de saúde público muito mais experiente, capacitado e estruturado para o atendimento da população”, ressaltou.

Mesmo com a redução dos casos, Heloísa ainda reforça que é preciso seguir com as medidas de prevenção. “Distanciamento social, higiene das mãos, uso de máscaras, enfim, atitudes simples, mas que dão resultado. Sabemos que todos gostariam de voltar ‘ao velho normal’, mas enquanto não tivermos a vacinação em massa, isso não será seguro”. 

“Nos próximos meses, acreditamos que viveremos uma situação de estabilidade. Mas essa estabilidade depende da colaboração da comunidade. Não é momento para aglomerar, promover festas e churrascos”, alertou Heloisa. Segundo a chefe da divisão, é preciso manter o foco no combate ao vírus e ficar alerta ao surgimento de qualquer sintoma.

“Vamos cumprir o isolamento e procurar a Secretaria Municipal de Saúde diante de qualquer dúvida”, concluiu.

Centro de triagem já atendeu mais de 4 mil

O Centro de Atendimento à Síndrome Respiratória, localizado no Centro de Eventos Carlos Yoshito Mori, abriu as portas para atendimento aos pacientes no dia 14 de maio. Desde então, o centro já recebeu 4.179 pessoas, até o dia 4 de setembro. O centro não funciona como o atendimento de emergência, mas com pacientes com sintomas respiratórios.

Em junho e julho, os meses que mais casos da doença foram confirmados em Cianorte, foram os que mais registraram atendimentos. Apenas em Julho foram 1.622 atendimentos e no mês seguinte 1.410.

O centro foi erguido pela Prefeitura de Cianorte por meio do aluguel de uma estrutura física e compra de equipamentos (macas, remédios, respiradores, entre outros itens). O funcionamento dele era previsto até o final de setembro, mas a administração prorrogou o atendimento até o final de outubro.

Em setembro, até o dia 10, foram atendidas 4.179pessoas. Foto: Renata Martins

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