Atendimento ginecológico em Cianorte tem mais de mil pacientes na fila
A fila para atendimento ginecológico na rede pública de Cianorte expõe um desafio crescente na assistência à saúde da mulher. Dados da Secretaria Municipal de Saúde, atualizados em 7 de outubro de 2025, mostram que 1.053 mulheres aguardam consulta com ginecologista clínico e outras 415 esperam avaliação cirúrgica. O tempo médio de espera é de 4 meses e 16 dias para consultas clínicas e 4 meses e 19 dias para cirúrgicas.
Em um município com pouco mais de 79 mil habitantes, segundo o IBGE, o número indica que 1,9% da população total feminina aguarda por atendimento especializado. A média mensal de consultas disponíveis — 89 ginecológicas clínicas e 94 cirúrgicas — tem sido insuficiente para reduzir a fila.
A carência de consultas especializadas impacta diretamente a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças como o câncer de colo do útero e o câncer de mama, que figuram entre as principais causas de morte feminina no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Até o início de outubro, 1.556 exames preventivos (Papanicolau) haviam sido realizados em Cianorte, número considerado abaixo do ideal diante da meta municipal, que prevê o atendimento de 100% da demanda identificada pela rede básica.
O exame de mamografia, essencial para a detecção precoce do câncer de mama, também apresenta números modestos: 494 procedimentos realizados neste ano na rede pública. Apesar da cobertura, o ritmo ainda é considerado baixo para a população-alvo, mulheres entre 50 e 69 anos.
A Secretaria de Saúde afirma que o objetivo é atender 100% das necessidades identificadas e que o agendamento segue critérios técnicos e de urgência, priorizando casos suspeitos de câncer e gestantes de alto risco.
Saúde mental feminina
Além da atenção ginecológica, os indicadores alertam para a busca de mulheres por atendimento em saúde mental. Atualmente, 180 mulheres são acompanhadas pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e 60 estão em acompanhamento pela Atenção Básica, em unidades como a Policlínica Municipal, UBS São Lourenço e UBS Vidigal.
Nos serviços de saúde mental, as mulheres representam 61,77% dos pacientes no CAPS e 72,41% na Atenção Básica, percentual que evidencia a predominância feminina entre os atendimentos. Especialistas apontam que o acúmulo de responsabilidades domésticas, a pressão social e a sobrecarga emocional têm contribuído para o aumento da demanda feminina por acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

