Setor de eventos é marcado por incertezas e cancelamentos

Da Redação

Casamentos adiados, festas canceladas, convidados em número reduzido, renda nula. Esse foi o cenário enfrentado pelos profissionais do ramo dos eventos. A pandemia do novo coronavírus impossibilitou que festas, casamentos e outras comemorações fossem possíveis.

De cerca de 120 eventos anuais, o Buffet Boa Mesa fez 12 eventos em 2020 devido à pandemia. Durante o ano, o buffet esteve fechado de março até setembro pelas restrições impostas.

“Para nós foi um ano terrível, tivemos 90% dos eventos transferidos para 2021 ou cancelados pela pandemia. E vai ter que adiar novamente”, disse a proprietária do buffet, Silvia Cristina Sonccini. Segundo ela, um evento marcado para o próximo dia 9 já foi adiado quatro vezes. “Já estão quase desistindo”, disse.

Com a pandemia o número possível de pessoas presentes nos eventos reduziu, o que prejudica a renda do setor. “Fazer um evento pra 10 ou 15 pessoas, não dá lucro pra gente. Cheguei a fechar um evento para 200 pessoas, a pessoa pagou a entrada e depois que já estava pago reduziu o número de pessoas, então acabamos arcando com o evento sem ter lucro”, contou Silvia.

Como contou Silvana, ela já tinha o dinheiro para abrir um restaurante, mas devido à pandemia cancelou os planos, pois precisou usar o dinheiro guardado para pagar outras despesas. “Tivemos que paralisar tudo. Não abrimos o restaurante, cancelamos os planos e o que tínhamos já foi tudo”, explicou. “Não temos outra renda, então se não tiver uma reserva, não tem o que fazer”, acrescentou.

De acordo com o proprietário do Buffet Farra e Festa, um buffet infantil com sede em Cianorte, e de uma empresa de eventos de grande porte de São Paulo, Mário Marcus de Macedo, a renda de sua família também é baseada nos eventos. “Usamos uma pequena reserva financeira e conseguimos ajuda do Governo Federal pela Caixa Economia que ajudou, mas estamos aguardando. Temos uma incerteza muito grande do futuro”, afirmou.

Em média, Macedo organizava cerca de 120 eventos por ano, mas em 2020 o número caiu para 40. “Foi um ano muito difícil, perdemos todas as reservas que tínhamos, porque de uma hora pra tudo mudou”, disse o empresário.

Segundo Macedo, muitos eventos em 2020 estavam fechados, mas aos poucos a maioria dos clientes cancelou os eventos. “As pessoas foram esperando, porque ninguém entendia, cancelavam mais perto do evento. Muitos adiaram ou cancelaram, tivemos que devolver dinheiro”, esclareceu.

Conforme o proprietário da Farra e Festa, a preocupação continua no novo. “Neste ano não tenho data pra vender, pois tem festas do ano passado. É uma organização bem trabalhosa”, disse.

DONA DE ESPAÇO ABRIU NOVO NEGÓCIO PARA DRIBLAR A PANDEMIA

A assessora de eventos e proprietária de um salão de eventos, Adriana Klein, também foi prejudicada devido à pandemia. Para driblar a situação ela e seu genro abriram um novo negócio, o Shawarma’s Cianorte – um lanche árabe. O estabelecimento de entregas foi aberto em março.

“Minha maior renda vem dos eventos, mas com a pandemia não dava mais conta. Eu tenho duas cozinhas industriais, aí meu genro se propôs a abrir o Shawarma’s Cianorte. E nós estamos sobrevivendo com isso”, contou Adriana.

O novo negócio surgiu como uma forma de pagar as dívidas, já que precisa de cerca de R$ 15 mil livre para arcar com todos seus gastos.

Em seu trabalho ela organiza casamentos e grandes eventos, desde o buffet, locação de salão, entre outras funções. Porém, com a pandemia, os eventos que chegavam a 30 por ano, caíram para 10. “Na verdade, quase não tive eventos. Praticamente todos foram adiados ou cancelados”, disse.

Adriana trabalha no ramos desde 2012, mas abriu um salão de eventos no começo de 2019, depois de reformar o espaço que tinha disponível. “O salão era cru, fiz toda uma reforma, gastei mais de R$ 300 mil, reformei tudo. Aí veio a bomba”, explicou. O salão comporta até 1.100 pessoas.

Salão de eventos foi completamente reformado no início de 2019
Foto: Reprodução Dri Eventos

PROFISSIONAIS DIZEM QUE FALTOU ATENÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COM O SETOR

Para a proprietária do Buffet Boa Mesa, Silvia Cristina Sonccini, a administração pública não pensou diretamente no setor de eventos. “Falam em bares, lanchonetes, mercados. Mas e os eventos, ficam onde? Minha renda vem disso, estamos de mãos atadas”, disse.

De acordo com o proprietário do Farra e Festa, Mário Marcus de Macedo, faltou apoio, principalmente da prefeitura. “Faltou apoio para a gente. Bares e restaurantes abriram, mas nós tivemos restrições”.

Segundo Macedo, ele chegou a ir até a prefeitura para buscar soluções. “Pleiteamos na prefeitura, justificando que uma festa de aniversário são pessoas conhecidas. Em bares é diferente, tem muita gente estranha que não conhecemos”, afirmou. “Olhar um bar lotado e você com o negócio parado e pagando imposto, incomoda muito. É revoltante”, acrescentou.

Macedo reforçou que a prefeitura não ouviu os anseios do setor. “Nós tentamos, conversamos muito, mas entendemos que não é fácil”, lamenta.

A assessora de eventos, Adriana Klein, disse que via aglomerações em diversos bares. “Eu passava na Avenida Maranhão e via todo mundo sem máscara. E a gente não podia trabalhar, porque seria multado”.

 

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