Taxa de ocupação dos hotéis cai para até 15% durante pandemia

O setor de hotelaria é um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Devido ao isolamento social, as pessoas suspenderam viagens, cancelaram festas, eventos, deixaram de viajar para fazer compras e deram início ao trabalho remoto, esses e outros fatores colaboraram para que as taxas de ocupação dos hotéis da região reduzissem para 15%.

Em Cianorte são quase mil leitos disponíveis em nove hotéis, conforme Inventário Turístico de Cianorte, e todos possuem uma taxa de ocupação menor do que 50%.

O movimento do Paraná Hotel Express reduziu expressivamente durante o início da pandemia, mas aumentou com o passar dos meses. Conforme contou o proprietário do hotel, Luiz Carlos Felipe, agora a taxa de ocupação chega a 55%, mas no começo da pandemia caiu para 20%. “Principalmente nos meses de maio e abril a taxa de ocupação caiu muito. Em março chegou a 20%, abril a 35%, e em maio e junho a taxa ficou entre 50% a 55%”, contou.

O hotel fica no mesmo prédio que o shopping Paraná Moda Park, localizado na entrada da cidade, entre as duas rodovias, PR-323 e 082, o que atrai muitos visitantes.

Um dos principais clientes do hotel é o shopping, porém com as restrições da pandemia, os compradores que viajavam longas distâncias para fazer compras no shopping praticamente desapareceram, e assim o hotel ficou sem seu principal filão. Agora, grande parte das vendas é feita de forma online, com os guias pegando as mercadorias e as encaminhando para o cliente. “O shopping que antes era o maior cliente, passou a ser mais comum. Antes hospedávamos cerca de 700 pessoas por mês só de pessoas do Brasil todo que vinham ao shopping. No mês passado foram apenas 151 pessoas”, afirmou Felipe.

Conforme Felipe, o hotel trabalha com o turismo de negócios e, por isso, costuma receber empresas. “Muitas pessoas vêm para fazer prestações de serviços, mas como fechou toda a região tivemos grandes dificuldades. Tinham empresas e representantes que ficavam semanas. Então nesse período o faturamento caiu 50%”, acrescentou.

Mesmo com a queda no faturamento, o hotel conseguir manter a equipe de oito funcionários. “Optamos por não demitir ninguém. Demos férias para alguns funcionários, mas não tivemos que fazer demissões”, afirmou o proprietário. Porém, o estabelecimento precisou renegociar com fornecedores e manter apenas as compras necessárias.

Corte de gastos

De acordo com o gerente do Hotel MFG, Gabriel Damasceno Antunes, devido à pandemia foi necessário cortar alguns gastos devido à queda dos lucros, como o café. Segundo ele, a taxa de ocupação do estabelecimento caiu de 30 a 50%. “O pior mês foi no início da pandemia, quando fechamos a cidade. Agora começamos a engatinhar novamente e estamos com uma taxa de 60%”, contou o gerente.

Durante o período, a equipe precisou dispensar três funcionários, dois responsáveis pelo café e uma da limpeza. “Hoje estamos trabalhando em cinco, mas logo vamos ter que aumentar o número de trabalhadores”, afirmou Antunes.

Mesmo com o aumento dos hóspedes, o gerente afirmou que muitas pessoas ainda possuem certo medo de ficar em um hotel. “Tem bastante gente que tem receio de se hospedar. O pessoal liga perguntando, ficam preocupados falando da cidade. Ainda estão com um o pé atrás”, disse.

Como forma de aumentar o numero de hóspedes, o hotel faz divulgações pela internet e pelo rádio. Além disso, a limpeza é muito reforçada. “Temos muito cuidado com a limpeza, frascos de álcool em gel em todos os cantos do hotel, tomamos todos os cuidados necessários”, relatou.

Restrições

Conforme a gerente do Hotel Goldmen, Eliane Piveta, a taxa de ocupação caiu para menos de 15% durante o período de pandemia. Segundo ela, o hotel recebia por mês cerca de 1,5 mil hóspedes e hoje chega aos 250.

De acordo com Eliane, as restrições impostas devido ao vírus fizeram com que as pessoas parassem de se dirigir a hotéis. “Houve muitas restrições e o pessoal deixou de sair, empresas não estavam recebendo pessoas, tudo é feito de forma online”, afirmou a gerente.

Segundo Eliane, os meses de pandemia apresentaram dificuldades desde o início. Devido às proibições de eventos e circulação o movimento seguiu baixo. “Nosso movimento é de fora, e muitas cidades grandes, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, estavam com grandes ciclos de corona. As pessoas então não viajaram mais e as empresas estão com restrição”, esclareceu.

Além disso, o hotel conta com um restaurante que também enfrentou problemas durante a pandemia, principalmente no período em que restaurantes podiam ficar abertos até às 20 horas.

Apesar dos prejuízos e dificuldades de funcionamento, o hotel não dispensou funcionários. “O proprietário do hotel manteve todos os funcionários, pois são pessoas que trabalham aqui há anos. Então ele tenta ao máximo manter todos”, disse a gerente do hotel.

Equipe reduzida

O sócio proprietário do Hotel Globo, Maurício de Souza, também optou por não demitir seus funcionários. “Tivemos duas suspensões de contratações, mas as duas já retornaram. Conseguimos bancar o pessoal”, esclareceu.

De acordo com Souza, o hotel teve uma redução de 50% em sua taxa de ocupação, mas vem se recuperando nos últimos meses. “Caiu bem o movimento, principalmente entre março e abril, mais de 50%. Já nós últimos meses estamos recuperando a clientela”, afirmou.

Segundo o sócio, o estabelecimento recebia em torno de 900 pessoas de diversos locais do Paraná e estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

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