Suspeito volta a Cianorte sem jovens e deixa cidade em motocicleta
A Polícia Civil de Cianorte identificou o principal suspeito no caso do desaparecimento das jovens Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos. A informação foi divulgada na manhã de quarta-feira (29), durante coletiva de imprensa concedida pelos delegados da 21ª Subdivisão Policial (SDP), Luís Fernando e Jonas Eduardo Peixoto do Amaral. O investigado é apontado como peça central para o avanço das apurações.
Após representação da autoridade policial de Cianorte, foi decretada a prisão temporária de Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, conhecido pelos apelidos “Sagaz” e “Dog Dog”, apontado como principal suspeito. A decisão foi proferida pelo Juízo de Garantias da Vara Criminal da Comarca de Cruzeiro do Oeste, que reconheceu indícios suficientes de autoria e a necessidade da medida para o andamento das investigações, especialmente diante da gravidade do caso e da busca pela localização das vítimas.
Segundo os delegados, o homem utilizava identidade falsa para circular na cidade e evitar a Justiça. Contra ele há um mandado de prisão em aberto por roubo agravado, expedido pela comarca de Apucarana em 2023. Desde então, ele é considerado foragido.
A Polícia Civil informou que trabalha de forma contínua desde a quinta-feira (23), quando tomou conhecimento do desaparecimento. As equipes atuam quase 24 horas por dia, com apoio da Polícia Militar e de delegacias de toda a região Noroeste. “Desde o momento em que fomos comunicados, instauramos o inquérito e iniciamos as diligências sem interrupção”, afirmou o delegado Luís Fernando.
De acordo com o delegado, as primeiras medidas incluíram a coleta de depoimentos de familiares, amigos e pessoas que estiveram com as jovens antes do desaparecimento. “O foco inicial foi identificar o homem que apareceu nas últimas horas com elas, conhecido apenas como ‘Davi’. Era um nome que circulava, mas sem qualquer qualificação formal”, disse.
A identificação do suspeito exigiu um trabalho detalhado. Ele frequentava ambientes noturnos de Cianorte e era conhecido socialmente, mas não havia registros claros de sua identidade ou imagens disponíveis. “Isso chamou a atenção. Não é comum alguém ser tão presente socialmente e, ao mesmo tempo, invisível do ponto de vista documental”, afirmou o delegado.
Com o avanço das investigações, a polícia confirmou que o homem se trata de Clayton, já procurado pela Justiça. A partir daí, a apuração ganhou novo rumo.

Cronologia
A cronologia dos fatos indica que as jovens saíram de Cianorte às 22h39, em uma caminhonete preta conduzida pelo suspeito. O veículo, segundo a polícia, é um clone, ou seja, utiliza placa adulterada de outro automóvel, o que dificulta o rastreamento. Às 22h54, elas chegaram a Jussara, onde uma das vítimas mora.
No local, houve publicação em rede social indicando consumo de bebida alcoólica e incerteza sobre o destino. Pouco depois, às 23h13, o grupo deixou Jussara pela rodovia PR-323, em direção à região de Maringá.
À 0h16, houve nova publicação, já entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. A imagem mostra o motorista com tatuagem no braço, característica considerada relevante para a identificação.
A última conexão de uma das jovens ocorreu por volta de 1h17 da madrugada. Já a outra teve o último registro ainda na saída de casa, por não possuir pacote de dados ativo no celular.
No dia seguinte, a ausência de contato chamou a atenção da família. O desaparecimento foi registrado na tarde de quinta-feira (23).
Durante as investigações, a polícia apurou que o suspeito retornou a Cianorte dias depois. Ele foi visto por testemunhas e deixou a cidade novamente, desta vez em uma motocicleta, alegando estar sem celular. Há ainda registro de passagem por Maringá na sexta-feira (24).
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o suspeito esteja vivo e em deslocamento. Um novo pedido de prisão deve ser expedido, além do mandado já existente. A investigação entra agora em fase técnica, com análise de dados e rastreamento de rotas.
As hipóteses investigadas incluem sequestro, homicídio ou privação de liberdade. Até o momento, não há confirmação sobre a natureza do crime nem sobre a motivação.
O suspeito não é morador de Cianorte nem possui atividade profissional conhecida na cidade. Testemunhas indicam que ele vivia na região há cerca de um ano e meio. Ele possui histórico criminal por roubos e é investigado por possível participação em outros crimes na região de Mandaguari.
Outro ponto apurado é o possível destino do grupo. Há indícios de que poderiam seguir para Porto Rico ou para uma festa na região de Paranavaí, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada.
A Polícia Civil também investiga a exclusão de fotos das redes sociais do suspeito após o desaparecimento, além da possível ajuda de terceiros na fuga.
Para os investigadores, o caso entra em fase decisiva. “Estamos concentrando todos os esforços na prisão do suspeito. A partir disso, poderemos esclarecer os fatos com mais precisão”, afirmou o delegado.
As autoridades reforçam que a prioridade é localizar as jovens e dar uma resposta às famílias. A força-tarefa segue mobilizada, com troca constante de informações entre unidades da região.

