Número de obras cresce 47% em ano de pandemia em Cianorte

Da Redação

Mesmo em ano de pandemia, o número de obras construídas ou, pelo menos, autorizadas em Cianorte em pleno ano de pandemia aumentou consideravelmente. De acordo com dados da Prefeitura de Cianorte e do Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura (Crea), somente em 2020 foram registradas 1.942 obras que totalizam 226 mil metros quadrados, divididos em construções, Casa Fácil e regularizações, conforme levantamento da Prefeitura de Cianorte. Somente as construções representam 71% do total construído, ou seja, 161 mil metros quadrados.

Em 2019 esses números foram bem mais modestos. O total de metros quadrados registrado nos 12 meses do ano foi de 148 mil metros quadrados, destes 113 mil são referentes a construções. Ao todo, foram 1.315 obras registradas na prefeitura. Já o número de alvarás de construção, em 2019, foi 1.098 e em 2020 foram 1.529, aumento percentual de 39%.

Os números de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs), documento legal que identifica o responsável técnico por um serviço prestado ou uma obra realizada, registrado pelo Crea-PR também apresentaram um aumento expressivo no último ano.

Em 2020 foram registrados 5.722 ARTs. Agosto foi o mês em que mais houve registro do documento, 566. Em 2019 foram 4.103 documentos emitidos, apenas em outubro houve 526.

ARTS

Apesar do aumento dos registros de ARTs, isso não significa que o número de obras e seu volume tenha sido maior que no ano anterior. “Isso pode ser um índice que pode mostrar um número que aumentou serviço, mas não quantidade de obras, porque entra laudos que não envolvem necessariamente a quantidade de obra”, explicou o engenheiro civil e conselheiro do Crea-PR, Alex Godoy.

“Realmente aumentou o número do ano passado, aumentou essa fiscalização, mas isso não reflete o número de obras. Em janeiro tivemos bastante, a tendência era vir uma crescente, mas tivemos um aumento linear. Tivemos um incremento considerável, mas foi linear, não foi tão expressivo”, esclareceu o engenheiro.

Segundo Godoy, normalmente, durante o final do ano, as pessoas querem uma casa nova. “Todo mundo quer algo diferente, muitas vezes as pessoas se preparam pra isso, guardam dinheiro o que aumenta o número de reformas”, afirmou.

Para o engenheiro esse ano atípico, houve uma quebra de serviço. “Eu senti na minha profissão, nos serviços que eu faço com alguns colegas, sentimos que diminui alguma demanda, mas ainda tinha financiamento, para quem é funcionário publico, que tem um estabilidade, conseguiu fazer um financiamento. O que perdemos mais foram os investidores, pela dificuldade de alugar, esta difícil construir uma casa pra investimento”, explicou.

Obras em casa

Para Godoy, obras pequenas tiveram uma maior parcela neste ano de pandemia. “As pessoas ficaram mais tempo em casa e começam a querer mudar as coisas. Aconteceram mais reformas pequenas”, disse.

Segundo ele, as pessoas têm interagido mais em casa e acabam percebendo pequenos problemas. “Pequenas reformas tiveram um aumento, isso também pode ter causado esse implemento de serviço, são pequenas obras, pequenas coisas e não em volumes tão grandes”, afirmou.

Casas financiadas

A engenheira civil, Anieli Bueno, trabalha com o financiamento de casas e não sentiu uma queda no setor. “Mesmo com a pandemia, ela não diminuiu o número de obras, ao contrário, aumentou a construção. O que houve foi uma escassez do material e uma elevação do preço”, afirmou.

“Muitas cidades tiveram lockdown e não tiveram produção da material, mas mesmo assim a demanda foi grande. No final do ano o pessoal ficou mais recuado por conta do preço do material, o que fez o preço das casas aumentasse, mas na pandemia as pessoas não ficaram com receio. Teve muito trabalho”, contou a engenheira.

Para a engenheira, muitas pessoas que guardaram dinheiro para as viagens de fim de ano acabaram direcionando o às reformas e investimentos em construção. “Como sabiam que não iam viajar, pegaram o dinheiro pra investir na construção. Tenho clientes que vão fazer uma construção pra ter aluguel e renda”, disse.

Indústria começa a retomar o trabalho

De acordo com o engenheiro civil, Alex Godoy o Brasil ainda vai passar por uma recuperação. “Vai ter uma recuperação com o tempo, mas não é tão rápido. Temos a questão do material, da matéria prima, fabricação, pessoal. Algumas empresas demitiram e agora tem que recontratar, buscar recursos para poder retomar o trabalho de uma fabrica”, explicou. “São indústrias pesadas, uma indústria de cimento, por exemplo, demora para começar a produzir”, disse.

Segundo Godoy, o ciclo de produção do setor teve uma quebra e agora passará por uma retomada. “Indústrias diminuíram seus estoques e sua produção, talvez por não saber quando ia começar a vender de novo. Hoje percebemos que algumas estão retomando  trabalho”, afirmou.

Conforme o engenheiro, muitas vezes não há tanto volume de material sendo usado, pois as obras menores que foram registradas não usaram tanta matéria prima. “Talvez, por isso, as indústrias murcharam e agora elas têm que retomar o trabalho”.

 

 

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