Leite das Crianças: sobra do leite cai para 1% durante pandemia

O Programa Leite das Crianças beneficiou 1.575 famílias em vulnerabilidade social durante o mês de julho em toda a região. Exatamente 1.678 crianças receberam sete litros de leite por semana. Durante o período de pandemia as sobras do leite caíram para 1%, enquanto fora do período as sobraram ficavam em torno de 3%. O programa entregou cerca de 1,6 mil litros por dia para os 11 municípios da região no último mês, tendo um gasto de cerca de R$ 126 mil.

Segundo o chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), com sede em Cianorte, e responsável pelo Programa Leite das Crianças, Francisco Cascardo, as sobras do leite reduziram devido o momento difícil que algumas famílias estão enfrentando durante a pandemia. “O índice de sobra tem baixado bastante. O aumento do desemprego e as dificuldades financeiras estão fazendo com que o número caia”, afirmou.

Somente em 2019, o programa distribuiu 22 mil litros de leite às famílias cadastradas. Este ano, até julho, foram mais de 10 mil litros de leite que saíram da propriedade rural e foram parar na mesa das famílias cadastradas na região. 

Conforme o chefe da Seab, o leite tem se mostrado muito importante e necessário nas residências das famílias desde o início da pandemia. “O pessoal não tem deixado de buscar, então vemos que o leite é realmente necessário nesse período, mais do que nunca. Então, estão se esforçando pra superar alguma necessidade para receber o leite”, disse Cascardo.

Em toda a região dos 11 municípios há 18 pontos para a retirada do leite. Sete destes pontos então em Cianorte, dois nos distritos e cinco na cidade. No município 679 famílias estão cadastradas e 712 crianças recebem o leite.

Outros municípios com maior número de famílias cadastradas são Tapejara (173) e Tuneiras do Oeste (125), que entregam leite a 179 e 130 crianças, respectivamente.

O programa ainda engloba diretamente as Secretarias de Estado da Saúde, da Agricultura e do Abastecimento, da Educação, e da Justiça, Família e Trabalho.

Como funciona o programa

O Programa Leite das Crianças tem duas vertentes principais, como o responsável Francisco Cascardo explica. A principal delas é atender as crianças – de zero a três anos – de famílias em vulnerabilidade social, colaborando com desenvolvimento nutricional. “Essas crianças recebem um litro de leite por dia, isso pela questão nutricional, visto que é o leite indispensável para o desenvolvimento”, afirmou.

Conforme Cascardo, a segunda vertente é o apoio ao desenvolvimento dos pequenos produtores, pois as usinas que pegam o leite selecionam empresas, cooperativas que possuem um maior número de pequenos produtos. “Quanto maior o número desses produtores, mais cota eles pegam. E a vantagem de pegar mais cota é que o Governo paga mais nesta produção do que outros mercados. Então todos possuem interesse em entrar no programa”, explicou.

“O programa então ajuda a movimentar a bacia leiteira e os pequenos proprietários. Por um lado garante o alimento a quem precisa e por outro protege o pequeno produtor para que ele seja bem remunerado”, esclareceu.

Para que as famílias possam fazer parte do programa é preciso seguir alguns critérios da Secretaria da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf). A criança deve ter entre zero a três anos de idade e a renda familiar deve ser de meio salário mínimo por indivíduo capita.

Produtores passam por treinamento com relação a produção do leite. Foto: Divulgação Seab

Assistência técnica

Segundo o chefe da Seab, Francisco Cascardo, pontualmente o estado tem colaborado com programas de resfriadores aos pequenos produtos. “Resfriadores comunitários, individuais, temos bastante convênio para ajudar a subsidiar esses pequenos produtores com os resfriadores”, afirmou. Porém, “o maior apoio está na assistência técnica, que é ainda mais importante do que o resfriador”, acrescentou.

De acordo com Cascardo, esse apoio é essencial durante toda a produção do leite e desenvolvimento do produtor. “É uma atividade complexa, porque envolve as duas situações: tanto a agricultura como a parte do animal”, explicou.

“O leite é o pasto transformado no organismo do animal em leite. Então tem toda uma parte da agricultura, como cuidar da pastagem, enfrentar o plantio, a parte do cuidado com o animal, da sanidade. A questão fisiológica, o cuidado com as doenças. Ao mesmo tempo em que o produtor é um pecuarista ele é agricultor”, esclareceu.

Conforme Cascardo, existem muitas exigências que devem ser seguidas pelos produtores para garantir a qualidade do leite. “As exigências aumentam com o tempo e todo o laticínio deve passar por um exame. Hoje todas as propriedades possuem um resfriador de leite”, disse. Para o chefe, é importante que o produtor entenda toda a atividade para que ele possa produzir com menos custo.

 

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