Laudo garante que bilhete atribuído como prova não tem letra de assessor de Dadá

O laudo grafotécnico encomendado pela Comissão Processante formada na Câmara de Vereadores de Cianorte e que investiga as denúncias de ‘rachadinha’ de valores suspostamente desviados do assessor parlamentar do vereador Adailson Ignácio Carlos da Costa (Podemos), o Dadá, José Santos Bárbara, conhecido como Zico, pode representar novos capítulos à investigação iniciada em outubro de 2020 pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). A análise do perito judicial Francisco Lúcio de Carvalho é categórica ao afirmar que o bilhete encontrado dentro da gaveta da mesa de trabalho do assessor de Dadá não pertence ao acusado, tampouco ao vereador.

O bilhete, na verdade um rascunho com anotações de valores que, segundo o MP, sugerem a configuração da rachadinha, e conforme os promotores de Justiça seria a prova documental e o elo financeiro entre o parlamentar e seu funcionário, foi encontrado no dia da operação desencadeada pelo Ministério Público. De acordo com o laudo, a letra usada no rascunho não tem nenhuma referência com o registro grafotécnico do assessor, ou seja, as anotações não foram feitas por ele, e, consequentemente, nem pelo vereador Dadá.

“Baseado no resultado da análise dos grafismos, conclui-se que a predominância quanto à morfologia e gênese gráfica dos lançamentos supõe fortemente a hipóteses que os lançamentos gráficos analisados não foram produzidos pelo Sr. José dos Santos Bárbara”, diz a parte mais conclusiva do lauta assinado pelo perito Francisco de Carvalho.

O bilhete foi encontrado na gaveta de Zico no dia da operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e por policiais que investigavam vereador e assessor há meses. Dadá e Zico chegaram a ser levados à sede do Gaeco em Maringá e ficaram dois dias presos, acusados de crime de corrupção e peculato. Dias depois, a Justiça concedeu habeas corpus aos dois, entendendo que não havia necessidade da prisão.

Dadá é Bárbara foram denunciados criminalmente. No entanto, o prejuízo moral ao vereador e seu assessor são considerados por eles como irreparáveis. Dadá, mesmo sendo reeleito para a Câmara de Vereadores 15 dias antes da sua prisão, foi afastado do Legislativo por medida judicial assim que assumiu seus quinto mandato consecutivo, e Zico também está afastado de suas funções na Câmara de Vereadores, onde trabalhava há pelo menos uma década.

A comissão que analisa a situação de Dadá se reúne neste sábado para decidir o futuro do vereador. Se for denunciado, ele  deve ser julgado pelas seus colegas de plenário e pode até ser cassado. No entanto, a comissão, formada pelos vereadores Tiago Fontes (presidente), Pastor Dejair (relator) e Marcão da Madeforte (membro) pode se basear no laudo do perito judicial para balizar o relatório final.

Mesmo que escapar da cassação, Dadá entende que já foi julgado pela opinião pública que não pôde ou ouvir sua defesa e sua versão para os fatos. Segundo ele, não existe nenhuma outra prova que indique que ele recebia dinheiro de volta do seu assessor, muito menos que esses repasses eram feitos todos os meses. Dadá chegou a disponibilizar seu histórico bancário dos últimos anos, assim como fez Zico, para provar que nunca houve nenhuma transação financeira entre os dois. Mas nem isso foi levado em conta pelo MP, sustenta o vereador.

Dadá diz que acredita que o rascunho na gaveta do seu assessor foi “plantado” para prejudica-lo. O vereador afastado revela que quando Zico foi detido e o rascunho confiscado de sua gaveta, seu assessor gozava de férias. “Era 30 de novembro. Zico estava de férias e voltaria para a Câmara de Vereadores somente no dia 3 de dezembro. Alguém, que tinha cesso à sala dos assessores entrou no espaço e plantou aquele bilhete. Não tenho dúvida disso”, explica o vereador.

Dadá disse que ainda tentou recuperar as imagens do sistema de monitoramento de segurança da casa de leis, mas quando seu pedido chegou á câmara, as imagens já haviam sido inutilizadas porque o sistema só armazena 15 dias ante aos fatos. “Tudo contribui para a minha situação. Mas eu tenho certeza que esse laudo comprova que não há mais provas contra mim nem contra o Zico”, garante o vereador.

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