Investigado e com tornozeleira, Davanço reassume presidência da Câmara
O vereador Victor Hugo Davanço reassumiu a presidência da Câmara de Cianorte na sessão ordinária de segunda-feira, 4, após período de licença médica. O retorno ocorre poucos dias depois de ele ser colocado em liberdade pela Justiça e em meio ao processo de cassação aprovado pelo Legislativo. O parlamentar segue investigado e utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
Davanço havia solicitado afastamento entre 22 de abril e 1º de maio de 2026, com base na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno. A licença foi apresentada após sua saída da prisão, onde permaneceu por oito dias em regime preventivo.
Na mesma Câmara em que retomou as atividades, os vereadores aprovaram por unanimidade, com oito votos, a abertura de processo de cassação contra o parlamentar. O pedido foi protocolado em 9 de abril, um dia após a prisão. Com a decisão, a comissão processante terá prazo de até 90 dias para conduzir os trabalhos. O grupo deverá ouvir testemunhas, garantir o direito de defesa e elaborar relatório final, que será submetido ao plenário.
A liberdade de Davanço foi concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), por decisão do desembargador Kennedy Josue Greca de Mattos. A medida atendeu parcialmente a um pedido de habeas corpus e substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
Na decisão, o magistrado apontou que a prisão deve ser aplicada apenas em situações excepcionais. Segundo ele, não há elementos suficientes que justifiquem a manutenção da detenção. O entendimento considerou que o vereador é réu primário e que os crimes investigados não envolvem violência ou grave ameaça. Também foi avaliado que não há risco concreto de fuga ou de prejuízo às investigações.
Para permanecer em liberdade, o vereador deve cumprir medidas impostas pela Justiça. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados e o comparecimento obrigatório a todos os atos do processo. O descumprimento pode resultar em nova prisão.
A prisão ocorreu no dia 8 de abril, durante a Operação Big Fish, conduzida pela Polícia Civil do Paraná em conjunto com o Ministério Público. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais.
A operação mobilizou mais de 330 policiais e foi realizada em 25 cidades de cinco Estados. Em Cianorte, cerca de 30 pessoas foram presas, incluindo o então presidente da Câmara. Segundo a polícia, a organização teria movimentado mais de R$ 2,1 bilhões. Ao todo, foram cumpridas 371 ordens judiciais, entre mandados de prisão, buscas e bloqueios de bens.
As investigações indicam que Davanço teria atuado na estrutura do grupo, com participação nas áreas financeira e administrativa. O celular do vereador foi apreendido para perícia. Também foram bloqueados mais de R$ 43 milhões em bens, incluindo imóveis, veículos e valores em contas, além da retirada do ar de 21 sites de apostas ilegais.

