Adapar publica novas regras para conter avanço do greening no Paraná

O Paraná reforçou as ações de combate ao greening com a publicação, em março, de uma nova portaria da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A medida estabelece diretrizes obrigatórias de prevenção, controle e contenção da doença, considerada a principal ameaça à citricultura no Estado.

A construção das regras contou com a participação do Sistema FAEP e atende determinação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que exigiu dos estados a elaboração de planos de contingência.

Causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitida pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), a doença não tem cura e pode levar à morte das plantas. Por isso, o monitoramento contínuo e a eliminação de exemplares contaminados são fundamentais para conter sua disseminação.

“Precisamos juntar forças para orientar o nosso produtor sobre como monitorar e eliminar as plantas que apresentam sintomas e proteger áreas saudáveis”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O enfrentamento da doença passa, necessariamente, pelo esforço coletivo”, acrescenta.

Segundo o chefe da divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, Diego Juliani de Campos, a nova regulamentação também serve como alerta. “Com rápida disseminação e alto potencial de destruição, o greening exige vigilância constante”, destaca.

A portaria estabelece obrigações como cadastro das propriedades, inspeções periódicas, controle do inseto vetor e envio de relatórios. De acordo com a Adapar, há sinais de avanço da doença em áreas monitoradas, o que reforça a necessidade das medidas.

A citricultura tem peso significativo na economia estadual. Dados do IBGE indicam que o Paraná é destaque na produção de laranja, tangerina e limão, enquanto o Deral aponta que o citrus representa 62,3% da fruticultura do Estado.

Alexandre Vagetti, produtor de laranja em Paranavaí

Ação no campo

Produtores já enfrentam os impactos da doença. O citricultor Alexandre Vagetti, de Paranavaí, relata que a eliminação rápida das plantas contaminadas é essencial.

“Assim que identifiquei, eliminei imediatamente as plantas com sintomas. É uma responsabilidade de todos”, afirma.

A produtora Ana Maria Gorzoni Tomaz também relata perdas e reforça a importância do monitoramento constante.

Ana Maria Gorzoni Tomaz, produtora de laranja

Exigências da portaria

A normativa define prazos para erradicação das plantas conforme a idade dos pomares, além de exigir controle rigoroso do inseto transmissor e envio de relatórios periódicos à Adapar.

As medidas seguem alinhadas ao Programa Nacional de Prevenção e Controle do HLB.

Histórico

O combate ao greening no Paraná envolve atuação conjunta de órgãos públicos e entidades do setor. A criação da Câmara Setorial da Citricultura consolidou esse esforço, reunindo instituições como Adapar, IDR-Paraná e Sistema FAEP.