Profissionais de saúde denunciam situações de exaustão física e mental  

Da Redação

Após o primeiro ano de pandemia, os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente em hospitais de todo o Brasil enfrentam exaustão e dificuldades com a saúde mental. Segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Burocracia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que ouviu o ouviu 1.829 profissionais de diversos campos em todas as partes do país, o resultado informou que 80% desses profissionais disseram que tiveram algum problema de saúde mental ao longo do último ano.

Em hospitais de Cianorte e municípios da região a situação não é diferente, a preocupação diária e o medo constante causam esgotamento físico e mental, e algumas vezes afastamentos temporários desses profissionais. A elevação dos números de mortes, quadros clínicos agravados, e o medo de contaminar as pessoas que amam são constantes.

Em Cianorte são aproximadamente 300 profissionais que trabalham na linha de frente contra a Covid-19. Só na Fundação Hospitalar do Paraná (Fundhospar) são quase 60 profissionais, além dos que atendem no Centro de Atendimento a Síndrome Respiratória (CARS), e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, dos 145 óbitos registrados no município por decorrência da doença, uma enfermeira e dois médicos eram profissionais que estavam se dedicando a salvar as vidas de pacientes com o novo coronavírus.

Vera Apolinário é enfermeira em um hospital da região, em 11 anos de profissão é a primeira vez que precisa lidar com a morte de tantas pessoas conhecidas, e ver situações em que a assusta diariamente.

“Eu precisei dizer a um colega de trabalho que ele não podia tocar na mãe dele, e ensacar o corpo com aquele saco preto, foi muito doloroso. Não sei o que é pior, ensacar um corpo, ter que entubar uma pessoa que não consegue mais respirar, ou ver o próprio paciente pedir para ser entubado”, contou a Vera.

A doença que ainda é desconhecida em suas complicações e sequelas toma toda atenção e alerta dos profissionais, que precisam redobrar os cuidados com equipamentos de proteção e o monitoramento dos pacientes.

“Antes trabalhávamos com quase sempre a certeza de que o diagnóstico do paciente iria ter cura ou no mínimo um tratamento. Hoje vivemos com as incertezas, um dia os pacientes estão bons no outro os mesmos precisam ser entubados. Eles tinham direito a visitas ou acompanhante, e hoje chegam, sofrem e às vezes morrem sem ao menos ver alguém que ama”, contou a enfermeira.

“Ficamos à beira de um surto quando acaba o plantão. O paciente muitas vezes é um antigo colega de escola, marido de uma amiga, pai, mãe ou sempre alguém conhecido. Eu me afastei por três vezes. A primeira foi a pior, meu filho pegou um gripe e eu me desesperei por achar que eu havia o contaminado por trabalhar na linha de frente”, finalizou.

De acordo com a Secretária Municipal de Saúde, 3.866 profissionais que atuam no setor foram imunizados com a primeira dose da vacina, e 2.059 com a segunda.

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