Por unanimidade, Câmara de Cianorte cassa mandato de Rafael Araújo

A Câmara Municipal de Cianorte cassou, nesta sexta-feira, 24, o mandato do vereador Rafael dos Santos Araújo. A decisão foi tomada por unanimidade, com nove votos favoráveis, durante sessão no plenário da Casa.

Com a cassação, o parlamentar fica inelegível por oito anos, conforme a legislação vigente.

A sessão ocorreu na sede do Legislativo e foi aberta ao público. O processo analisou os fatos apresentados na denúncia contra o vereador e seguiu o rito previsto na legislação municipal e no regimento interno da Câmara.

Os vereadores avaliaram o relatório e os argumentos apresentados antes de votar pela perda do mandato.

A decisão encerra o processo político-administrativo no âmbito da Câmara.

Entenda

A convocação foi feita pelo presidente em exercício, Afonso Sergio Lima, com base no Regimento Interno e no Decreto-Lei nº 201/57. O caso tramita no Processo Administrativo nº 160/2025-CMC, aberto após denúncia apresentada por João Liberati Junior e Wilson Luiz Peres Pedrão.

A corregedoria da Câmara analisou o caso e deu parecer favorável ao prosseguimento da denúncia. Em seguida, o plenário aprovou a continuidade do processo por 9 votos a 1. O único voto contrário foi do próprio vereador investigado.

A denúncia foi protocolada em 4 de dezembro de 2025. Na primeira sessão ordinária de fevereiro de 2026, os vereadores analisaram o documento e autorizaram a abertura do processo.

Após a aprovação, foi formada a comissão processante por meio de sorteio. Foram escolhidos os vereadores Beto Nabhan (PP), Robson Fagundes (Republicanos) e Rodrigo Rezende (PSD). Robson Fagundes assumiu a presidência da comissão e Rodrigo Rezende ficou responsável pela relatoria.

O grupo conduziu a apuração interna que agora chega à fase final, com o julgamento em plenário.

Prisões e investigação

O caso tem origem na operação Fake Fitness, conduzida pela Polícia Civil do Paraná. A primeira prisão ocorreu em outubro de 2025, quando Rafael Araújo e o irmão, foram detidos em flagrante por suspeita de produção e venda clandestina de suplementos. Eles foram liberados no dia seguinte, após audiência de custódia.

Em dezembro, o vereador voltou a ser preso preventivamente. Segundo a polícia, mesmo após a primeira fase da operação, os envolvidos teriam continuado a atividade.

Após nova soltura, Araújo continuou exercendo o mandato. Segundo as investigações, os produtos vendidos como naturais continham substâncias de uso controlado, como sibutramina, fluoxetina e tadalafila, além de altas doses de cafeína.

A polícia aponta que o vereador recebia cápsulas produzidas de forma irregular, fazia a embalagem e distribuía os produtos. As vendas eram feitas por redes sociais e aplicativos.

De acordo com o inquérito, o grupo utilizava CNPJs de empresas regulares para dar aparência legal aos produtos. Os rótulos omitiriam a presença das substâncias controladas. A investigação identificou mais de mil envios entre 2019 e 2025.

Rafael Araújo e o irmão foram denunciados pelo Ministério Público por associação criminosa, falsificação e adulteração de produtos com finalidade terapêutica. O vereador também responde por posse irregular de arma de fogo.

Caso Davanço

Uma nova cassação pode ocorrer na Câmara Municipal de Cianorte, que volta a ter um vereador envolvido em investigação policial no centro do debate. O Legislativo analisa um pedido contra Victor Hugo Davanço, alvo recente de prisão na Operação Big Fish.

O pedido de cassação foi protocolado no dia 9 de abril. Após ter a liberdade concedida, o verador apresentou licença por motivo de doença, com afastamento entre 22 de abril e 1º de maio de 2026, conforme a Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno.

Apesar da ausência, a Câmara informou que não haverá convocação de suplente durante o período.

Davanço foi preso em 8 de abril, durante a Operação Big Fish, conduzida pela Polícia Civil do Paraná em conjunto com o Ministério Público. Ele foi solto na semana passada, mediante cumprimento de medidas cautelares.

A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais. A operação mobilizou mais de 330 policiais e ocorreu em 25 cidades de cinco Estados. Em Cianorte, cerca de 30 pessoas foram presas, entre elas o então presidente da Câmara.

De acordo com a polícia, a organização criminosa movimentou mais de R$ 2,1 bilhões. Foram cumpridas 371 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens.

Os investigadores apontam que Davanço teria atuado na estrutura do grupo, com participação nas áreas financeira e administrativa. O celular do vereador foi apreendido e segue em análise.

A operação também resultou no bloqueio de mais de R$ 43 milhões em bens, como veículos, imóveis e dinheiro. Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.

A presença de agentes públicos entre os investigados é considerada pela polícia como indício de possível infiltração do grupo em estruturas públicas. O caso segue sob investigação.

Para responder em liberdade, Davanço deve cumprir medidas impostas pela Justiça, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e comparecimento aos atos do processo.