Carlos Destefano: “Em Cianorte há muita gente invisível para a sociedade”

O plano de governo do Professor Carlos Destefano (PV) prevê uma administração baseada na igualdade, no planejamento e na sustentabilidade. Em campanha pela Prefeitura de Cianorte, o cianortense de 50 anos se considera uma alternativa nata de renovação, que defende a geração de renda como a chave para a maioria dos problemas da cidade, inclusive o maior deles: a desigualdade social.

Carlos Destefano é o segundo candidato a prefeito de Cianorte a ser sabatinado pela redação da TRIBUNA DE CIANORTE na série que o jornal está publicando este mês. Em pouco mais de uma hora, o ex-chefe do Núcleo Regional de Educação em Cianorte diz que é inadmissível a cidade ter tantos problemas gastando R$ 265 mil por dia somente com o Sistema de Saúde.

Para ele, é preciso governar sem privilégios, mas manter o olhar atento às pessoas que mais precisam dos serviços públicos. Ele cita como exemplo a demora para se conseguir uma consulta ou um exame de imagem na rede pública de Saúde. Acabar com as filas e diminuir a espera por esses serviços é uma das suas propostas para atender quem mais precisa da administração.

TRIBUNA DE CIANORTE – Cianorte pode se transformar numa cidade sustentável?

Carlos Destefano: Não só pode como deve. Mas nós temos que esclarecer algumas coisas. Quando a gente fala em sustentabilidade muita gente acha que estamos falando apenas de meio ambiente. O que defendemos é que é possível viver em conformidade com o meio ambiente. Então estamos falando em reciclar o lixo, mas igualmente em saúde publica, em qualidade de vida. Como por exemplo, no meu governo a Secretaria de Agricultura vai passar a se chamar Agricultura e Bem Estar Animal. Por quê? Porque cuidar dos animais de rua é questão de saúde pública.

TRIBUNA – Porque o senhor pode ser um bom prefeito?

Carlos Destefano: Nosso plano de governo foi pautado na nossa sociedade. Nós queremos o bem social. Não queremos só o poder. Nós não estamos em campanha pelo poder. Nós estamos em campanha pelo bem da nossa cidade. Eu vi essa cidade crescer, e vi seus anos de ouro. Mas também vi o regresso e os anos de miséria. Porque nós somos a verdadeira renovação. Não ocupamos cargos na prefeitura, nem na câmara de vereadores. Nós não nos alinhamos a nenhum (candidato) da antiga política. Nós somos independentes. Então nós somos a verdadeira renovação. Respeito os demais candidatos, mas a nossa proposta é a melhor.  Se você analisar o que estamos propondo para Cianorte, a nossa proposta é a melhor. E também pode deixar registrado, se eleito, eu não vou para a reeleição. Sou contra a reeleição em qualquer nível. Sou a favor de fazer bem feito em quatro anos e quatro anos dá para fazer bem feito.

TRIBUNA – O quê tem de tão diferente nesse seu plano de governo?

Carlos Destefano: Não adianta ficar contando que vai trazer uma Torre de Babel. Não adianta querer apresentar projetos absurdos ou com promessas absurdas. Nós construímos nosso plano de governo ouvindo as pessoas durante 90 dias e qual foi o maior problema identificado? Falta de emprego! E o que o Carlos Destefano apresenta para gerar emprego? Não adianta ficar ‘inventando moda’. Nós precisamos fortalecer quem já está aí instalado na cidade. Dar subsídios para pequenas e médias empresas, criar uma linha de fomento para que essas empresas aguentem a pressão. Agora também precisamos ir em busca de indústrias da área química, alimentícia, da metalurgia para gerarmos 200, 300, 400 empregos de cara. Em Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, uma cidade com 34 mil habitantes, vai receber uma unidade da Sadia que vai gerar cinco mil empregos diretos. Então nós precisamos mesmo é criar empregos e voltar a gerar renda.

TRIBUNA – Que tipo de subsídios o senhor fala?

Carlos Destefano: Por exemplo, não podemos privilegiar apenas os gigantes. Porque a cidade não tem um espaço para pequenas empresas, pequenas confecções que fecharam porque não tinham uma espaço para produzir. Se essas empresas tivessem linhas de crédito através de uma agência de fomento para poder investir. Apoio e suporte técnico para se desenvolver. Facilitar a vida do pequeno. Nossa gestão não será um governo de privilégio e sim um governo de igualdade. Todas as empresas são importantes, inclusive as grande empresas, que geram emprego e renda para a cidade. Tenha certeza, eu vou governar para todos, grande e pequenos, mas eu não posso dar privilégios para um em detrimento de outros. Eu não posso privilegiar uma empresa, um grupo ou uma família!

TRIBUNA – Para o senhor, Cianorte não é uma cidade igualitária?

Carlos Destefano:  A gente percebe que não. Isso está claro. Nós precisamos mudar essa realidade. Além da carência do emprego, nós sofremos com o subemprego. Há uma grande parcela da população ganhando menos de R$ 1,5 mil. A gente precisa aumentar essa renda atraindo empresas que cheguem para gerar empregos em diversos segmentos. Diversificar a economia. Não depender apenas de um ou outro setor.  Cianorte está numa região privilegiada. Estamos localizada na linha do Mercosul. Estamos no centro do Noroeste, mas estamos ilhados, sendo dependente de Campo Mourão, Umuarama, Paranavaí e Maringá. Precisamos aproveitar melhor isso para gerar oportunidades iguais para todos.

TRIBUNA – Dependente em que sentido?

Carlos Destefano: Nós não temos em Cianorte uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal. Nós não temos em Cianorte um centro de recuperação do menor infrator. Nós não temos um parque de exposições para realizarmos feiras agropecuárias e promovermos nossa agroindústria, além de ter um palco para realizar leilões de gado, valorizando a nossa pecuária. O que nós temos de lazer para segurar os nossos jovens dentro da cidade? É isso que eu falo para você de a gente fazer o “arroz com feijão” bem feito.

TRIBUNA – Na saúde isso fica mais evidente?

Carlos Destefano: Gastamos R$ 265 mil por dia em saúde. São R$ 97 milhões ao ano. É inadmissível termos um orçamento desses e os postos de saúde dos bairros atendendo sete consultas por dia. E é assim! Um atende sete, outro dez, outro doze consultas. Mas nós contratamos um médico para atender oito horas por dia. Na minha gestão as pessoas não vão precisar chegar às quatro horas (na madrugada) para conseguir agendar uma consulta. Chegou de manhã no posto e não foi atendido já agenda para o outro dia.

TRIBUNA – O senhor construirá, ampliará ou vai contratar novas vagas na creches para atender a demanda por essas vagas?

Carlos Destefano: É preciso construir novas unidades. Na nossa proposta a gente até tem uma sugestão de parceria com a iniciativa privada, mas é para um plano de ensino em tempo integral. Não é escola em tempo integral. É ensino. Nós queremos que o aluno estude no turno e no contra-turno vamos fazer convênio com escolas de dança, música e modalidades esportivas. Mas eu ainda acredito muito na qualidade do ensino público, principalmente pela capacidade e dedicação dos nossos professores. Uma exemplo é o trabalho que a minha vice (a professora Ana Floripes Gentilin) faz com alunos – crianças e adolescentes – com vários tipos de transtornos.

TRIBUNA – Se os professores são bons, onde está a falha do sistema de educação? Na estrutura?

Carlos Destefano: Não existe estrutura. Tanto que nosso projeto contempla a construção de um centro especializado para quem tem transtorno de espectro autista. Porque hoje nós precisamos do conhecimento da professora Ana Floripes para capacitar outros professores para fazer esse atendimento. Tem muita gente, principalmente crianças e adolescentes que são invisíveis aos olhos da sociedade. O gestor precisa se preocupar com tudo, inclusive com aquilo que não garante voto.

Outras propostas

Criar Centro de Especialidades Médicas aberto diariamente e atendendo a população em todas as suas necessidades;

Transformar Cianorte em um centro de referência em cateterismo cardíaco e cirurgias bariátricas;

Implantar uma gestão democrática com responsabilidade fiscal e transparência;

Valorizar os servidores de carreira;

Construção do mercado municipal no Parque das Nações para levar desenvolvimento para aquele bairro

Construção de complexo esportivo e área de lazer na região dos Seis Conjuntos;

Tirar o tráfego pesado de caminhões, ônibus e máquinas de centro da cidade através da construção de um contorno rodoviário;

Criação de uma usina asfáltica em Cianorte para baratear o asfaltamento de ruas;

Incentivar a instalação do curso de Medicina no campus regional da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

 

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