Câmara julga cassação de Victor Hugo Davanço nesta terça-feira
A Câmara Municipal de Cianorte realiza, nesta terça-feira, 21, às 9h, uma sessão extraordinária de julgamento para deliberar sobre a cassação do mandato do vereador Victor Hugo Davanço. A convocação oficial do plenário foi formalizada por edital expedido pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora, Rodrigo Aparecido Rezende. O julgamento político tomará como objeto a Representação nº 02/2026, protocolada por Elder Pirelli de França, que deu origem ao Processo Administrativo nº 35/2026-CMC. Os parlamentares votarão o relatório final e o parecer jurídico para definir a perda ou a manutenção do cargo eletivo do investigado.
Paralelamente ao trâmite legislativo, a 5ª Promotoria de Justiça de Cianorte, vinculada ao Ministério Público do Paraná, determinou o arquivamento da notícia de fato que solicitava o afastamento cautelar de Davanço do cargo. Na decisão, o promotor Filipe Assis Coelho argumentou que, até o momento, não foram apresentados elementos concretos que justificassem o afastamento, visto que não restou comprovada a utilização da estrutura da Câmara Municipal para a prática dos atos sob investigação, nem indícios de prejuízo à coleta de provas decorrentes da permanência do vereador na função.
De acordo com o Ministério Público, os procedimentos da Operação Big Fish correm sob segredo de Justiça e que o Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu temporariamente o andamento das investigações para a definição da competência jurisdicional do caso. O indeferimento da notícia de fato abre prazo de dez dias úteis para a apresentação de eventuais recursos por parte dos interessados.
Victor Hugo Davanço foi preso no dia 8 de abril durante a deflagração da Operação Big Fish, coordenada pela Polícia Civil do Paraná em conjunto com o Ministério Público. A apuração visa desarticular um esquema interestadual de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar ilegais. A ofensiva mobilizou mais de 330 policiais para o cumprimento de 371 ordens judiciais, entre prisões, buscas e apreensões e bloqueios de ativos, em 25 municípios de cinco estados.
Em Cianorte, a operação resultou na prisão de cerca de 30 pessoas, incluindo o parlamentar, que exercia a presidência do Poder Legislativo local à época. Conforme os relatórios policiais, a organização criminosa teria movimentado montante superior a R$ 2,1 bilhões. Os indícios colhidos apontam que Davanço exercia funções nos núcleos financeiro e administrativo da estrutura investigada. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 43 milhões em bens do grupo, incluindo imóveis, veículos e contas bancárias, além da suspensão de 21 páginas de apostas na internet.

