Primas de Cianorte foram mortas a tiros após discussão, revela Polícia Civil

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) elucidou, nesta sexta-feira, 21), um dos casos de maior repercussão no Noroeste do Estado nos últimos anos: o desaparecimento e duplo homicídio das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos. Desaparecidas desde a noite de 20 de abril em Cianorte, as jovens tiveram os corpos encontrados pela polícia enterrados em uma cova rasa, na zona rural de Paraíso do Norte.

A operação de desfecho do caso mobilizou diferentes forças de segurança e culminou na prisão temporária de um envolvido na ocultação dos cadáveres, em Umuarama, além da morte do principal suspeito do crime durante um confronto policial no município de Mandaguari.

Os detalhes das diligências e a elucidação do crime foram apresentados à imprensa na tarde desta sexta-feira durante coletiva que contou com a presença do Secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp), Coronel Hudson Leôncio Teixeira, e do delegado responsável pelas investigações, Dr. Luis Fernando Alves Silva, da Polícia Civil do Paraná.

A motivação e a dinâmica das execuções

De acordo com as apurações conduzidas pela equipe do delegado Luis Fernando Alves Silva, as duas jovens foram assassinadas ainda na madrugada do desaparecimento. A motivação do crime foi atrelada a uma discussão comercial mantida entre as vítimas e o autor principal, iniciada ainda durante uma festa em Paranavaí. Imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial na cidade vizinha registraram o trio reunido antes do crime.

A reconstituição dos fatos aponta que as vítimas foram mortas a tiros. A primeira jovem foi atingida por um disparo na região da testa ainda no interior do veículo em que transitavam. A segunda vítima tentou desembarcar do automóvel e fugir a pé , mas foi alcançada e também morta a tiros.

Após o duplo homicídio, os corpos das jovens foram levados para uma área de mata de difícil acesso em Paraíso do Norte, onde foram colocados em uma cova rasa e cobertos de forma parcial. A caminhonete utilizada pelo grupo no dia do crime foi posteriormente desovada no Paraguai como forma de ocultar vestígios do trajeto.

Prisão em Umuarama e confissão de cúmplice

O desdobramento das buscas na manhã desta sexta-feira levou a equipe da PCPR até o município de Umuarama, onde foi localizado e preso um homem identificado pelo apelido de “Magrão”.

Sob mandado de prisão temporária, o suspeito confessou, durante depoimento prestar à Polícia Civil, sua participação direta na etapa de ocultação dos cadáveres. Foi a partir de suas informações e do trabalho de campo das equipes policiais que o local exato do sepultamento clandestino em Paraíso do Norte pôde ser indicado e periciado pela Polícia Científica.

Fuga, reféns e confronto em Mandaguari

O apontado como autor principal dos disparos e articulador do crime foi identificado como Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, conhecido pelas alcunhas de “Dog Dog” e “Sagaz”. Clayton, que se apresentava às vítimas utilizando o nome falso de “Davi”, tinha prisão temporária decretada pela Justiça, apresentava extensa ficha criminal e era considerado de alta periculosidade.

A localização de Clayton ocorreu após um trabalho integrado de inteligência entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil. Durante investigações relativas a um roubo recente de veículo praticado em Mandaguari, os agentes da PRF cruzaram dados com as áreas de inteligência policial e identificaram o endereço onde o foragido estava escondido.

Ao ser localizado por equipes policiais na cidade de Mandaguari, Clayton tentou fugir abordando um imóvel vizinho e fazendo uma família refém para tentar impedir a ação das forças de segurança. Diante do risco iminente às vidas dos moradores e da reação armada do investigado, as equipes intervieram, dando início a um confronto no local. Clayton foi atingido pelos disparos e não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito na sequência