Polícia Civil do DF cumpre mandado em Cianorte contra rede de venda de dados

Um dos alvos da Operação Perseu7 foi detido no município de Cianorte na manhã de quinta-feira, 24, durante o cumprimento de ordens judiciais expedidas contra uma organização criminosa voltada ao comércio ilegal de dados pessoais. A ação foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, e mobilizou mais de 80 policiais civis na execução de 13 mandados de prisão temporária e buscas em seis estados.

A investigação policial tem como finalidade desarticular a estrutura responsável pela operação do portal clandestino conhecido como Mind-7, que comercializava o acesso a volumes maciços de informações privadas mediante cobrança de assinaturas mensais. O banco de dados ilegal continha registros consolidados de cidadãos brasileiros, abrangendo nomes, filiação, endereços, números de documentos, vínculos pessoais e movimentações em processos judiciais. As informações eram obtidas por meio do acesso indevido a fragilidades em sistemas informáticos de órgãos públicos, conselhos de classe profissional e empresas de telecomunicações.

Conforme apurado pelos investigadores da PCDF, a base de dados mantida pela organização fornecia subsídios para a prática de estelionatos e fraudes diversas em todo o País, com destaque para a modalidade do falso advogado, na qual infratores utilizavam dados reais de ações em andamento para contatar partes litigantes e solicitar pagamentos indevidos. Os relatórios financeiros da polícia indicam que o grupo movimentou mais de R$ 7 milhões entre os meses de março de 2021 e março de 2026, dos quais mais de R$ 4 milhões foram transacionados apenas durante o ano de 2025.

Além da prisão efetuada na Região do Médio Noroeste paranaense e das diligências nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Espírito Santo e Pernambuco, a Justiça determinou a indisponibilidade, bloqueio e sequestro de bens, ativos financeiros e criptomoedas dos investigados no limite de R$ 7 milhões, bem como a imediata desativação do endereço eletrônico do grupo. Os envolvidos no esquema responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.