Ação do MPPR mira policial civil e empresários em Cianorte

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio do Núcleo de Umuarama, em ação conjunta com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Paraná, deflagrou a Operação Tanque Fantasma para apurar a prática dos crimes de peculato, receptação qualificada e associação criminosa em Cianorte. A investigação mira a conduta de um policial civil lotado na 21ª Subdivisão Policial (SDP) e a participação de empresários locais dos setores de combustíveis e de comércio de autopeças.

As equipes cumpriram dez mandados de busca e apreensão, seis mandados de busca pessoal e um mandado de prisão preventiva no âmbito do município. As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo das Garantias da Vara Criminal de Cianorte como parte do conjunto de medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).

Além das buscas e da prisão, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, a indisponibilidade de dois bens imóveis e a autorização para extração e análise dos dados contidos nos dispositivos eletrônicos recolhidos durante as diligências. Em relação ao agente público investigado, a decisão judicial fixou a suspensão da posse e do porte de arma de fogo, além da obrigatoriedade do recolhimento de suas carteiras funcionais e equipamentos oficiais.

FRAUDULÊNCIA EM ABASTECIMENTOS

A primeira linha de investigação conduzida pelo Gaeco apura a simulação sistemática de abastecimentos de viaturas oficiais da instituição. De acordo com as constatações do MPPR, os suspeitos utilizavam cartões corporativos de frota do Governo do Estado para simular pagamentos por combustíveis que nunca eram efetivamente injetados nos tanques dos veículos oficiais.

O cruzamento de dados de registros de suprimento com exames periciais e auditorias revelou divergências graves entre as quilometragens rodadas e o volume faturado. As perícias identificaram indícios diretos de adulteração no hodômetro de uma das viaturas operadas pelo policial investigado, gerando um prejuízo estimado e contabilizado aos cofres públicos no valor de R$ 42.321,47.

DESVIO DE AUTOPEÇAS APREENDIDAS

A segunda frente da apuração investiga a remoção ilícita de peças, componentes e acessórios de veículos recolhidos que se encontravam sob custódia e responsabilidade legal do pátio da Polícia Civil. As diligências apontam que os materiais retirados dos automóveis apreendidos eram repassados e recebidos por proprietários e operadores de estabelecimentos comerciais do segmento de autopeças e desmanches na cidade.

Todo o material apreendido nas residências e estabelecimentos comerciais durante o cumprimento das ordens judiciais passará por auditoria e perícia técnica. Os laudos servirão para instruir o procedimento criminal, aprofundar os desdobramentos da apuração e delimitar a responsabilidade individualizada de cada um dos suspeitos envolvidos no esquema.