Frio atinge Japurá e interrompe produção de acerola no município

As duas frentes frias que atingiram o Noroeste do Paraná ao longo de maio deixaram marcas além da queda brusca nas temperaturas. O avanço dos sistemas, acompanhado por volumes de chuva acima da média e mudanças repentinas no clima, começou a produzir efeitos diretos sobre a agricultura regional. O cenário já preocupa produtores e técnicos, especialmente em municípios da região da Amenorte, onde algumas culturas apresentaram os primeiros impactos.

Entre os setores mais afetados estão a produção de hortaliças e a cultura da acerola, atividade estratégica para a economia regional. Um levantamento elaborado pelo Departamento de Economia Rural (DERAL), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), por meio do Núcleo Regional de Cianorte, mostra que as baixas temperaturas registradas no início de maio provocaram alterações importantes no comportamento de algumas lavouras.

Em determinados pontos da região, os termômetros chegaram próximos de 0°C durante as madrugadas mais frias. Antes da chegada das massas de ar frio, o cenário era oposto: dias de calor intenso dominaram a região. A alternância brusca entre temperaturas elevadas, chuvas intensas e frio acentuado criou um ambiente de maior estresse para diversas culturas agrícolas.

O relatório técnico foi elaborado com acompanhamento do economista Jackson de Andrade dos Reis, responsável pela análise da conjuntura agrícola regional. Segundo o documento, embora o frio tenha gerado preocupação imediata entre produtores, especialmente em relação ao milho safrinha, os primeiros levantamentos indicam que as maiores consequências apareceram em culturas mais sensíveis às variações térmicas.

PRODUÇÃO DE ACEROLA

A situação considerada mais sensível envolve a produção de acerola. O município de Japurá, reconhecido como maior produtor da fruta no Paraná, já sente reflexos importantes provocados pelas baixas temperaturas.

A acerola possui papel estratégico para a economia local. Além da produção agrícola, a cadeia movimenta empregos, agroindústrias, transporte e comercialização.

Segundo o relatório técnico, o frio chegou mais cedo do que o esperado neste ano e provocou queda antecipada de frutos, interrompendo o ciclo normal da produção.

Na prática, a safra entrou em pausa antes do previsto. A expectativa dos técnicos é que a colheita retorne ao ritmo habitual apenas a partir de setembro.

O impacto preocupa produtores porque a cultura representa uma das atividades de maior relevância econômica da região. Em Japurá, a acerola possui forte participação no Valor Bruto da Produção (VBP) e ocupa posição importante entre as principais fontes de renda do município.

Além do aspecto econômico, a atividade possui peso social significativo, envolvendo pequenos e médios produtores e uma extensa cadeia de trabalhadores ligados ao setor.

HORTALIÇAS

As hortaliças aparecem entre os segmentos que mais sentiram os efeitos das baixas temperaturas. Produtos como alface, almeirão, brócolis e couve-flor registraram redução temporária na produtividade em algumas propriedades da região.

O frio interfere diretamente no desenvolvimento dessas culturas, especialmente em períodos de mudanças bruscas de temperatura. Como consequência, a menor oferta tende a provocar aumento temporário dos preços para o consumidor.

Segundo os técnicos do DERAL, esse comportamento costuma ser típico durante períodos mais frios e integra a sazonalidade agrícola. A expectativa é que, após o período mais intenso do inverno, a oferta volte a se estabilizar gradativamente.

Apesar disso, produtores acompanham a situação com cautela. Dependendo da duração e intensidade de novas ondas de frio, os efeitos podem se prolongar ao longo das próximas semanas.

MILHO SAFRINHA

Desde a chegada das primeiras ondas de frio, produtores passaram a demonstrar preocupação sobre possíveis perdas, já que a cultura atravessa fase considerada importante para o desenvolvimento. Entretanto, os dados preliminares levantados pelo DERAL indicam que, até o momento, não há registros expressivos de perdas diretamente ligadas às baixas temperaturas.

Segundo a análise técnica, caso ocorram reduções futuras na produtividade, elas deverão estar mais relacionadas à estiagem enfrentada anteriormente do que aos episódios recentes de frio.

O milho safrinha ocupa papel relevante na economia regional. Dados do Valor Bruto da Produção de 2024 apontam movimentação aproximada de R$ 120 milhões, colocando a cultura entre as seis atividades agrícolas mais importantes da região.

Os números preliminares deste ano demonstram crescimento expressivo.

Entre os indicadores observados estão:

  • aumento próximo de 70% na produção total;
  • crescimento aproximado de 55% na produtividade por hectare;
  • fortalecimento do milho entre as principais fontes de renda regional.