Clima atípico eleva custos de produção da soja na região de Cianorte
As condições climáticas adversas têm desafiado os produtores rurais da região da Amenorte neste início de safra. De acordo com dados do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) de Cianorte, os levantamentos iniciais da Projeção Subjetiva de Safra (PSS) para o ciclo 2026/2027 apontam para uma área total estimada de 62 mil hectares dedicados à cultura da soja na região.
Com receio dos impactos severos previstos pelo fenômeno El Niño para este período, muitos agricultores optaram por adiantar os trabalhos nas lavouras, iniciando o plantio ainda no mês de setembro. No entanto, o volume de água surpreendeu as equipes de campo: o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR) registrou um acumulado de mais de 350 mm de chuva entre o final de setembro e o dia 15 de outubro.
Além do grande volume de precipitação pluviométrica, algumas localidades sofreram com intempéries ainda mais severas. Em municípios como Tuneiras do Oeste, houve registro de queda de granizo, danificando parte das plantas jovens em fase de germinação. Estima-se que as chuvas intensas tenham impactado diretamente uma parcela da área total que havia sido semeada em meados de setembro, exigindo atenção imediata do setor agrícola para as perdas localizadas.
REPLANTIO E CUSTOS
A dinâmica das operações rurais mudou entre os dias 15 e 20 de outubro, quando uma janela de estiagem e tempo firme predominou na região. Os produtores rurais aproveitaram as condições favoráveis e buscaram acelerar o ritmo dos trabalhos no campo para realizar o replantio necessário e avançar na semeadura do restante das propriedades.
Nas áreas onde foram registradas perdas provocadas pelo excesso de umidade e pelas tempestades de granizo, a operação de replantio já foi totalmente concluída. Essa intervenção emergencial elevou os custos de produção para os agricultores regionais, que precisaram investir novamente em sementes e insumos agrícolas para refazer o trabalho nas áreas atingidas. Apesar do impacto financeiro no bolso do produtor rural, a previsão de colheita permanece inalterada, mantendo a expectativa inicial de produtividade para a safra.
Graças a essa força-tarefa no campo, o plantio da oleaginosa já alcança 70% da área total projetada para a região da Amenorte.
Apesar do avanço significativo das máquinas e do fôlego trazido pelos últimos dias de sol, o clima nos bastidores do campo ainda é de cautela. Os agricultores se mantêm em estado de alerta permanente e com os olhos atentos às novas previsões meteorológicas, já que a ameaça de novos temporais na região continua a preocupar em relação às lavouras que mal começaram a se desenvolver.
As informações foram prestadas pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, através do chefe do Núcleo Regional, Francisco Cascardo Neto, e contam com análises coordenadas pelo economista do Departamento de Economia Rural (DERAL), Jackson de Andrade dos Reis. O órgão estadual vem monitorando de perto o comportamento do campo diante do clima atípico provocado pelo fenômeno El Niño.

