Produção agrícola na Amenorte cresce 97,2% em cinco anos
Quando se analisam as estatísticas do setor primário, frequentemente surgem dúvidas sobre como mensurar a real circulação de riqueza que sai das lavouras, granjas e pastagens. No ecossistema econômico do Paraná, o indicador mais preciso para essa medição na base produtiva é o Valor Bruto da Produção (VBP).
Diferente do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o valor adicionado ao longo de todas as etapas de transformação industrial, distribuição e serviços da economia, o VBP mensura o valor bruto gerado na origem, ou seja, diretamente da porteira para dentro. Em termos práticos, é a métrica que contabiliza o dinheiro bruto que entra na conta do produtor rural e abastece a economia local dos municípios através do consumo de insumos, máquinas, serviços e comércio de varejo.
O levantamento sistemático conduzido pelo Departamento de Economia Rural (DERAL), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), monitora a evolução de aproximadamente 158 produtos agropecuários no Paraná. Esse acompanhamento detalhado abrange desde commodities de grande escala exportadora (como soja, milho e cana-de-açúcar) até pequenas culturas hortifrutigranjeiras e floriculturas localizadas.
Na área de abrangência do Núcleo Regional da SEAB de Cianorte, que atende onze municípios da Associação dos Municípios do Médio Noroeste do Paraná (Amenorte), o balanço dos últimos dados consolidados revelou um salto expressivo: o VBP saltou de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em 2019 para R$ 4,3 bilhões em 2024, registrando um crescimento de 97,2% em cinco anos.
O avanço econômico do campo não ficou concentrado apenas nos grandes centros produtores ou em áreas com predominância de grandes latifúndios. Os dados do DERAL/SEAB atestam que o crescimento foi generalizado, beneficiando todos os onze municípios pertencentes à área de cobertura do Núcleo Regional de Cianorte.
Entre os anos de 2019 e 2024, os municípios da região registraram um avanço expressivo no Valor Bruto da Produção (VBP). O maior crescimento percentual ocorreu em São Manoel do Paraná, que saltou 161%, passando de R$ 164 milhões para R$ 429 milhões. Em seguida, Guaporema apresentou uma alta de 157%, alcançando R$ 221 milhões. Os municípios de Tapejara e Rondon também se destacaram com evoluções expressivas de 141% e 140%, respectivamente. Já Cianorte, maior economia agrícola da região, teve uma expansão de 73,9%, com seu VBP subindo de R$ 713 milhões para R$ 1,24 bilhão no período.
Esse desempenho reflete não apenas o aumento de preços no mercado internacional de alimentos, mas a modernização tecnológica do campo no Médio Noroeste paranaense, a melhoria do manejo de solo e a rotação eficiente de culturas de safra e safrinha.
Integração institucional
Para o chefe do Núcleo Regional da SEAB de Cianorte, Francisco Cascardo Neto, a expansão do VBP regional é o resultado direto da soma de esforços entre o setor público, entidades de classe e os próprios produtores rurais.
“O resultado é fruto da comunhão de esforços de diferentes instituições que atuam no desenvolvimento da agricultura paranaense, em conjunto com os municípios e as organizações representativas do setor. O sistema de agricultura do Paraná, por meio da SEAB, IDR-Paraná, ADAPAR e CEASA, atua em parceria estreita com os municípios. Temos observado que os prefeitos compreenderam a importância de investir nas equipes municipais e de fortalecer a estrutura de apoio ao produtor.”
A sinergia entre pesquisa aplicada, defesa sanitária e comercialização tem sido a chave para sustentar esse crescimento. Nesse contexto, o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná) garante assistência técnica continuada e a difusão de novas tecnologias de cultivo para o pequeno e médio produtor. Paralelamente, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) atua no rigoroso controle sanitário vegetal e animal, abrindo portas para mercados exigentes de exportação. Na etapa de distribuição, a CEASA facilita o escoamento e o abastecimento de produtos hortifrúti, enquanto os Sindicatos Rurais e Patronais auxiliam na capacitação continuada e na defesa dos interesses da classe produtora.
Cooperativismo e Agricultura Familiar
Outro pilar decisivo para o incremento do valor gerado no campo foi a organização da agricultura familiar em torno da estrutura cooperativa. A criação da Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amenorte (COOANORTE) transformou a dinâmica comercial dos pequenos produtores da região.
Antes isolados e dependentes da figura de intermediários, os agricultores familiares passaram a contar com uma estrutura própria para padronização, embalagem, armazenamento e comercialização em escala de hortifrutigranjeiros. Essa organização cooperativa permitiu o acesso direto a programas de compras públicas (como o PNAE e PPAA) e a redes varejistas regionalizadas.
Com o suporte da COOANORTE, a fruticultura emergiu como um motor de rentabilidade em minifúndios, provando que a rentabilidade por hectare pode ser multiplicada em pequenas áreas com culturas de alto valor agregado.
Cianorte
Principal polo urbano e administrativo da região, o município de Cianorte consolidou sua relevância também no campo ao ultrapassar a marca de R$ 1,24 bilhão em Valor Bruto da Produção (VBP) no ano de 2024, frente aos R$ 713 milhões registrados em 2019. O resultado coloca o município em uma posição de destaque no ranking agropecuário estadual.
Embora as commodities de grãos e a cultura da cana-de-açúcar representem fatias expressivas desse montante bilionário, Cianorte registrou uma marcante recuperação da cafeicultura de qualidade. No período analisado, o VBP do café apresentou um crescimento expressivo de 386%, alcançando um faturamento bruto de R$ 20 milhões. Atualmente, a atividade ocupa uma área cultivada de 500 hectares e atinge um volume produzido de 750 toneladas.
O cenário econômico desenhado pelos números do DERAL/SEAB demonstra que a base produtiva regional encontrou o equilíbrio entre grandes cadeias agroindustriais e o fortalecimento de pequenas propriedades rurais, criando uma blindagem contra oscilações de mercado e impulsionando a economia do Médio Noroeste paranaense.

