Santa Casa registra recorde histórico de doações de órgãos

Em três anos, número de doadores cresceu 833% graças a um trabalho voluntário de enfermeiros do hospital

Divulgação / Santa Casa Cianorte
Retirada do aparelho doado é realizada no centro cirúrgico da Santa Casa

Um trabalho voluntário desenvolvido por uma equipe de enfermeiros da Santa Casa de Cianorte fez o número de doações de órgãos aumentarem 833% no hospital, no intervalo de três anos. Em 2014, por exemplo, a instituição hospitalar havia realizado apenas três doações, enquanto em 2016, até setembro já são 28, sendo 17 múltiplos e 11 somente de córneas.

O resultado recorde só foi possível graças ao trabalho da Comissão Intra-hospitalar de Doações de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott), institucionalizado em 2015. Segundo Maria Alice Bego, umas das enfermeiras responsáveis pela implantação do Cihdott, a maioria dos órgãos doados é encaminhada para Curitiba, mas, recentemente, Cianorte chegou a atender um paciente em São Paulo (SP) que estava na fila de espera para um transplante compatível de coração.

Todo o trabalho é realizado com uma logística de transporte intensificada, isto porque, cada órgão tem um tempo limite de vida. No caso da logística usada para o transplante do coração, o Instituto do Coração da USP (Incor) enviou um jato até a cidade. No transporte do órgão, foram usados carros batedores da Polícia Militar para liberar o trânsito. Enquanto isso, o paciente aguardava já hospitalizado na capital paulista.

Isto é necessário, pois o tempo máximo que um coração consegue atingir fora do corpo é de apenas quatro horas, então precisa ser um trabalho intenso, de uma logística inteligente, explica Maria Alice.

VIDAS SALVAS – Além de coração, a Santa Casa de Cianorte também já conseguiu atender demandas de pacientes que necessitavam transplantar fígado, pulmão, rins entre outros aparelhos do organismo humano. No Brasil existe uma demanda muito grande por transplantes, e o simples fato de podermos realizar este trabalho e contribuir para salvar estas vidas é motivo para agradecimento, considera a enfermeira.

Em uma década, o Ministério da Saúde dobrou o volume de transplantes no País, mas o número de pessoas que esperam na fila ainda é alto. Em 2013, por exemplo, a demanda era superior a 33 mil pacientes. Segundo o governo, o número poderia reduzir, caso as famílias tivessem mais conhecimento sobre a importância da doação.

“O que tem salvado vidas é a solidariedade das famílias”, Gilmar Célio, presidente da fundação hospitalar

TRABALHO HUMANIZADO – Gilmar Célio, presidente da Fundação Hospitalar Santa Casa de Cianorte, explica que o recorde só pôde ser alcançado graças à participação dos familiares envolvidos no trabalho de conscientização. Todo este procedimento é voluntário, nenhuma instituição tem lucro financeiro com esta ação, e é isto que torna o trabalho ainda mais importante, considerou.

Ação funciona da seguinte forma: assim que o laudo médico indica o falecimento, as equipes do Cidhdott se reúnem com os familiares e em um trabalho assistencial, conversam sobre compatibilidade do paciente em ser doador de órgão, caso haja algum receptor. É um desejo da família. Nossas equipes não influenciam e tampouco determinam a doação. Ela de fato só ocorre se os familiares aceitam. Por isso, pode-se dizer que, o que tem salvado vidas não é o trabalho da Santa Casa, mas sim a solidariedade das famílias, afirma Célio.

PARA DOAR BASTA FALAR – A coordenadora do Cihdott da Santa Casa lembra que o único jeito de se tornar um doador de órgãos, seja múltiplo ou de córneas, é avisar a família sobre o desejo. Não existe um documento a ser assinado, nem um cadastro a ser preenchido. O que determina mesmo é a solidariedade. Expressar o desejo em vida, conclui Maria Alice.