Câmara de Cianorte recebe pedido de cassação de Vitor Hugo Davanço

A Câmara Municipal de Cianorte recebeu, na manhã de quinta-feira, 9, um pedido de cassação do vereador e presidente da Casa, Vitor Hugo Davanço. O parlamentar está preso desde quarta-feira, 8, após ser alvo da Operação Big Fish, que investiga lavagem de dinheiro e jogos ilegais. O vice-presidente, Afonso Lima, assumiu a condução dos trabalhos legislativos.

Em entrevista à TRIBUNA DE CIANORTE, Lima afirmou que o processo seguirá o rito previsto. “Vamos encaminhar para as comissões. A princípio, vai para o Conselho de Ética, que analisa a admissibilidade. Depois, o caso segue para as demais etapas”, disse. Segundo ele, o procedimento será conduzido da mesma forma que outros já analisados pela Casa.

Com a ausência do presidente, o vice informou que continuará à frente do Legislativo até nova definição. “Assumo os trabalhos e sigo na condução até que haja atualização do caso. Aguardamos manifestação da Justiça”, declarou.

A Câmara também solicitou informações oficiais sobre a prisão. O objetivo é obter cópia do processo para embasar eventuais decisões internas. “Já comunicamos a Justiça para ter ciência formal dos fatos”, afirmou.

Sobre a vaga do vereador, Lima explicou que a legislação não prevê substituição imediata. “O suplente só assume após 120 dias de afastamento. Até lá, permanecem apenas os vereadores em exercício”, disse.

A prisão de Davanço ocorreu durante a Operação Big Fish, coordenada pela Polícia Civil do Paraná e pelo Ministério Público. A ação mobilizou mais de 330 policiais e foi realizada em 25 cidades de cinco Estados.

Em Cianorte, cerca de 30 pessoas foram presas. Entre elas, o presidente da Câmara. A Justiça expediu 371 ordens, incluindo mandados de prisão, busca e bloqueio de contas. Os investigadores apontam que a organização movimentou mais de R$ 2,1 bilhões por meio de jogos ilegais.

De acordo com a polícia, Davanço atuava na estrutura operacional do grupo, com participação nas áreas financeira e administrativa. O delegado Ricardo Monteiro de Toledo afirmou que o vereador auxiliava na lavagem de dinheiro e na tentativa de dar aparência legal aos recursos.

O parlamentar foi transferido para um presídio em Guaíra. Ele não teve bens apreendidos, mas o celular foi recolhido para perícia.

Além das prisões, a operação resultou no bloqueio de mais de R$ 43 milhões em bens, incluindo veículos de luxo, imóveis e dinheiro em espécie. Também foram retirados do ar 21 sites de apostas ilegais.

A investigação identificou o uso de contas digitais para dificultar o rastreamento dos valores. Foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados e centenas de milhares de transações financeiras.

A presença de dois vereadores entre os presos, segundo a polícia, indica possível infiltração da organização em estruturas públicas. O caso segue sob apuração.