Esportes

Um pouco de Cianorte no Palmeiras

Paulo Turra, técnico responsável pelo acesso em 2016, comandou os treinos no Verdão esta semana
Paulo Turra comandou os treinamentos no Palmeiras enquanto Felipão não chega (Foto: DIVULGAÇÃO SE PALMEIRAS )

Gaúcho, nascido e criado na pequena Tuparendi (RS), Paulo César Turra, 44, é um dos nomes mais falados do momento nos noticiários esportivos de todo o país. Técnico de futebol formado pelo curso de treinadores da CBF, Turra vem tendo, há mais de um ano, a missão de ser auxiliar de um técnico multicampeão no futebol: Luiz Felipe Scolari, o novo técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras.

“Para mim é uma grande honra continuar trabalhando com o professor Luiz Felipe. É um profissional e uma pessoa espetacular. Ele é um campeão dentro e fora do campo. Estou aprendendo muito com ele e acredito que eu esteja passando algum conhecimento e ainda sendo útil para ele também. É uma honra” afirmou Turra em entrevista exclusiva a Tribuna de Cianorte.

Para a população de Cianorte, em especial o torcedor do Leão do Vale, Paulo Turra representa muito mais do que ser membro da comissão técnica de um dos maiores clubes do país. Considerado um dos principais técnicos da história do Cianorte Futebol Clube, Paulo Turra tem laços fortes e estreitos com o Leão do Vale.

A primeira passagem por Cianorte foi em 2012. No Campeonato Paranaense, a equipe ficou em segundo lugar no primeiro turno e conquistou vagas para a Série D daquele ano para a Copa do Brasil do ano seguinte. Na disputa da Série D, a equipe de Turra só caiu no jogo que valia o acesso, perdendo nos pênaltis para o Mogi Mirim.

O treinador deixou o Cianorte em 2013 e rumou para novos desafios, passando pelo Marcílio Dias (SC), Avaí (SC) e Caxias (RS), até voltar ao Leão do Vale em 2016 para fazer história. No comando da equipe, Paulo Turra foi o grande nome da campanha do título invicto da divisão de acesso do Campeonato Paranaense, devolvendo o Cianorte a elite do futebol estadual. O comandante permaneceu no clube para a disputa da primeira divisão de 2017, mas, ainda na pré-temporada, recebeu um convite de Luiz Felipe Scolari para ser auxiliar técnico do Guangzhou Evergrande (CHN), onde foi Campeão Chinês no mesmo ano.

“O Cianorte, para mim, foi uma virada, uma ‘chave’. A primeira passagem, em 2012, foi uma grande experiência. Mas, a segunda passagem, em 2016, foi uma grande escola para mim. Posso afirmar que o Cianorte para foi um mestrado de como se gerencia pessoas, de como se administra um grupo, de como se trabalha em harmonia, de como se trabalha com qualidade. Foi por isso que, aliado a qualidade do grupo e o ambiente proporcionado, conquistamos um título inédito para o clube. Tenho muito orgulho do Cianorte” diz Turra.

Como jogador (zagueiro), Paulo Turra vestiu as camisas de Caxias (RS), Botafogo (RJ), Palmeiras (SP), Boa Vista (POR), Vitória de Guimarães (POR) e Avaí (SC). Disputou os melhores campeonatos de clubes do mundo, como a Liga dos Campeões da Europa, Liga Europa da UEFA, Copa Libertadores da América e Campeonato Brasileiro. Como pessoa, atleta e agora treinador, Turra sempre teve personalidade forte e espírito de liderança.

“Eu tenho muita convicção naquilo que eu faço. Tenho muita fé. Minha vibração vem desde quando era jogador. Sempre fui líder, capitão. Consegui jogar as maiores competições do futebol. Hoje sou como pessoa e treinador o que eu fui como jogador. Hoje evolui ainda mais nesses aspectos” explica.

BRAÇO DIREITO DE FELIPÃO

Ser braço direito de Felipão é um grande desafio. Afinal, o “mestre”, como é chamado por Paulo Turra, tem um currículo recheado de títulos: Copa do Brasil 1991 (Criciúma), Campeonato Brasileiro 1996 (Grêmio) Copa Libertadores da América 1995 e 1999 (Grêmio e Palmeiras), Copa do Mundo FIFA 2002 (Seleção Brasileira), Copa do Brasil 2012 (Palmeiras), Copa das Confederações 2013 (Seleção Brasileira), Campeonato Chinês 2015, 2016 e 2017 (Guangzhou Evergrande) e Liga dos Campeões da AFC 2015 (Guangzhou Evergrande).

A confiança entre as partes é tão grande que Paulo Turra comanda treinos, ajuda nas decisões e, inclusive, tem liberdade para discordar de Felipão em algumas ocasiões. Porém, Turra admite que a última palavra é sempre do “mestre”.

“O professor (Scolari) acredita muito no meu trabalho. Nós dialogamos muito. Não é porque sou auxiliar que devo concordar com tudo que ele produz, fala ou opina. Dentro de um respeito de hierarquia, eu contesto algumas afirmações que ele possa ter. Dentro disso, a gente cresce e evolui. Sempre respeitando que a última opinião é a dele. Mesmo que não seja igual à minha, eu acato” afirma.

O Palmeiras conta com um dos elencos mais badalados do futebol brasileiro. Ao lado de Felipão, Paulo Turra terá que “domar feras” como Fernando Prass, Edu Dracena, Marcos Rocha, Felipe Melo, Bruno Henrique, Gustavo Scarpa, Lucas Lima, Guerra, Borja, Dudu e Cia. Paulo Turra garante estar preparado para isso.

“Tenho certeza que evolui muito nos últimos trabalhos, principalmente no Cianorte, nessa questão de gerir pessoas. Hoje é fundamental em todas as profissões vocês conseguir gerir seu comandado, seu filho no momento certo. Não encaro isso como eu desafio, mas sim como uma grande oportunidade de poder trabalhar num grande clube e com uma visibilidade muito boa. É dessa forma que eu encaro” conclui.

O Palmeiras, de Felipão e Paulo Turra, está com três competições em andamento: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores.