Política

Temer se entrega à Justiça após nova ordem de prisão

Ex-presidente prometeu se apresentar, mas teve que esperar juíza expedir mandado de prisão
(Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS)

O ex-presidenteMichel Temer (MDB) deixou sua casa, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, às 14h45 desta quinta-feira para se apresentar àJustiça . Ele chegou à sede da Polícia Federal em São Paulo por volta das 14h55. Lá, deve aguardar a definição sobre o local onde ficará preso. Sua defesa pediu para que a custódia seja na capital paulista.

Na noite de quarta, Temer havia prometido se entregar voluntariamente, mas estava esperando a expedição do mandado de prisão. À tarde, a Justiça deu prazo para que ele se entregasse até às 17h .

A prisão do ex-presidente era esperada desde às 7h. Profissionais de imprensa se aglomeravam em frente à residência, que teve os portões abertos agora à tarde para que dois carros saíssem a caminho da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Temer estava em um dos veículos.

Prisão em SP

Os advogados de Temer pediram à 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável por expedir o mandado de prisão, que o emedebista possa ficar preso em São Paulo, e não no Rio de Janeiro . Em março, quando foi preso pela primeira vez, o destino dele foi a sede da Polícia Federal localizada na capital fluminense. A juíza substituta Caroline Figueiredo analisa o pedido, submetido por ela ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) .

Nesta quarta-feira, a Primeira Turma do TRF-2 revogou o habeas corpus que mantinha o presidente em liberdade. Também deve voltar para a prisão o coronel João Baptista Lima, amigo de Temer . Os outros seis investigados, entre eles o ex-ministro Moreira Franco, tiveram o habeas corpus mantido.

Neste processo, Temer e outras sete pessoas são investigados por desvio de dinheiro público nas obras da Usina Angra 3, no Rio. Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal (PF) no meio da rua em 21 de março. Foi solto quatro dias depois por conseguir um habeas corpus.

Parte das investigações contra Temer foi motivada pela delação de José Antunes Sobrinho, ex-sócio da Engevix, homologada em outubro do ano passado. Ele disse ter pago, em 2014, R$ 1,1 milhão de propina a pedido de coronel Lima e do ex-ministro Moreira Franco, com anuência do ex-presidente.

Antunes também informou à força-tarefa da Lava-Jato que foi procurado por Lima em 2010. Na ocasião, segundo ele, o coronel prometeu interferir no projeto da obra de Angra 3, com o aval de Temer, em troca do pagamento de propina.

A empresa Argeplan, do coronel Lima, participou de um contrato de R$ 162 milhões com a Eletronuclear para atuar nas obras de Angra 3, em parceria com a AF Consult, empresa que teve sedes na Suíça e Finlândia. A construtora Engevix tocaria a obra como subcontratada.

Outro delator, o doleiro Lúcio Funaro, informou à Justiça que o coronel Lima atuava como operador do presidente Temer junto à empresa estatal Eletronuclear, responsável pelas obras da usina de Angra 3. Funaro garantiu que Temer participou de esquemas de pagamento de propina a políticos do MDB, antigo PMDB, e se beneficiou deles.

(O GLOBO)