Saúde

“Tacurando” investe na terapia do riso

 

“Eu vou te falar meu nome, mas você não vai acreditar. Sou Paulo Roberto João Pedro”, contou com um amplo sorriso o advogado vestido de sheik. Simultaneamente  abria a porta de uma limousine, sobre um tapete vermelho, e conduzia mais um viajante. Odalisca, a feiticeira Jeannie, uma enfermeira travestida de palhaça, um chofer e mais um sheik. Ao fundo música árabe e muita diversão. A festa, na manhã dessa sexta (1) teve como palco a Nefroclínica de Cianorte, com uma plateia que necessita da máquina de hemodiálise para continuar sobrevivendo.

“Tacurando”, é o nome da trupe de aproximadamente 12 voluntários que mensalmente reservam um espaço em suas agendas, para levar alegria a pacientes, idosos, crianças especiais, entre outros. O efeito colateral, não podia ser melhor: ganham de volta lições de vida.

Paulo Roberto conheceu a rotina de um hospital quando, há cinco anos, seu pai sofreu uma infecção generalizada. Tocado com a situação, fez o compromisso de dedicar algumas horas a pessoas internadas.

Um dia uma enfermeira ligou pedindo para que ele ajudasse a realizar o sonho de uma garota de 11 anos que estava em fase terminal. “Ela queria receber do Papai Noel uma boneca. Eu fiquei pensando como poderia ajudar e me lembrei de um amigo que tinha a roupa e o físico para essa função”, relembra. E então, dois meses antes de falecer a criança viu chegar em plena Unidade de Terapia Intensiva (UTI) o velhinho de roupa vermelha e dois palhaços. “Ela tinha passado por uma traqueostomia e mesmo assim, ela parecia querer pular da cama. Seus olhos brilhavam e ela gesticulava esticando os braços para receber o presente”, relembra com os olhos marejados. Pedro Paulo era um dos palhaços.

“É bom encontrar tudo animado por aqui”, disse José Francisco “Gordo”. “Foi uma delícia de passeio e essa é uma grande ideia”, concluiu Alcides “do Correio”, que fazem hemodiálise no local.

 

GANHA QUEM DOA

É com esse trabalho voluntário que a bailarina e professora Sarah Coelho alivia seu stress. “Quando a gente está voltada somente para o trabalho e reclamando da vida não percebemos a situação do próximo”.

Higo Cristiano de Lima, proprietário da limousines Maranata era o chofer da turma. “Aprendi a agradecer a Deus pelos problemas. A correria diária impossibilita esse toque no coração para enxergar o que está ao nosso redor. Não há recompensa melhor que um sorriso e um abraço que ganhamos aqui”.

Ana Carolina Ruthes, quando não está no seu trabalho no Fórum, dedica um tempo ao grupo. “Queria saber como era e a gente ganha muito mais do que possibilitamos para eles”.  Emerson João Pedro, a passeio na casa do primo, também vestiu o turbante e resumiu: “Não tem palavras para descrever. Os pacientes chegam com uma fisionomia e saem com outra”.

SERVIÇO: Mais informações: https://www.facebook.com/paulinho.jp.7

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