Política

“Serei candidata em qualquer cenário”, diz Cida Borghetti

Atual vice pode ser a primeira mulher a assumir efetivamente o cargo de governadora do Paraná
Empresária, formada em administração pública com especialização em políticas públicas, Cida afirma estar preparada para assumir o governo (Foto: VICE-GOVERNADORIA)

Em seis meses, o Paraná pode ter um novo governador, na verdade uma governadora. Início de Abril é o prazo estipulado pela legislação eleitoral para o governador Beto Richa (PSDB) renunciar ao cargo, caso confirme a sua candidatura ao Senado.

Se isso ocorrer, a vice-governadora Cida Borghetti (PP) será a primeira governadora efetiva da história do Paraná. Duas vezes deputada estadual e deputada federal e com uma trajetória política marcada pela saúde preventiva, combate ao câncer de mama e políticas às crianças; Cida Borghetti afirma “estar preparada” para a possibilidade de assumir definitivamente o Palácio Iguaçu.

Na entrevista a vice-governadora do Estado fala sobre essa possibilidade,  desafios, prioridades, candidatura, alianças políticas, adversários e o cenário para 2018.

- Daqui a seis meses, a senhora pode se tornar a primeira mulher a assumir efetivamente o cargo de governadora. Qual a sua expectativa?

Olha, a decisão de renunciar, ou não, para concorrer ao Senado é uma escolha pessoal do governador Beto Richa e temos que respeitá-lo. Eu estou tranquila e preparada para o possível desafio, seja daqui a seis meses ou em janeiro de 2019. Estou disposta a ampliar o meu trabalho pelo Paraná. Sou empresária, formada em administração pública com especialização em políticas públicas. Construí uma carreira defendendo a saúde preventiva das mulheres, a proteção às crianças, às famílias e o fortalecimento dos municípios. Fiz diversos cursos, entre eles o de liderança executiva em desenvolvimento da Primeira Infância da Universidade de Harvard. Sinto-me preparada.

- O que muda nos seus planos caso o governador Beto Richa decida permanecer no governo até o final do mandato?

Sou pré-candidata ao Governo do Estado em qualquer cenário político. Conto com o apoio das direções nacional e estadual da legenda para disputar as eleições em 2018, e tenho a confiança de que podemos contribuir muito mais pelo desenvolvimento e crescimento do Paraná.

- E quais seriam essas contribuições? O que se pode esperar da Cida Borghetti governadora?

Uma gestão articulada e participativa. Não irei administrar sozinha. Farei consultas a lideranças políticas, do agronegócio, do meio empresarial. Ouvirei representantes de federações, associações e sindicatos. Do setor produtivo aos trabalhadores. Todos terão voz e participação. Saúde, educação e segurança serão as prioridades.

Aliás, pertenço a um grupo político que tem como marca a eficiência na gestão, uma política de resultados. Buscarei as boas práticas de administrações municipais progressistas. Modelos de realizações, por exemplo, em Maringá, que saiu de um cenário muito difícil com um déficit de R$ 40 milhões no início dos anos 2000, equivalente hoje a mais de R$ 200 milhões, e se tornou, ano após ano, uma das melhores cidades do Brasil para se viver. As experiências em Toledo, o maior PIB agropecuário do Estado e em Londrina, a segunda maior cidade do Paraná.

- Na sua avalição, qual o maior desafio para governar?

A retomada de um ciclo de crescimento com a geração de empregos e renda. Hoje o país está saindo de uma das piores crises econômicas da história e os índices do Paraná -  graças ao ajuste fiscal feito pelo Governo e a força do nosso setor produtivo -  se destacam. Estamos gerando empregos e devemos crescer acima da média nacional. A união é essencial para vencermos os desafios. O caminho é uma gestão eficiente e preocupada, cada vez mais, com a boa aplicação do recurso público. Buscar práticas inovadoras e parcerias com a iniciativa privada. O desenvolvimento harmônico passa pela união de diferentes órgãos e entidades, da classe produtiva e dos trabalhadores.

- E as prioridades?

É consenso a importância dos investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura, como eu já citei. Áreas essenciais para o Estado que terão a minha atenção especial; entretanto minha prioridade absoluta serão as crianças. Chamar à mesa as prefeituras, governo federal, iniciativa privada e sociedade. Estabelecer um grande pacto pelas crianças com políticas e ações integradas, em especial nos primeiros anos de vida.  Envolver também as famílias. Estudos comprovam que investimentos na primeira infância melhoram índices de produtividade no trabalho, reduzem dados de criminalidade e de gravidez na adolescência, por exemplo.

Também temos que pensar em ações integradas para os jovens, temos bons programas que podem ser ampliados como o Rede Jovem e os Centros de Juventude, que reúne num só lugar diversas atividades de esportes, cultura e capacitação. Ocupar o tempo dos jovens com atividade produtivas e inovadoras para protegê-los dos perigos das ruas e distanciá-los das drogas.

- A senhora falou em infraestrutura também, pode adiantar o que pensa para melhorar a infraestrutura do Estado?

O Paraná tem as demandas históricas na infraestrutura: duplicação completa da PR-323 no Noroeste, Trem pé-vermelho, Porto de Pontal, aeroporto regional do Oeste e do Sudoeste, duplicação integral da Rodovia do Café, da BR -277 e PR-280, melhorias nas rodovias na beira do Paranapanema, duplicação até o Mato Grosso do Sul, ampliação do aeroporto de Londrina e de Ponta Grossa, a nova ferrovia até o litoral, a Ferroeste até Mato Grosso do Sul, entre outras obras. Pleitos que dependem de uma integração de esforços do Governo do Estado com o Governo Federal, bancada no Congresso e na Assembleia, iniciativa privada, setor produtivo organizado e prefeituras. É o nosso jeito de fazer política, chamar todos à mesa para buscar a melhor solução para o povo do Paraná.

- E o pedágio, qual a sua opinião?

Defendo, da maneira mais rápida possível e com amparo legal, uma redução considerável das tarifas e a execução de mais obras. O foco é a melhoria da competitividade do Estado com a redução de custos.

- O Trem Pé-Vermelho, ferrovia de passageiros entre as regiões Londrina e Maringá, é uma das suas bandeiras, porque não saiu do papel?

O Governo do Estado lançou uma proposta de manifestação de interesse para as empresas apresentarem estudos de viabilidade. O processo e os estudos estão em andamento, porém a recessão econômica que atingiu o país nos últimos anos criou algumas dificuldades para levarmos adiante projetos como esse. Tenho a confiança de que com a melhoria do ambiente econômico conseguiremos investidores para iniciar a construção desse grande eixo de desenvolvimento que vai ligar as regiões metropolitanas de Londrina e Maringá.

- E qual o caminho para gerar empregos, sobretudo no interior?

Justiça tributária, apoio incondicional aos micro e pequenos empresários, estímulo ao Agronegócio e a atualização constante do programa Paraná Competitivo. O PR Competitivo é um dos programas mais eficientes do mundo para atrair investimentos e gerar empregos. Foram mais de R$ 45 bilhões em novos empreendimentos nos últimos anos, gerando milhares de postos de trabalho em todas as regiões. Lembro que o programa foi criado na primeira gestão do governo Beto Richa, na secretaria da Indústria e Comércio comandada por Ricardo Barros. Mais uma marca do nosso modelo de fazer política.

- Aliás, qual será o papel do ministro Ricardo Barros na sua gestão?

O ministro Ricardo Barros já anunciou que irá concorrer ao cargo de deputado federal. Contamos com a sua experiência e o seu conhecimento, em especial, em gestão e orçamento público para atrair recursos federais para o Paraná . A gestão de Ricardo Barros a frente do Ministério resultou, até agora, em uma economia de R$ 4 bilhões, esse dinheiro está sendo revertido em mais saúde. Com isso os municípios receberam mais repasses anuais para custeio de serviços, foram abertas novas UPA´s e leitos, a Rede Cegonha foi habilitada e dezenas de ambulâncias foram entregues.

- Falando do ministro, como estão as negociações e alianças para o ano que vem?

São conversas que ocorrem frequentemente. Temos recebido muitas confirmações e mensagens de apoios. Trabalhamos para ampliar a coligação vencedora das eleições de 2010 e 2014.

- Pode adiantar quais seriam essas confirmações?

São compromissos de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças de todas as regiões. Apoios de prefeitos como o Rafael Greca em Curitiba, Lúcio de Marchi de Toledo, Marcelo Belinati em Londrina. Um arco de alianças que tenho a certeza que irá crescer e se consolidar nos próximos meses. Nosso grupo tem um histórico de honrar os compromissos assumidos, por isso creio que teremos facilidade em consolidar o apoio de lideranças em todas as regiões.

- Porém, nas pesquisas divulgadas até agora, a senhora aparece com certa distância dos outros concorrentes, cito Osmar Dias (PDT) e Ratinho Jr. (PSD). Isso não a preocupa?

Não. É até natural que eles sejam mais lembrados neste momento, ambos já disputaram eleições majoritárias e possuem esse recall. As pesquisas mostram também que há ainda um grande desconhecimento do meu nome como candidata. Há vários exemplos de candidatos que nem mesmo apareciam nas sondagens prévias e acabaram vitoriosos. O João Dória (PSDB), em São Paulo, é um caso recente. Em 2010, o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) aparecia com 4 % e cerca de dois meses depois de assumir o governo com a renúncia do Requião chegou a 15 %.

- Mas o Orlando Pessuti não conseguiu nem ser candidato.

Situação diferente, o Pessuti não contava com o apoio do seu partido na época. Eu tenho o compromisso das direções nacional e estadual da minha legenda.

- A senhora conta com o apoio do governador Beto Richa ?

Sim, como disse anteriormente queremos manter e ampliar a coligação vencedora das eleições de 2010 e 2014. O governador Beto Richa é um grande nome, a maior liderança do PSDB no Estado e se assim quiser terá uma posição de destaque na nossa chapa em uma das vagas para o Senado.

- Como é a sua relação com o ex-senador Osmar Dias e com o deputado Ratinho Jr?

A relação é muito boa. Inclusive já disputamos eleições do mesmo lado. Nosso grupo não possui inimigos na política, temos concorrentes durante o período eleitoral. Após a eleição nossa obrigação é trabalhar e honrar os votos recebidos pelo bem dos paranaenses. Os dois são bons nomes que tem todo o direito de apresentar os seus projetos para o Paraná. Confio, sempre, num debate saudável e na troca construtiva de ideias; quem ganha é o Paraná.

- Os dois já estão no trecho fazendo reuniões e participando de eventos. A senhora parece que faz uma pré-campanha mais tímida.

Tudo no seu tempo. Mantemos as conversas semanais com diversas lideranças e sempre que é possível conciliar as agendas participo de feiras e eventos. Recentemente percorri uma parte do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Uma experiência única que serviu de preparação física e espiritual para os desafios que virão no ano que vem. Pretendo fazer uma campanha pé no chão, gastando muita sola de sapato.

- Circula no Centro Cívico de Curitiba uma versão de que a senhora poderia abrir mão da candidatura em troca de uma vaga no Tribunal de Contas. Isso procede?

Não existe essa negociação. A chance de isso ocorrer é zero.  Como eu disse, sou candidata em qualquer cenário no ano que vem.

- Sua avaliação das manifestações na frente do casamento da sua filha, Maria Victoria.

Olha, organizamos uma cerimônia religiosa e familiar no Centro Histórico de Curitiba, como era desejo e sonho dos noivos. Não era um ato político. As cerimônias transcorreram dentro da normalidade na histórica Igreja do Rosário e na Sociedade Garibaldi, clube dos italianos, onde somos sócios contribuintes há muito tempo. As manifestações que ocorreram na parte externa foram convocadas e estimuladas por grupos políticos, partidos, sindicatos e movimentos de esquerda. Manifestações de cunho político. Lamentamos as agressões aos amigos e aos familiares.

- O nome da senhora foi citado na Operação Quadro Negro. Acha que pode influenciar na eleição?

Não tenho nada a ver com a Operação Quadro Negro e a investigação vai provar isso. Assumi em 2015, meses depois dos atos que estão sendo investigados. Inclusive já solicitamos a separação dos inquéritos.