Saúde

Sem médico especializado, mãe usa secador de cabelo para aliviar dores de criança

 

Dois dramas familiares, em Cianorte, comovem internautas nas últimas horas. São as histórias entrelaçadas da avó, com dores intensas no ombro direito, e da neta de cinco anos, que há um mês sofre com dores na região do abdomen. Sem acesso a médicos especializados e exames, ambas retratam o descaso com a saúde pública.

A história começou quando uma conhecida ativista pelos direitos dos animais em Cianorte, a escrivã da Polícia Civil Simone Ziliane pediu ajuda na internet, na tarde de segunda (08), para a doméstica Isabel Moura.  Desde o dia 26 de agosto ela tem um pedido de exame de eletroneuromiografia do membro superior bilateral, realizado somente em Maringá. Diante da agonia de Isabel, que teria que esperar o exame via Sistema Único de Saúde (SUS) até o dia 27 de novembro, Simone começou a arrecadar R$400,00 para custear o exame a ser realizado nessa quarta (09), em Maringá. “O Instituto Mafra doou R$ 100,00. Preciso conseguir mais R$ 300,00 pois no dia 09 ela sai daqui para Maringá às 5h e precisará estar com o dinheiro na mão pois em Maringá não pegam cheque. Quem pode me ajudar? Aceito qualquer quantia” postou em seu perfil no Facebook.

Porém, na manhã dessa terça (08) a reportagem da Tribuna de Cianorte foi contatada. A família decidiu expor para a sociedade outro drama familiar.

Em um dos quartos da casa alugada, de madeira, simples e extremamente limpa, a garotinha despertou chorando.  A mãe ligou o secador para aquecer sua barriga, para aliviar as dores. Os remédios não faziam mais efeito. 

“Ela está com muitas dores no pé da barriga há quase um mês. Corremos para o Pronto Atendimento (P.A), de lá foi para o hospital. Ficou internada uma semana, e foram feitos vários exames. Ela ficou no soro com medicamento, mas com muita dor, febre”, contou a mãe. Segundo a mesma, a criança gritava o tempo todo.

Após uma semana, mesmo com dores a criança foi liberada. Tomou medicamentos por 15 dias. “Não foi para a escola nem para a creche. Acredito que o problema dela só acalmou e não curou”, raciocina a mãe.

Na última sexta (04) a menina precisou voltar mais cedo da escola e teve início mais uma jornada em busca de socorro, transitando entre o posto da região da Vila Operária e P.A. De volta ao hospital, foi medica com soro e liberada. Na segunda (07) só depois de a mãe chorar diante do balcão, uma médica ficou comovida e atendeu sua filha. “A médica pediu com urgência um exame de gastroenterologia. Mas só no dia 24 que posso agendar com esse médico e se for preciso, ele encaminhar para Maringá. Como vamos esperar até lá?”, questionou a mãe. Na madrugada de ontem (08) os pais correram novamente até o P.A.

“Ela foi atendida e passaram remédios. Depois outro médico que trocou o plantão queria passar outros. Uma enfermeira que não permitiu que fosse dado mais medicamento e encaminhou minha filha para o hospital. Tomou soro e às 4h foi liberada. Eu tenho até medo dos medicamentos dados”.

Após a repercussão do caso nas redes sociais o Ministério Público foi acionado. Por ordens da promotora da Vara da Infância e Adolescência Elaine Lima, integrantes do Conselho Tutelar foram até a residência da criança e a levaram para a Santa Casa de Cianorte.

“Fizeram ultrassom e tomografia e ela está no soro. Estamos aguardando, ainda não tem um resultado. Estamos esperando a médica passar por aqui”, informou a avó pouco antes dessa postagem, às 18h37.

SERVIÇO: Doações, contatar https://www.facebook.com/simone.ziliane