Saúde

Santa Casa leva campanha de doação de órgãos às escolas

Hospital recebeu reconhecimento do Sistema Estadual de Transplantes por captações de órgãos e tecidos
Maria Alice Fernandes Bego, enfermeira coordenadora da UTI da Santa Casa, fala aos adolescentes (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

O Dia Nacional da Doação de Órgãos é comemorado nesta quinta-feira (27) em todo o Brasil com ações que buscam conscientizar a população a informar os familiares sobre o desejo de uma possível doação. Em Cianorte, a equipe multidisciplinar especializada da Fundação Hospitalar Santa Casa está percorrendo as escolas com palestras sobre o tema voltadas a adolescentes. O objetivo é que eles levem as informações para casa e conversem sobre o assunto com os familiares.

Nos encontros, os profissionais explicam o trabalho desenvolvido no hospital e os procedimentos necessários para a doação, desde o protocolo de morte encefálica até a autorização da família. Além disso, mostram a quantidade de pessoas que esperam por um órgão e a corrida contra o tempo que enfrentam. Os alunos também têm a oportunidade de tirar dúvidas sobre o tema e dividir experiências.

O trabalho já foi realizado com cerca de 500 alunos do Colégio Estadual Cianorte e do Colégio Drummond. Nesta manhã, a equipe está palestrando no Colégio Estadual Igléa Grollmann. Depois de três anos organizando a “Corrida pela Vida” no mês de conscientização sobre a doação de órgãos, a equipe decidiu mudar o foco da campanha. Angélica Poncetti, enfermeira da qualidade, explica que “este ano a ideia é atingir os adolescentes, que geralmente não têm contato com o tema, e instiga-los a levar a discussão para dentro de casa para diminuir o receio das famílias”.

O estado do Paraná vem se destacando no Registro Brasileiro de Transplantes. No primeiro semestre, foi o estado que mais registrou doações de órgãos, 50 a cada milhão de habitantes. A média nacional é de 17 doações. No período, houve 602 notificações de potenciais doadores e 284 doações efetivas. O resultado foi descrito como “espetacular” pela publicação oficial da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), divulgada em agosto.

A fundação hospitalar de Cianorte é destaque no cenário estadual e nacional e foi reconhecida entre as unidades mais ativas e capacitadas. Desde 2013, trabalha com um grupo de profissionais especializados que atuam com abordagem familiar e captação de córneas. De janeiro a agosto deste ano, a Santa Casa teve quatro possíveis doadores e apenas uma recusa familiar para múltiplos órgãos, o que resulta em uma taxa de conversão de 75%, acompanhando a média regional. No mesmo período, a unidade teve 26 doadores de córneas.

Nos primeiros oito meses de 2018, o Paraná teve 382 doadores falecidos e 654 transplantes realizados, sendo 418 de rim e 212 de fígado. Além disso, foram 568 doações de córneas. Os dados são do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná.

MUITAS VIDAS

Um doador falecido pode doar coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córneas, vasos, pele, ossos e tendões. Portanto, uma única pessoa pode salvar inúmeras vidas. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia. Para doação de múltiplos órgãos, é necessária que seja comprovada morte encefálica, ou seja, a ausência completa de fluxo sanguíneo no cérebro. Mesmo que os órgãos do paciente continuem em atividade ele não está mais vivo. Coração e pulmões podem ser retirados de pacientes com até 45 anos e os demais órgãos até 70 anos. Quando o paciente tem uma parada cardiorrespiratória pode se tornar doador de tecidos, que são córneas, válvulas, ossos e pele.

No Brasil, as doações de órgãos precisam ser autorizadas pela família do doador, mesmo que ele tenha registrado essa vontade em vida. Todas as famílias dos doadores em potencial passam por uma conversa com as equipes de saúde que buscam esclarecer dúvidas e orientar sobre a possibilidade da doação.

No levantamento do primeiro semestre de 2018, o Paraná apresentou o menor índice de recusas de famílias. Apenas 25% das entrevistas tiveram respostas negativas. No país, a média de recusa após entrevista é de 43%.

No estado, o Sistema Estadual de Transplantes conta aeronaves e veículos que garantem agilidade no transporte de órgãos e profissionais. Como os centros transplantadores se concentram em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba, as equipes médicas precisam se deslocar para os hospitais do interior, fazer a cirurgia de captação e retornar a tempo para o transplante.

Para a coordenadora do Sistema, Arlene Badoch, a possibilidade de deslocamentos rápidos é fundamental para viabilizar os transplantes. “Qualquer obstáculo pode fazer com que o transplante não se concretize. Por isso poder contar com uma logística eficiente é fundamental”, explica. (Com informações Agência Estadual)