Cidades

Presidente do SR diz que sem pulverização aérea é impossível cultivar cana-de-açúcar

Projeto de lei que proíbe uso de avião na aplicação de agrotóxicos já gera polêmica em Cianorte
Domingos Vela fala em “bom senso” para se chegar a um acordo (Foto: Sindicato Rural de Cianorte )

Aprovado por unanimidade em segunda votação na Câmara de Vereadores de Cianorte na segunda-feira, 14, o projeto de lei 152/15, que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos nas plantações do município, já gera polêmicas e divide opiniões. Procurado pela reportagem da TRIBUNA DE CIANORTE, o presidente do Sindicato Rural de Cianorte, Domingos Vela, foi taxativo ao afirmar que é impossível cultivar a cana-de-açúcar sem a utilização do método.

O projeto, de autoria do vereador Sérgio Mendes (PSB), prevê que o infrator que descumprir a lei será multado no valor R$ 30 mil. Em caso de reincidência o valor da multa dobra. Além disso, a aplicação da multa não exime o responsável de outras penalidades na esfera penal, civil e administrativa. Para Vela, a solução mais sensata seria a regulamentação da medida. Agora, o prefeito em exercício Beto Nabhan tem o prazo de 15 dias para sancionar a lei.

“Sem pulverização aérea é impossível cultivar cana-de-açúcar. Esse projeto  protege um setor e prejudica outro. Na minha opinião, teria que regulamentar o assunto em questão e, não sendo obedecido, ter a punição. Deve ter o bom senso para chegar num acordo que não prejudique o município e nenhuma das cadeias produtivas”, afirmou Domingos Vela.

De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) com sede em Cianorte, o município tem uma área de 18.5 mil hectares ocupados com cana-de-açúcar. A produção anual estimada é de 1.3 milhão de toneladas, gerando R$ 60.4 milhões de movimentação financeira primária, ou seja, sem contar o produto transformado. 

Caso a lei seja realmente sancionada, segundo Vela, o prejuízo poderá ser enorme, visto que a cana-de-açúcar é considerada uma das culturas tradicionais mais importantes do município.

“Vamos falar com o prefeito em exercício e saber sua opinião. Apresentaremos valores que deixarão de ser arrecadados com ICMS, pois a cana é a segunda receita do município. Além do volume de recursos que circula no município dando maior estabilidade no comércio, gerando empregos e renda. Caso contrário provocará desemprego em massa nas usinas e no próprio comércio”, explicou Vela.

A reportagem questionou o sindicato sobre os valores arrecadados com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no município através da cultura, porém, até o fechamento desta edição, o levantamento ainda não havia sido concluído.

Uma reunião entre representantes do Sindicato Nacional de Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e o prefeito em exercício Beto Nabhan foi agendada e acontece na segunda-feira, 21.