Cidades

Preço do leite sobe 25% na região

Alta foi influenciada pela greve dos caminhoneiros e pela estiagem, que elevaram os custos de produção
Com a alta, consumidores estão levando apenas a quantidade essencial (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

No último mês, os consumidores cianortenses viram o litro do leite subir 70 centavos em alguns supermercados. A alta foi de 25% entre os meses de maio e julho, segundo o Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), com sede em Cianorte. O preço médio da caixa passou de R$ 2,59 para R$ 3,29.

O chefe da unidade, Francisco Cascardo, explica que o aumento está relacionado a diversos fatores que ocorreram simultaneamente nesta safra. “Aqui na região poucos produtores se preparam para o inverno com suplementação alimentar e a estiagem prejudicou muito a qualidade dos pastos e diminuiu a produção. Com a queda da oferta, o preço aumentou.”

Além disso, o custo da ração disparou, com os preços do milho e da soja, segundo Cascardo. “Outro fator determinante para este aumento foi a greve dos caminheiros. Não temos um levantamento de quanto leite foi jogado fora durante os dias de paralisação, mas sabemos que foi muito. Toda essa conjuntura fez com que a alta dos preços, que é já comum no inverno, fosse ainda mais acentuada”, afirma.

O valor médio pago ao produtor no Paraná foi de R$ 1,28 o litro, em junho, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab. Em janeiro, o valor era de R$ 1,05. Ou seja, no campo, o produtor estaria recebendo 21,90% a mais pelo produto. Mesmo assim, Cascardo explica que a alta não significa lucro para os produtores, pois as perdas foram expressivas e os custos de produção estão elevados.

A má notícia é que o preço do leite não deve cair tão cedo. Conforme explica Cascardo, mesmo que as condições climáticas voltem a favorecer a produção, os produtores vão precisar manter os valores para correr atrás dos prejuízos.

PREÇO MENOS SALGADO

Na comparação com o preço do leite vendido na capital do estado, por exemplo, a região teve uma alta menos acentuada. Em Curitiba, o reajuste passa de 30% e a caixa mais barata é vendida acima de R$ 3,50, de acordo com os dados do Serviço Disque Economia da Secretaria Municipal de Abastecimento. A vantagem é que 90% do leite vendido nos supermercados locais vem de produtores da região, o que acaba barateando o produto.

Segundo o chefe do Núcleo Regional das Seab, a atividade é uma das principais do Noroeste e garante a sobrevivência dos pequenos produtores, principalmente com o programa Leite das Crianças, do Governo Estadual. (Com informações Bem Paraná)