Cidades

Placas com padrão Mercosul começam a valer em dezembro, mas falta informação

Fabricantes se queixam que não conseguem informações concretas sobre os custos da mudança
["Fabricantes ainda est\u00e3o inseguros quanto \u00e0s regras de produ\u00e7\u00e3o das placas do modelo Mercosul ","",""] (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA )

Depois de suspender o projeto de padronização das placas do Mercosul no Brasil, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) adiou o início da implantação pela terceira vez. Em maio, uma nova resolução foi publicada com ajustes para a fabricação das placas de veículos do novo modelo no país, o que atrasou a mudança de 1º de setembro para 1º de dezembro de 2018.

O novo padrão foi anunciado em 2014 e deveria ter entrado em vigor em janeiro de 2016, mas foi adiado para 2017 e depois por tempo indeterminado. As placas do Mercosul já são usadas na Argentina e no Uruguai.

Com a resolução, a obrigatoriedade da troca ficará restrita a veículos 0 km ou transferidos. A troca será opcional para veículos já emplacados; o Contran permitirá a substituição se os proprietários mantiverem os números originais no cadastro. A previsão é de que toda a frota nacional esteja emplacada com o novo modelo até o fim de 2023.

Ontem (2), o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) publicou no Diário Oficial da União as primeiras oito portarias de credenciamento de fabricantes e estampadores de placas de identificação veicular. Segundo o órgão, mais de 100 empresas de todo o Brasil já deram entrada nos processos de credenciamento.

A fabricante de Cianorte, Jéssica Luna Quintino, é uma delas. Ela acompanha as decisões da mudança junto ao Denatran e afirma que ainda há muita insegurança por parte do setor. “Muitas questões ainda estão indefinidas, como a implantação do chip e os brasões dos municípios. A resolução determina que a placa atual saia de mercado em dezembro, mas ainda não sabemos exatamente quanto vai nos custar fabricar o novo modelo e quanto iremos cobrar por ele.”

Segundo ela, o Denatran afirma que as novas placas serão comercializadas pela metade do preço de tabela atual, que é de R$ 140 o par, mas a estimativa é de que os custos para a troca de equipamentos passem de R$ 50 mil. “Para fabricar o novo modelo, vamos precisar de novas máquinas e novas ferramentas. Os fabricantes estão sem saber o que fazer, se arriscam o investimento na troca confiando que a mudança comece mesmo em dezembro ou se esperam por um novo adiamento”, disse.

De acordo com o Denatran, os preços das placas serão definidos pelos fabricantes credenciados, que serão responsáveis pela produção, logística, gerenciamento informatizado, distribuição e estampagem das placas veiculares.

MUDANÇAS

As novas placas serão revestidas com película retrorrefletiva e terão fundo branco com margem superior azul, bandeira do Brasil e outra configuração de letras e números. Além disso, contarão com um chip e um código do tipo QR Code para facilitar a identificação dos veículos roubados ou clonados nos países do Mercosul.

Segundo o Denatran, também será possível o compartilhamento de dados com sistemas de cancelas e portões, que poderão ser utilizados em pedágios e estacionamentos.

Com as novas tecnologias empregadas para evitar falsificações, o Denatran informou que as novas placas não utilizarão mais o lacre. Em muitos casos, o objeto se rompia e devia ser reposto para o motorista não ser multado. No Paraná, por exemplo, o lacre custa R$ 23,22.

O nome do país estará na parte superior da patente, sobre uma barra azul. Nomes da cidade e do estado estarão na lateral direita, acompanhados dos respectivos brasões.

O modelo terá ainda uma tira holográfica do lado esquerdo e um código bidimensional que conterá a identificação do fabricante, a data de fabricação e o número serial da placa para evitar falsificação. (Com informações de Agência Brasil e Tribuna do Paraná)