Cidades

Pesquisa encontra 27 agrotóxicos na água consumida em 10 cidades da região

Em Cianorte, pesquisa detectou 11 pesticidas que são associados a doenças crônicas como câncer
["Das 10 cidades com registros de agort\u00f3xicos, sete s\u00e3o abastecidas pela Sanepar."] (Foto: ARQUIVO)

Pesquisa feita pela Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) do Ministério da Saúde aponta que em dez das onze cidades que compõem a região foram encontradas uma mistura de diferentes agrotóxicos extremamente nociva à saúde humana.

A investigação foi feita entre 2014 e 2017 e foi divulgada na última semana. Os dados apontam que em 326 das 399 cidades do estado foi detectada a presença de 27 pesticidas nas águas. Agrotóxicos que as empresas de abastecimento são obrigadas a testar.

A análise foi feita em conjunto pela Repórter Brasil, Agência Pública e Public Eye, que tiveram como base os dados disponibilizados no portal da Sisagua. Os paranaenses aparecem no levantamento como os segundos que mais beberam esse coquetel nos últimos anos, atrás apenas de São Paulo.

Em sete cidades da região de Cianorte, foram encontradas todos os tipos de pesticidas. Em Cianorte a pesquisa detectou 11 pesticidas que são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios e 16 outros. Guaporema, Indianópolis, Rondon, São Tomé, Tuneiras do Oeste , São Manoel do Paraná , Japurá, Tapejara e Terra Boa estão na lista dos municípios da região onde foi encontradas a mesma quantidade de agrotóxicos.

De acordo com a pesquisa, entre os agrotóxicos encontrados em mais de 80% dos testes, há seis apontados pela União Europeia como causadores de disfunções endócrinas, o que gera diversos problemas à saúde, como a puberdade precoce. Do total de 27 pesticidas na água dos paranaenses, 21 estão proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente.

Os números também revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017.

Das 10 cidades com registros de água contaminada, sete representam 36,2 mil ligações de água feitas pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Em nota, a empresa afirmou que garante a qualidade da água que distribui à população do Paraná em 345 municípios e de Porto União (SC). A Companhia segue rigorosamente a legislação brasileira que determina os parâmetros da potabilidade da água para abastecimento público.

A empresa também informou que os quatro laboratórios da Sanepar realizam semestralmente análises de agrotóxicos de todas as localidades atendidas pela empresa, conforme determina a legislação do Ministério da Saúde. São investigados 27 tipos de agrotóxicos e, em todos os testes, os resultados ficam abaixo dos limites permitidos, ou seja, não foi detectada a presença de agrotóxicos na água distribuída para a população.

A Sanepar, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), e a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) estão pedindo esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre os valores disponibilizados com relação à presença de agrotóxicos na água usada para consumo humano.

MINISTÉRIO DA SAÚDE

A reportagem da TRIBUNA DE CIANORTE questionou Ministério da Saúde sobre os agrotóxicos encontrados nas águas. O órgão informou em nota que está fazendo um levantamento de dados da presença de agrotóxico na água fornecida pelos serviços de abastecimento de água em todo o país. O Ministério ressalta que não existem dados consolidados, não sendo possível, no momento, fazer avaliação sobre a situação da qualidade da água.

O Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) é um instrumento que tem como objetivo auxiliar o gerenciamento de riscos à saúde associados à qualidade da água destinada ao consumo humano. O sistema armazena os dados inseridos rotineiramente pelos profissionais do setor saúde dos estados, municípios e pelos responsáveis pelos serviços de abastecimento de água em todo o país.

A exposição aos agrotóxicos é um problema de saúde pública e cada situação deve ser analisada individualmente à luz do histórico de dados e dos valores de referência da legislação. Quando encontrados valores acima do padrão a vigilância responsável deve notificar os prestadores de serviços de abastecimento de água para que se articulem com demais setores (em especial órgãos ambientais, de agricultura e de recursos hídricos) para estabelecimento de medidas de mitigação na bacia, que devem ser definidas com base no histórico de dados e nas características da bacia de contribuição do manancial.