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Paraná alcançou número recorde de doadores efetivos no primeiro semestre

Número já é 39% maior que no mesmo período do ano passado. No entanto, taxa de recusa familiar ainda é de 43%
Os procedimentos de captação e transplante são realizado pela mesma equipe médica (Foto: DIVULGAÇÃO SANTA CASA DE CIANORTE )

Paraná registrou o maior número de doadores de órgãos da história do estado, em um primeiro semestre. Apenas este ano, entre janeiro e junho, 203 famílias perderam parentes próximos e autorizaram a doação, 39% que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 146 famílias disseram sim. Contudo, o Ministério da Saúde continua alertando para o alto índice de recusas: 43% das famílias de todo o Brasil ainda dizem não e muitas vidas deixam de ser salvas. A campanha do governo federal, “Família, quem você ama pode salvar vidas”, lançada na última quarta-feira (27), Dia Nacional do Doador de Órgãos, busca sensibilizar a população para a importância da doação de órgãos e de avisar a todos sobre o seu sim, que é fundamental para que o procedimento ocorra.

“A área de transplantes é muito sensível e estamos comemorando recordes, tanto em número de transplantes quanto em número de doadores. A campanha visa sensibilizar que cada vez mais famílias autorizem a doação de órgãos de seus entes queridos que faleceram, dando uma nova oportunidade de viver para outras pessoas”, ressaltou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Com o aumento no número de doadores, foram realizados 1.010 transplantes no primeiro semestre deste ano no Paraná, um novo recorde. Ano passado, entre janeiro e junho, foram feitos 991 procedimentos. Se o ritmo for mantido até o fim do ano, o estado deve realizar 2.020 transplantes.

No cenário nacional, o Brasil bateu um novo recorde, foram realizados 12.086 transplantes no primeiro semestre deste ano. Se o ritmo continuar, até o fim do ano, o Brasil deve registrar um crescimento de 27% nos transplantes entre 2010 e 2017, ultrapassando 26,7 mil cirurgias - o que seria o maior número anual. Em relação a doadores, o índice de crescimento pode chegar na casa dos 75,3% em relação a 2010.

Entre os transplantes que mais comuns destacam-se os de córnea, rim, fígado, coração e pulmão. Os transplantes de fígado tiveram aumento de 12,3% neste ano em comparação ao primeiro semestre do ano passado, com total de 2.928 cirurgias. Rim registrou aumento 9,7%, chegando a marca de 2.928 cirurgias; seguido de córnea, 7.865 cirurgias, aumento de 7,2%. Coração, um dos mais complexos e que exige muita rapidez em todo o processo, também registrou crescimento: de 4,2%, chegando a 172 cirurgias.

SERVIÇO 

A doação de órgãos ou tecidos pode advir de doadores vivos ou falecidos. Doador vivo é qualquer pessoa saudável que concorde com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde. O doador vivo pode se dispor a doar um dos rins, parte do fígado ou do pulmão e medula óssea. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Fora desse critério, somente com autorização judicial. Já o doador falecido é a pessoa em morte encefálica cuja família pode autorizar a doação de órgãos e/ou tecidos, assim como a pessoa que tenha falecido por parada cardíaca que, nesse caso, poderá doar tecidos.

Quais órgãos podem ser doados?

Doador falecido: Coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. Portanto, um único doador pode salvar inúmeras vidas. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia.

Doador vivo: Um dos rins, parte do fígado ou do pulmão e medula óssea.