Cotidiano

O empoderamento feminino como ferramenta de (re)existência social

A data simboliza a luta diária contra a desigualdade de gênero e a defesa permanente dos direitos
["Margot Jung, militante da Marcha Mundial das Mulheres, fala sobre a necessidade do empoderamento feminino "] (Foto: Arquivo pessoal)

O termo “empoderamento feminino” é recente e, apesar de muito se ouvir falar, ainda é um belo tabu no dia a dia. Não é uma causa individual, mas uma rede de fortalecimento de mulheres para desenvolver a igualdade de gêneros em todos os ambientes onde a mulher é minoria. Nada melhor do que trazer esse assunto na primeira reportagem de uma série desenvolvida pela Tribuna de Cianorte sobre o Dia Internacional da Mulher.

O dia 8 de março se tornou um marco de luta quando mais de 100 operárias morreram em um incêndio no Triangle Shirtwaist, em 1911, Nova York. De lá para cá, inúmeras conquistas foram alcançadas em cima de muita luta. Na política, a mulher brasileira ganhou direito de voto opcional em 1932, que passou a ser obrigatório em 1946. As mulheres são a maioria do eleitorado e grande minoria em cargos políticos. Na verdade, são 30% dos candidatos porque os partidos são obrigados a colocar mulheres na disputa.

Outro momento histórico da luta realizada pelas mulheres foi a famosa Queima dos Sutiãs de 1968. Durante o Miss América, centenas de mulheres jogaram sutiãs, produtos de beleza, sapatos e revistas femininas no chão e protestaram sobre os padrões de beleza da época. Foi um passo importante.

De acordo com a militante da Marcha Mundial das Mulheres, Margot Jung, ainda se vive um padrão de beleza como o da Gisele Bundchen, mas é fundamental ter consciência do próprio corpo e do papel na sociedade. “Somos guerreiras e temos o poder das nossas próprias decisões. A luta de libertação do patriarcado é justamente pensar que o lugar da mulher é onde ela quiser. A beleza vem desse poder”, afirma.

Segundo Margot, estar em contato com outras mulheres e pensar o que de fato é ser mulher são um grande passo para o empoderamento. “Não podemos continuar dentro dos padrões heteronormativos em que a mulher é objetificada pelos homens. É preciso acordar de manhã tendo a certeza do quão bonita e poderosa você é, e acreditando que tem mais um dia para vencer. Isso tem que ser praticamente um mantra para que se torne natural pensar que nós fazemos o melhor por nós mesmas”.

 

RESISTÊNCIA

Para Margot, ainda é preciso resistir muito. “Estamos diante de alguns retrocessos nos direitos das mulheres. Decisões que ignoram como a mulher tem jornada dupla ou tripla de trabalho e ainda ganha menos do que os homens. Isso é comprovado, não estou tirando da cartola”, reforça.

Segundo Margot, a luta tem que ser diária e o poder de cada uma deve vir de dentro. “O empoderamento nada mais é do que a mulher agir e se enxergar como parte importante, independente e igualitária da sociedade, sendo valorizada e tendo seus direitos assegurados”. Ela reforça que não se trata de colocar as mulheres acima dos homens. “Precisamos garantir as mesmas oportunidades e responsabilidades, porque isso independe de gênero, é dever de ambos”, esclarece.

Para Margot, o âmbito familiar também é importante para o desenvolvimento do empoderamento. “Muitas mulheres sofrem violências sistemáticas dentro de casa, tanto físicas quanto psicológicas. É necessário desconstruir a ideia machista de que elas desempenham um papel submisso, porque isso não é verdade. A ideia de que ‘isso não é coisa de menina’ ou de que ‘lugar de mulher é apenas cuidando da família’ precisa ser erradicada. É preciso se apropriar do direito de existir e ser quem você quiser, e exercer isso”.