Agricultura

Noroeste possui maior área de produção de seda do estado

No total, áreas produtivas geraram renda de R$ 24 milhões em 2015. No município de Tuneiras do Oeste, propriedade é referência nacional na atividade

Weslle Montanher
Em Tuneiras do Oeste, produto chega comercializar 750 quilo de casulo/mês

Considerada uma das atividades mais rentáveis para agricultura familiar no Paraná, a sericicultura gerou, em 2015, mais de R$ 24,5 milhões em renda somente no noroeste, segundo dados divulgados pela Emater. E ainda que o cultivo tenha recuado em algumas áreas da região, 50,8% de toda cadeia produtiva de casulos, no estado, está localizada aqui.

De acordo com a Emater, em todo Paraná são 1.790 sericicultores atendidos – dos quais 910 estão na macrorregional noroeste. Ao todo são 1.116 barracões, 3.340 trabalhadores envolvidos e 2.189 hectares de área plantada com amoreira - principal fonte de alimento para o bicho-da-seda; divididos em 76 municípios.

Na microrregião de Cianorte, a sericicultura se destaca principalmente em Tuneiras do Oeste. O município hoje é um dos maiores produtores do estado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). É lá onde a Emater possui uma das 18 unidades de referência que detém em todo noroeste.

Na propriedade da família Gonçalves dos Santos, são dois barracões com uma produção média de 780 quilos por entrega, acima da média regional, que gira em torno de 400 quilos. Na pequena propriedade, a família mantém a sericicultura como principal fonte de renda e atualmente faz parte do programa de integração da Fiação Seda Bratac, de Umuarama.

Na sericicultura trabalham pai e filhos. Antônio dos Santos implantou a produção há 11 anos, e desde então adotou a cultura como renda exclusiva. Mas o sucesso da propriedade está ligado aos investimentos que o produtor fez ao longo do tempo. “Para poder produzir acima da média, tivemos que melhorar a técnica de manejo, tanto do cultivo da amoreira quanto do monitoramento do bicho”, comenta.

Weslle Montanher
Antônio dos Santos e os filhos, sericicultores na unidade de referência em Tuneiras do Oeste

O trabalho na propriedade começa cedo, com o corte mecanizado das folhas e a distribuição nas camas - locais onde os pequenos insetos são depositados e se alimentam antes de subir para tecer o casulo. A média de produção, da chegada do bicho até a entrega do casulo, gira em torno de 20 a 28 dias, tudo depende das condições climáticas.

“Se esfria um pouco, não produz muito bem”, explica o filho mais velho, Edmar Gonçalves dos Santos. À frente da administração da propriedade, o rapaz diz que encontrou na sericicultura a oportunidade que talvez não pudesse ter na zona urbana. “Tem que saber trabalhar que o lucro vem. Não precisa investir muito, ter o controle da produção já é fundamental”, afirma.