Saúde

Mortalidade infantil aumenta na região de Cianorte

Outras oito regionais de saúde do estado também tiveram crescimento no número de mortes de crianças em 2017
Os índices de mortalidade infantil cresceram em nove regionais de saúde do Paraná em 2017 (Foto: DIVULGAÇÃO)

A 13ª Regional de Saúde de Cianorte, que compreende 11 municípios, registrou crescimento no Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI), que calcula o número de mortes a cada 1 mil nascidos vivos. O índice passou de 8,9 em 2016 para 10,9 no ano passado. O aumento também ocorreu em outras oito regionais do estado: Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Francisco Beltrão, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Toledo.

A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado (Sesa), Júlia Cordellini, explica que é necessário investigar os fatores que levam recém-nascidos a óbito para chegar ao determinante de cada caso. Segundo ela, para diminuir os índices e chegar a meta de um dígito é necessário intensificar investimentos e capacitar os profissionais da atenção básica.

“Tudo começa com o atendimento primário do programa Mãe Paranaense. É preciso qualificar os profissionais e melhorar os serviços”, afirma. O último treinamento realizado na 13ª RS foi no dia 20 de junho e a próxima capacitação está prevista para o dia 31 de agosto.  

Na região, as gestantes fazem acompanhamento pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos municípios e passam por uma classificação. Se uma gravidez de alto risco é detectada, a paciente é encaminhada para ambulatórios especializados. Em Cianorte, a referência é o ambulatório do Consórcio Intermunicipal de Saúde Centro Noroeste do Paraná (Ciscenop), que possui uma equipe de psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais para acompanhar a gestação e a preparação para o parto.

Segundo Júlia, “o Estado tem aprimorado o atendimento as gestantes nas regiões onde as taxas de mortalidade materna e infantil estão acima da média. Além disso, tem intensificado os investimentos na atenção básica e nas unidades de referência, como o Hospital São Paulo”.

RECURSOS

As unidades de referência da 13ª RS recebem R$ 210 mil por mês do Programa de Apoio e Qualificação de Hospitais Públicos e Filantrópicos do SUS Paraná (Hospsus), além dos investimentos previstos para obras e melhorias. O Hospital São Paulo recebe R$ 320 por parto, referentes à fase 2 do Hospsus, chamada de Estratégia de Qualificação do Parto. Desde 2013, já foi pago R$ 1,3 milhão à instituição.

A Santa Casa de Cianorte, os hospitais municipais de Cidade Gaúcha, Indianópolis e Jussara, a Santa Casa Municipal de Saúde de Tuneiras do Oeste e a Fundação Médica e Assistência ao Trabalhador Rural de Rondon também recebem investimentos do programa.

Em relação ao Programa de Qualificação da Atenção Primária à Saúde (Apsus), os municípios da 13ª RS receberam R$ 6 milhões desde 2015. Além de R$ 1,3 milhão da Rede Mãe Paranaense.

Dentro do programa Vigiasus, que visa fortalecer e qualificar as ações de Vigilância em Saúde, o Governo do Estado já pagou, no total, R$ 4,4 milhões para a região.

MORTALIDADE MATERNA

De acordo com os dados da Sesa, a 13ª RS não registrou nenhum óbito devido a complicações da gravidez, do parto e do puerpério (período de 40 dias após o parto) em 2017. Outras nove regionais de saúde também encerraram o ano com o índice mortalidade materna zerado. Os dados ainda são preliminares e estão sujeitos à revisão da pasta.

Ainda assim, há uma preocupação em relação ao aumento da mortalidade materna em algumas regiões nos últimos anos. Na 13ª RS, por exemplo, o índice saltou de 48,7 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2014 para 187,7 em 2015 e, segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, dois óbitos já foram registrados neste ano.

“A relação entre mortalidade materna e infantil é total. Por isso, o cuidado com a gestante pode evitar a morte da mãe e da criança. Daí a necessidade de um bom atendimento na atenção básica e de um pré-natal completo, obedecendo as determinações médicas. A mulher precisa exigir informação sobre sua saúde e sair do consultório médico sem dúvidas”, afirma Júlia Cordellini.

Outro fator que pode influenciar nos dados estatísticos é o aumento da procura pelo atendimento do SUS. A superintendente destaca que “a crise econômica fez com que muitas pessoas deixassem os planos de saúde e passassem a depender do sistema público”. (Com informações da Agência Estadual)

 

MORTALIDADE INFANTIL

MORTALIDADE MATERNA

 

13ª Regional de Saúde de Cianorte

2014

13,2

48,7

2015

8,4

187,7

2016

8,9

98,5

2017

10,9

0,0

 

Média Estadual

2014

11,2

41,3

2015

10,9

51,6

2016

10,5

47,1

2017

10,3

20,3

*As taxas de mortalidade infantil referem-se à quantidade de registros a cada 1 mil nascidos vivos e as taxas de mortalidade materna referem-se à quantidade de registros a cada 100 mil nascidos vivos. Os dados foram repassados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
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