Morcegos urbanos: o modo correto de se livrar de um inquilino indesejado, mas protegido por lei
Para espantar os morcegos, de acordo com o biólogo, professor e pesquisador do campus da UEM em Goioerê, Henrique Ortêncio Filho, o primeiro passo é, ao entardecer, identificar por onde estão saindo e observar até que todos os animais tenham deixado o abrigo no final do dia. Identificado o local de passagem, é recomendado fazer bolas de jornal e, com fita adesiva, vedá-lo. É importante deixar a noite toda e, no dia seguinte, a abertura vedada. Então, ao final da tarde, a tampa deverá ser retirada. Assim, os animais que permaneceram no local irão sair e os que tiverem filhotes irão aparecer para alimentar as crias. Depois, fecha-se o espaço novamente, explica o professor, que é coordenador do GEEMEA – Grupo de Estudos em Ecologia de Mamíferos e Educação Ambiental.
O processo deverá durar vários dias até que os animais desocupem o local. Após todo este processo de desalojamento, o forro deverá ser vedado por pessoa qualificada. Qualquer fresta que restar será a porta de entrada de um novo grupo. Algumas empresas, perigosamente, oferecem serviço de dedetização para essa finalidade, mas trata-se de uma prática proibida, pois os morcegos são animais silvestres e protegidos por lei, alerta o professor. O uso de telhas transparentes e até mesmo lâmpadas são estratégias eficientes para impedir a presença dos mesmos.
CUIDADOS
O órgão que regulamenta a pesquisa nessa área, no Brasil, o ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, só permite que pessoas licenciadas possam tocar nos morcegos. Além da proteção desses animais, tal restrição decorre do risco de transmissão de doenças ao homem. Se o animal está caído já é um motivo de preocupação. Pode se tratar de um filhote, um animal desorientado, acidentado ou, ainda mais grave,um indivíduo doente. Por isso é importante contatar o órgão de saúde da cidade e não tocar o animal, orienta Henrique. Entre as principais doenças associadas aos morcegos estão a raiva e a histoplasmose, sendo que a primeira não tem cura.
SEM PÂNICO
É importante ressaltar que todo animal mamífero pode transmitir raiva, basta que esteja contaminado. Com os morcegos, não seria diferente. Mas o que existe é um mito em torno das espécies que se alimentam de sangue. As pessoas pensam que todos os morcegos se alimentam de sangue. Das 170 espécies que existem no Brasil, só três se alimentam de sangue. O professor Henrique tranquiliza, na cidade Cianorte, até hoje, não capturamos morcego hematófago ou o popular morcego vampiro, que se alimenta de sangue, só espécies que comem frutos, insetos e outros pequenos vertebrados, como ratos, sapos, lagartixas, entre outros. Mas é importante que as pessoas nunca tentem tocá-los, porque eles irão se defender com uma mordida, um arranhão ou uma lambida.
Para limpar as fezes dos animais é recomendado usar uma máscara com filtro ou pano umedecido para proteger as vias aéreas e um borrifador para umedecer as fezes, evitando-se a propagação de poeira e, com isso, microorganismos nocivos, que possam estar acumulados nos excrementos.
IMPORTÂNCIA
Os morcegos são importantíssimos dispersores de sementes (semeadores), polinizadores e predadores de insetos. Os que comem insetos são nossos aliados no controle de pragas agrícolas e de vetores de doenças. Os que comem frutos, porque são semeadores noturnos. Enquanto o ser humano devasta durante o dia, eles replantam à noite. E os que se alimentam de pólen e néctar, porque são polinizadores essenciais à natureza, conhecidos como morcegos beija-flor.
SERVIÇO: Dúvidas podem ser retiradas diretamente com o professor, pelo email [email protected]
Curiosidade dolorida
A última coisa a se fazer com um morcego é tocá-lo. Mas se soubesse que o vulto que passara em frente a sua porta era um morcego, o autônomo Wilson Andrade, não teria ido parar no Pronto Socorro e ser medicado com vacinas e antibióticos. Estava sentado no sofá e vi um vulto preto passando no chão, dos fundos da casa para a rua. Fiquei curioso e fui ver o que havia no jardim. Nesse momento outro animal voou, fez um barulho e bateu em meu pé. Levei um susto, não sabia o que era e bati com a mão para espantá-lo. Meu dedo sangrou bastante, deve ter batido no dente dele e só então vi que era um morcego, relembra Wilson. Antes de procurarem um médico, colocaram o morcego em um balde. O médico nos orientou a soltá-lo, na verdade fiquei com dó do bichinho, mas de agora em diante sem curiosidade, não me aproximo mais, afirma Wilson. De acordo com o professor Henrique, é importante lembrar que em casos como esses, o animal deverá ser encaminhado à secretaria municipal de saúde.
