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Mesmo foragido por homicídio, sargento da PM permanece recebendo salário

(Foto: MONTAGEM/RIC MAIS)

O sargento da Polícia Militar Flávio Henrique Rodrigues da Silva, considerado foragido da Justiça desde março deste ano, permanece recebendo o salário de militar. Segundo sua folha de pagamento, no início do mês de março, ele recebeu R$ 6.157,87 bruto e R$ 5.267,39 referente ao seu ‘trabalho’ no mês de abril.

Silva é investigado por suspeita de comandar uma quadrilha de policiais que faz execuções por encomenda. Ele usava uma tornozeleira eletrônica desde 2017, devido ao seu envolvimento com a morte de um casal de advogados. 

Sargento foragido por envolvimento com execuções

Na terça-feira (14), a Polícia Civil, com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, deflagrou a operação ‘Lei e Ordem’, com o objetivo de desmantelar a organização criminosa. Na ocasião, foram presos três policiais militares por suspeita de, junto com o sargento foragido da PM, serem os responsáveis pela execução do comerciante Reginaldo Bergamaski em Curitiba.

Em entrevista sobre a prisão dos policiais, o delegado Tito Barichello, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), não revelou a identidade do atirador e nem do motorista do veículo que cometeram o assassinato de Bergamaski, mas confirmou que o carro usado pelos criminosos foi encontrado no prédio onde vivia o sargento Silva, assim como foi comprovado que logo após o crime, o sargento já estava em posse do veículo. “Apenas dois dias após, sempre com a participação da PM, nós conseguimos localizar esse veículo na casa de um policial”, disse Barichello.

Os nomes dos envolvidos, com exceção do sargento, não foram divulgados.

Motivação do crime

Barichello também explicou que a motivação do crime continua sob investigação e não foi totalmente esclarecida, mas confirmou que o sargento da PM teria sido contratado para executar a vítima. “A informação que nós temos é que houve a contratação de um dos investigados, do investigado principal que está foragido, e que teria havido a participação direta e indireta destes outros investigados. Mas a autoria principal, não a execução em si, porque este investigado de nome Flávio, ele estava com tornozeleira eletrônica e não consta a localização dele no local do crime”, explicou.

Fuga do PM

O delegado ainda pontuou que o sargento da PM chegou a ser interrogado logo que o veículo foi encontrado em sua residência, mas na ocasião, ele teria mentido sobre a procedência do veículo, entre outras questões. “Ele foi ouvido dos dias depois do crime. Se ele tivesse sido ouvido no dia seguinte ao crime, nós teríamos feito o flagrante dele, mas não pudemos. Nós escutamos ele e imediatamente fizemos uma pedido de prisão temporária. No entanto, apenas oito horas após o interrogatório dele nessa Delegacia de Homicídio, ele rompeu a tornozeleira eletrônica”, contou.

Segundo a Polícia Civil, o sargento Silva também tem envolvimento com o assassinato de um casal de advogados em setembro de 2017. Na época, as vítimas e uma segunda mulher estavam jantando com o sargento da Polícia Militar em uma churrascaria no bairro Rebouças, em Curitiba, e foram executadas logo depois que deixaram o local. Do mesmo modo, conforme as investigações, foi o próprio policial que ligou e avisou que os “alvos” já estavam saindo. Ele chegou a ser preso, mas, posteriormente, foi solto e respondia pelo crime em liberdade, sendo monitorado por uma tornozeleira eletrônica. “Essa tornozeleira eletrônica era o resultado daquele homicídio de 2017, aqui na Rua Chile, quando se utilizou o mesmo fuzil, fuzil 556, com o mesmo calibre do crime praticado agora no bairro Uberaba, tanto que nós já pedimos o confronto balístico dos estojos de projéteis para ver se foi a mesma arma”, finalizou Barichello.

(RIC MAIS)