Política

Marun admite que governo ainda não tem votos necessários para a reforma

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Para Marun, falta esclarecimento sobre a reforma à população (Foto: AGÊNCIA BRASIL)

A três semanas da data marcada para a votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o governo não tem os votos necessários para aprovar a proposta, admitiu nesta segunda-feira, 29, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun. Ele ressaltou, porém, que está confiante no apoio dos deputados à mudança nas regras de aposentadoria e pensão e rechaçou qualquer possibilidade de novo adiamento da votação. Segundo o ministro, o governo não trabalha com hipótese que não seja a de votação em fevereiro.

"Ao mesmo tempo em que ainda não temos esses votos, e eu não minto, então não mentiria a respeito disso, nós vivemos uma situação que é a melhor desde maio de 2017, quando iniciou aquela conspiração que buscava derrubar o presidente e que fez como principal vítima essa necessária reforma", disse Marun, que é responsável pela articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Segundo ele, o cenário atual é melhor porque há hoje um número semelhante de votos ao que se tinha em maio de 2017, antes do estouro da crise política. Além disso, o ministro alegou que existe atualmente um apoio maior da sociedade à reforma. "Isso nos dá segurança e confiança de que poderemos, sim, votar em fevereiro e seremos vitoriosos", disse.

O ministro também demonstrou confiança na "responsabilidade" do Congresso Nacional em momentos de necessidade, embora tenha reconhecido antes que o fator eleitoral tem pesado mais para alguns parlamentares evitarem apoiar a proposta.

"Conheço o Congresso Nacional, conhecemos nível de responsabilidade do nosso Parlamento, que nos momentos decisivos e essenciais nunca falta para com o Brasil", afirmou Marun.

Ele lembrou que as contas da Previdência estão em déficit cada vez maior - no ano passado, o rombo foi de R$ 268,8 bilhões entre INSS e o regime dos servidores públicos federais. Além disso, já houve o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's e, segundo Marun, há o risco de novos rebaixamentos.

"Penso que ser contra reforma da Previdência é quase que assinar atestado de irresponsabilidade", afirmou o ministro.

SEGURANÇA

Para Marun, a articulação política em torno da reforma da Previdência e o maior entendimento da população sobre o tema dão ao governo segurança de que aumentou o apoio à mudança defendida pelo Palácio do Planalto. Ele acredita que, se toda a população fosse esclarecida sobre o tema, a aprovação popular ao projeto chegaria a 90%.