Saúde

Mais de 200 mil pessoas já foram atendidas pela UPA desde 2016

Unidade completa dois anos como referência no atendimento de urgência e emergência
Unidade de Pronto Atendimento tem quase 2 mil metros quadrados (Foto: ANDERSON THEODORO)

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas Faustino Bongiorno foi inaugurada em julho de 2016 e começou a funcionar no dia 2 de agosto. Com uma estrutura de quase 2 mil metros quadrados e equipamentos de última geração, a unidade recebe, em média, 300 pessoas por dia e já contabilizou mais de 200 mil atendimentos.

Construída em parceria com o Governo Federal, com R$ 4,5 milhões investidos, a UPA de Cianorte é uma das únicas municipais do país, como explica o prefeito Claudemir Romero Bongiorno. “Inicialmente, a ideia era que a UPA fosse regional, mas como conseguimos recuperar a Santa Casa os municípios passaram a ajudar no custeio do hospital e utilizá-lo como referência. Assim, o atendimento da UPA foi voltado exclusivamente para a população local.”

Para manter a unidade em funcionamento, o gasto mensal é de aproximadamente R$ 490 mil, sendo que R$ 175 mil são repassados pelo Governo Federal. Segundo o prefeito, “o segredo é economizar, saber gastar bem o dinheiro e, principalmente, garantir que os funcionários cumpram os horários adequadamente”.

A UPA de Cianorte tem uma equipe de 82 funcionários e dois estagiários, sendo que 19 são médicos concursados. Os profissionais de saúde trabalham em escalas de seis e 12 horas, de segunda a sexta-feira e aos fins de semana, feriados e recessos, os médicos plantonistas são contratados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde Centro Noroeste do Paraná (Ciscenop).

A unidade funciona 24 horas e mantém três clínicos gerais, um ortopedista e um pediatra para os atendimentos no período da manhã, três clínicos gerais no período da tarde e da noite e dois durante a madrugada. O diretor técnico da UPA, Luiz Eduardo Buttner, esclarece como é o acolhimento aos pacientes.

“Todos os pacientes que chegam à UPA passam pelo protocolo de triagem do Ministério da Saúde, que faz a classificação de risco e define quem será atendido primeiro. Se o caso é uma emergência, como uma parada cardiorrespiratória ou infarto, o paciente terá atendimento médico imediato. Mas se o caso não é urgente, por exemplo, dor de garganta, dor de cabeça ou dor nas articulações, o atendimento não será prioritário. E é isso que a maioria das pessoas não entende”, afirma.

Segundo a diretora administrativa da UPA, Ana Paula Ribeiro, o maior desafio é reeducar a população, pois a estimativa é de que 90% dos pacientes poderiam ser atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). De acordo com a diretora, a quantidade de atendimentos diários da UPA é igual à soma dos atendimentos de todas as 13 UBSs.

“A população brasileira tem dificuldade em entender o que é uma Unidade de Pronto Atendimento. A UPA de Cianorte é classificada como nível cinco pelo Ministério da Saúde, que leva em conta a estrutura e a quantidade de atendimentos, e estaria suficiente para uma cidade do nosso porte, mas quem faz a demanda são os usuários e esses atendimentos eletivos acabam desorganizando o sistema. Se as pessoas procurassem a atenção básica adequadamente nosso trabalho seria facilitado”, enfatiza Buttner.

Por isso, a ordem de atendimento baseada no protocolo gera reclamações por parte dos usuários sobre o tempo de espera na unidade. “Em dias muito cheios alguns pacientes precisam esperar horas para serem atendidos. Nós entendemos que a espera é desagradável, mas garantimos que a equipe tenta ser o mais ágil possível. Quando há casos extremos e denúncias nas redes sociais, por exemplo, verificamos se houve falha e, uma vez detectada, trabalhamos para corrigi-la”, explica Ana.

Geralmente, a média de atendimentos diários é 300, mas às segundas-feiras a UPA chega a receber mais de 450 pessoas. Assim, uma das maiores dificuldades é garantir um atendimento humanizado.

“O perfil para trabalhar na UPA é diferente, por isso é difícil ter uma equipe totalmente preparada. Estamos promovendo encontros quinzenais com a psicóloga com toda a equipe para o aprimoramento profissional e humano”, conta a diretora administrativa.

Para o médico Luiz Buttner, a humanização está ligada à educação, tanto de profissionais quanto de pacientes. “Humanização seria individualizar o atendimento e o desafio é tornar isso possível com 100 pessoas ao mesmo tempo aqui. Quando a situação é essa, nossa posição é correr contra o tempo para agilizar.”

ESTRUTURA

A UPA cianortense adota o status de um mini hospital e possui salas para triagem, emergência, monitoramento, medicação, coleta de exames, raio-x, eletrocardiograma, farmácia, refeitórios e dormitórios. Ao todo, são 30 leitos, sendo sete femininos, sete masculinos, dois de isolamento e 14 para medicação rápida.

Os exames laboratoriais são colhidos na unidade, levados para análise e os resultados retornam para a UPA em uma ou duas horas. Mais de 58,6 mil exames já foram realizados desde o início das atividades.

Em 2016, a UPA atendeu 47.650 pessoas; no ano passado, foram 107.240 e nos primeiros seis meses deste ano, mais de 53,5 mil.

O prefeito Bongiorno reconhece a importância do investimento para a população. “Nem posso imaginar como estaríamos hoje sem a UPA. Cianorte seria um caos. E os números estão aí para confirmar isso.”

Para ele, o que ainda pode ser melhorado é a humanização do atendimento e a qualificação profissional.  “Uma das nossas maiores dificuldades, desde o início, foi encontrar equipe médica para trabalhar, porque poucos médicos querem trabalhar à noite e como a unidade é 24 horas, isso é inevitável. Se nós não oferecemos outras especialidades na UPA é porque não encontramos para contratar, pois poucos médicos especialistas têm interesse neste tipo de atendimento”, ressalta.

A Unidade de Pronto Atendimento está localizada na Avenida Piauí, n° 281, nas proximidades do Centro Social Urbano. (Com informações Assessoria PMC)