Política

João Arruda é desmentido pelo GAECO e MP sobre falsas afirmações

(Foto: Pedro França/Agência Senado)

O Ministério Público do Paraná, por meio da Informação número 42/2018, expedida nesta segunda-feira, 17, declarou que em pesquisa feita tanto nos arquivos do MP, quanto nos do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) l, não foram encontradas notícias-crime, representações, peças de informações ou pedido de providências em nome do atual coordenador da campanha do candidato Ratinho Júnior, Norberto Anacleto Ortigara. Ortigara foi secretário de estado da agricultura e abastecimento na gestão de Beto Richa e está sendo alvo de insinuações mentirosas por parte do candidato ao governo, o deputado João Arruda, que tenta vincular o nome do ex-secretário à fraude no programa Patrulha do Campo, investigado pelo MP e pelo Gaeco. A gestão do programa era dividida entre a Seab e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, entretanto a primeira não foi sequer citada nas investigações.

 

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“O Norberto Ortigara, que era secretário [de Agricultura] do [ex-governador Beto] Richa, envolvido nesse escândalo das patrulhas, é o coordenador da campanha dele [Ratinho Júnior]. Ele tem muito que explicar”, acusou João Arruda, do MDB, em entrevista à RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná.

Líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) tem sido alvejado pelos rivais em decorrência de seu coordenador de campanha, Norberto Ortigara, ter comandado a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) na gestão do ex-governador tucano Beto Richa, de janeiro de 2011 a abril de 2018.

Acontece que a Seab era co-responsável pelo programa Patrulha do Campo, cuja gestão dividia com a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (Seil), dirigida por Pepe Richa, irmão do governador. E há suspeita de fraude na licitação e pagamento de propinas nos contratos do Patrulha do Campo, que custou R$ 67,3 milhões aos cofres públicos.

Por causa delas, Beto Richa, a mulher, Fernanda, e Pepe Richa foram presos temporariamente na terça (11), e soltos na sexta (14) por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Criado para recuperar estradas rurais no Paraná em 2012, o Patrulha do Campo alugava maquinário que era cedido às prefeituras (tratores, caminhões, motoniveladoras, etc.). Finalizado em 2015, apenas 3,1 mil quilômetros dessas vias não pavimentadas tinham passado por obras – ou seja, 3% do total de estradas rurais. A relação dos municípios atendidos está no Portal da Transparência.

Deflagrada nesta semana, uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), prendeu preventivamente 15 pessoas e executou 19 mandados de busca e apreensão – incluindo aí Richa, a mulher e o irmão dele, e a cúpula da sua administração. As defesas negam as acusações.

Considerando que o MP-PR não indiciou ninguém da Seab, nem o próprio Ortigara, o Truco nos Estados – projeto de fact-checking da Agência Pública, feito no Paraná em parceria com o Livre.jor – apoiado nos documentos trazidos a público até o momento pelos investigadores, julgou a declaração de João Arruda descontextualizada.

João Arruda, rival de Ratinho na corrida pelo Palácio Iguaçu repetiu a mesma ligação forçada que Cida Borghetti (PP), também disputando o cargo, havia feito na véspera, também à RPC TV. Ela e Arruda buscam vincular Ortigara à denúncia de corrupção – omitindo que o ex-secretário de Agricultura não aparece no rol de investigados até agora.

Fora da prisão 

Nas 85 páginas do documento no qual o Ministério Público do Paranáexpõe suas razões para a primeira fase da Operação Rádio Patrulha, a secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) foi poupada.

O ex-secretário, Norberto Ortigara, é citado de passagem uma única vez, com o nome errado – usam “Roberto” na transcrição dos áudios juntados pelo MP-PR. A referência, na página 30, é inconclusiva.

Ortigara não aparece na relação de 15 pessoas para as quais o Gaeco, do MP-PR, pediu prisão temporária. Nem sua residência, ou ambientes da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, estão na lista de 19 lugares submetidos aos mandados de busca e apreensão.

Fonte: Truco 2018

Procedimento Administrativo (PA) nº MPPR-0046.18.124609-4 (Download)