Economia

Indústria responde por 33% das vagas de emprego no primeiro semestre no Paraná

(Foto: Divulgação )

A indústria do Paraná criou, no primeiro semestre de 2019, mais de 1.300 postos de trabalho a mais do que no mesmo período do ano passado. O levantamento é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. De janeiro a junho deste ano, cerca de 13.300 pessoas foram contratadas pelo setor. No total, o estado criou mais de 40 mil novas oportunidades.

O desempenho do Paraná segue a mesma tendência da PNAD, divulgada pelo IBGE, no primeiro trimestre deste ano, que indicou que os três estados do Sul registravam as menores taxas de desemprego do país. Enquanto no Brasil a média foi de desocupação formal de 12,7% da população economicamente ativa, de janeiro a março, no Paraná a média foi de 8,9%.

Apesar dos resultados, confirmados também pelo crescimento expressivo da produção industrial do estado, o maior do país segundo o IBGE, em 10,4% até maio em relação ao mesmo período de 2018, é cedo para afirmar que a economia está no caminho do crescimento. Assim, a recuperação do mercado de trabalho ainda é um desafio e deve ocorrer de forma mais lenta que o esperado.

“A abertura de novas vagas em um ritmo mais acentuado ainda depende da retomada da confiança do empresário na economia”, afirma o presidente da Fiep, Edson Campagnolo. “A confirmação da Reforma da Previdência e o avanço da Tributária são fatores que podem ajudar a aumentar essa confiança e estimular novos investimentos. Também serão sinais importantes algumas mudanças na política monetária e fiscal, uma maior redução nas taxas de juros e o destravamento de projetos em ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, que vão melhorar a infraestrutura e facilitar o escoamento de produtos”, completa.

Ainda como herança da crise econômica dos últimos anos, a produção industrial não recuperou as perdas acumuladas entre 2012 e 2016, de 19,5%. Mas com os resultados melhores dos últimos dois anos, o saldo acumulado das perdas baixou para 13%. “Isso ainda não se reflete como deveria no crescimento da empregabilidade no estado. Cresce a produção industrial, mas o mercado de trabalho não acompanha”, avalia o economista da Fiep, Thiago Ramos.

De acordo com os dados do Caged, na indústria de transformação, os setores que mais geraram empregos foram confecção e artigos do vestuário (1.036 vagas), automotivo (931), produtos de metal (751), e de borracha e material plástico (526). E os que mais dispensaram trabalhadores foram o setor madeireiro (-321), de fabricação de móveis (-204) e produtos alimentícios (-71). “Há um movimento sazonal em alguns setores, em que há um aumento temporário da produção, seguido por dispensas de trabalhadores. O setor automotivo teve crescimento para atender demanda interna do mercado. E, no setor de alimentos, o resultado é esperado em função das contratações temporárias para a Páscoa”, explica o economista.

O departamento econômico da Fiep traçou um panorama comparativo do mercado de trabalho paranaense e brasileiro nos últimos sete anos, baseado nos dados da PNAD trimestral, do IBGE. Segundo o estudo, o Brasil tinha, até março, 13,4 milhões de desempregados, 12,7% da população economicamente ativa. Desde 2014, no auge da crise, o fechamento de vagas se acentuou. No Paraná, a taxa de desemprego era 3,7% até 2014. Até o primeiro trimestre deste ano, estava em 8,9%, o que representa 536 mil de pessoas sem trabalho.

O que preocupa não é só a taxa de desemprego, mas a queda nos empregos formais, com carteira assinada, e o crescimento da taxa de subutilização da força de trabalho. Isso significa pessoas que estão trabalhando menos horas do que gostariam - tiveram redução da jornada porque a atividade está ociosa. Também houve crescimento de desocupados e do desalento - profissionais que desistiram de trabalhar. Nesta situação, que pode envolver aspectos psicológicos, são mais de 4,8 milhões de brasileiros atualmente. Há 5 anos, era 1,6 milhão. No Paraná atinge 106 mil pessoas.

A conclusão é de que a taxa de desocupação está em tendência de queda desde o primeiro trimestre de 2017, tanto aqui no estado (-13%) quanto no Brasil (-7%). Porém, a subutilização da força de trabalho vem aumentando. No Paraná, mais que dobrou desde 2014. Atingia 8,7% da população economicamente ativa e chegou a 17,6% em março deste ano. Isso representa 1,1 milhão de paranaenses.

No Brasil, cresceu de, 15% em 2014, para 25% em março último, uma realidade para 28,3 milhões de pessoas. “Os dados preocupam, mas mostram uma situação bem melhor aqui no estado do que em outras regiões do país. O desalento e a subutilização da força de trabalho no Paraná também são bem mais estáveis aqui do que no Brasil, onde ambos têm crescido acentuadamente. Mesmo assim, é um ponto de alerta”, conclui Ramos.

(Bem Paraná)