Economia

Inadimplência diminui mais de 10% em Cianorte na média mensal

Na comparação com o mesmo período de 2016, a média de novos devedores caiu de 835 para 725 por mês
Consumidores estão preferindo comprar à vista ou parcelando no cartão de crédito para evitar novas dívidas (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Os números divulgados pela Associação Comercial e Empresarial de Cianorte (Acic) com base no banco de dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que os cianortenses estão se endividando menos em 2017. Na comparação com o ano anterior, a média mensal de pessoas incluídas no cadastro de inadimplentes caiu 13,17% de janeiro a novembro, passando de 835 em 2016 para 725 neste ano.

Nos primeiros seis meses do ano a queda da média mensal foi ainda maior, passando de 925 para 761, o que significa – 17,72%. Em 2016, de janeiro a junho, 5.552 pessoas foram incluídas no cadastro de inadimplentes do município e 3.469 limparam o nome. No mesmo período deste ano, o número de endividados foi de 4.566 e a quantidade de pessoas que se livraram das dívidas foi maior do que no ano passado: 3.844.

De acordo com o vice-presidente da Acic para promoções e eventos, Luiz Sérgio Castardo, é comum observar uma alta na inadimplência nos primeiros meses do ano porque os consumidores acumulam dívidas de impostos, gastos com o ano escolar e ainda as compras de final de ano. “Em 2017, os empresários restringiram a venda a prazo por segurança, em razão do momento econômico do país, e isso acabou refletindo na inadimplência, que diminuiu”, explicou.

O gerente de vendas de uma loja de móveis de Cianorte, Wilson Blaszak, explica que a postura dos consumidores mudou. “De uns tempos para cá nós temos percebido que a maioria das pessoas busca comprar à vista ou no cartão de crédito, para fugir dos juros do crediário, que era a modalidade de pagamento preferida antigamente. Os consumidores tomaram consciência dos juros elevados e preferem não correr o risco de assumir dívidas”, disse.

 

CENÁRIO NACIONAL

Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que os principais causadores da inadimplência dos brasileiros são os cartões de loja e os empréstimos. Em cada dez inadimplentes que possuem cartões de loja, oito (80%) se encontram nessas condições porque atrasaram a conta. Em 2016, o percentual de atrasos com essa modalidade de crédito era de 73%. A segunda modalidade de crédito que mais gera negativação de CPF são os empréstimos em bancos ou financeiras: 65% dos entrevistados que têm esse tipo de compromisso ficaram com o “nome sujo” em decorrência de atrasos em suas parcelas. Nesse último caso, houve uma queda de 10 pontos percentuais na comparação com o ano passado.

Em seguida, entre os principais “vilões da inadimplência” estão cartão de crédito (65%), cheque especial (64%), crediário (60%), cheque pré-datado (51%), financiamento de automóvel ou moto (50%), crédito consignado (38%), financiamento da casa própria (27%) e mensalidades escolares (24%).

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, por mais que a economia brasileira comece a dar sinais de melhora, a vida financeira do brasileiro ainda não se encontra em situação confortável. “O desemprego está estável, mas elevado e, a renda segue menor do que nos anos anteriores à crise. Com orçamento curto, o brasileiro se depara com dificuldades para pagar as dívidas. Por isso é preocupante que as dívidas bancárias se posicionem entres os primeiros colocados porque a incidência de elevados juros por atraso faz com que essas dívidas cresçam de maneira acelerada, dificultando cada vez mais o pagamento, explica. (Com SPC Brasil)