Economia

Inadimplência cai mais de 10% em Cianorte em 2017

Comerciantes observaram preferência dos clientes por compras à vista para evitar o endividamento
Em geral, os cianortenses evitaram compras parceladas em 2017 para terminar o ano no azul (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

O número de consumidores com cadastro negativado no comércio local registrou uma queda de 10,89% em 2017, em comparação com o ano anterior. Os dados são da Associação Comercial e Empresarial de Cianorte (Acic), com base no banco de dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O ano terminou com um saldo de 8614 pessoas incluídas no cadastro de inadimplentes; em 2016 o número era de 9667 consumidores e em 2015 era superior a 25 mil. O número de pessoas que conseguiram tirar o nome do cadastro de negativados também caiu, de 7650 em 2016 para 7140 no ano passado.

A coordenadora de uma loja de departamentos de Cianorte, Dayana de Oliveira, afirma que, de modo geral, os clientes preferiram pagar à vista em 2017. “Ainda não temos os resultados da inadimplência, mas a percepção é de que diminuiu em relação a 2016 mesmo. O pessoal estava com mais dinheiro e preferia já pagar a compra, para não contrair dívidas”, disse.

Segundo ela, a loja até está incentivando outras formas de compra, como o parcelamento, para atrair mais os clientes que não estão com dinheiro para pagar à vista.

CENÁRIO ESTADUAL

O Paraná foi o estado brasileiro com o maior percentual de endividados em 2017. Segundo a Radiografia do Endividamento e Consumo, elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 87,9% das famílias paranaenses possuía algum tipo de dívida ao longo do ano passado. A média anual brasileira ficou em 60,7%.

Apesar de ser o estado com mais endividados, os consumidores do Paraná não são maus pagadores. Tendo 27,3% de endividados com contas em atraso, o estado se caracteriza por um alto endividamento, mas um percentual de atraso relativamente baixo. Quanto à falta de condições pagamento das dívidas, a média de 2017 foi de 10,4%.

A coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR, Priscila de Andrade, explica que a estatística mais preocupante é a quantidade de consumidores que não têm condições de quitar as dívidas. “Praticamente todo mundo tem alguma dívida, porque uma compra parcelada já caracteriza o endividamento em si, mas ele não é problema. A questão maior é quando as dívidas começam a aumentar e quando as pessoas não têm condições de pagar. No Paraná, o percentual que afirma não conseguir quitar os débitos em atraso ainda é baixo e segue a média nacional, de 10%”.

Os principais motivos de endividamento dos paranaenses em 2017 foram o cartão de crédito, que correspondia a 70,4% nas contas em aberto; o financiamento de veículo e o financiamento imobiliário, com 9,7% cada, respectivamente.

De acordo com a coordenadora, o cartão de crédito é um endividamento fácil pois possibilita que os consumidores realizem compras por impulso. “O ideal é sempre pagar a fatura inteira e não parcelar o valor, pois os juros são altíssimos. Para evitar contrair mais dívidas, as pessoas precisam fazer um planejamento de gastos adequados à renda, deixando uma reserva para eventuais emergências”, orienta.

INTENÇÃO DE COMPRA

A análise da Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostrou uma recuperação gradual a partir do segundo semestre de 2017, tendo alcançado o patamar positivo (acima de 100 pontos em uma escala que vai de 0 a 200 pontos) em novembro, quando chegou a 101,7 pontos, mantidos em dezembro. A média anual do indicador no Paraná marcou 95,5 pontos, acima da média nacional, que ficou em 77,8 pontos. Priscila afirma que os números apontam para uma retomada do consumo em 2018, o que tem motivado os empresários do comércio de bens, serviços e turismo. (Com Assessoria Fecomércio-PR)