Economia

Inadimplência aumenta 5,7 % no início de 2019

Apesar do número inclusões, também ocorreu um aumento com relação à exclusão de maus pagadores
(Foto: RENATA MARTINS / TRIBUNA)

O número de pessoas incluídas no cadastro de inadimplentes em Cianorte aumentou 5,7% em janeiro, em comparação com o mesmo período de 2018. Os dados divulgados são do banco de dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Em janeiro do ano passado o número de inclusões foi de 661 pessoas, já no mesmo mês de 2019 foram 699 inclusões. As informações são da Associação Comercial e Empresarial de Cianorte (Acic).

De acordo com Renan do Nascimento Granzotto, do Departamento de Relacionamento e Negócios da Acic, compras de cartão de crédito e crediário fazem com que o número de inadimplentes aumente, além da crise do setor econômico. “Esses são os setores que mais apresentam índice de aumento, em conjunto com o setor econômico que acaba prejudicando ainda mais”, afirma.

Para Suelem Ruiz Amorim, gerente de crediário da loja Solange Calçados, os compradores inadimplentes são recorrentes durante todos os anos. “Sempre vai ter a inadimplência. A pessoa paga a entrada, libera o nome e acaba não voltando a pagar mais”, conta.

Como forma de reverter esse cenário, a loja tem um controle mais efetivo com relação aos nomes inadimplentes. “Em algumas situações, as pessoas acabam sendo barradas no crediário, porque não pagou outras parcelas”, esclarece.

Gerente comercial unidade local da Magazine Luiza, João Ricardo Santos, afirma que a inadimplência aumentou, mas que as vendas no início de 2019 também tiveram crescimento. “Depois que a crise passou, o setor melhorou. Fevereiro, por exemplo, também começou muito bem, tanto nas vendas como no recebimento”, esclarece.

Apesar do aumento neste ano, o número permanece favorável se comparado com as inclusões de janeiro de 2017. Foram 804 inclusões. Uma diferença de 15% no período de dois anos.

Em contrapartida, o número de exclusões no cadastro de inadimplentes foi maior no mês de janeiro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em janeiro de 2018, ocorreram 538 exclusões e neste ano foram 564, um aumento de, aproximadamente, 4,8%. Com relação ao ano de 2017, esse número foi ainda mais relevante. Foram 582 exclusões.

Para Granzotto o número de exclusões teve melhorias devido às férias e ao recebimento do décimo terceiro. Além disso, ele relata que as pessoas tornaram-se mais conscientes durante as compras. “Nessa época do ano as pessoas têm como prioridade quitar dívidas e algumas ainda diminuíram a chamada compra por impulso. Antes, uma pessoa ia comprar um calçado e acabava comprando dois”, explica.

A empresária Claudia Bueno afirma que possuía o hábito de fazer compras por impulso, mas que se tornou uma consumidora mais consciente e busca economizar durante o início do ano. Apesar de utilizar o crediário, nunca deixou seu nome inadimplente. “Já passei dificuldade financeira, pois comprava sem necessidade. Hoje analiso se realmente preciso do produto”, confessa.

PARANÁ E BRASIL

Com relação ao estado paranaense, a média de endividamento ficou em 90% no mês de janeiro de 2019. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), o número mantém o estado no topo do ranking do endividamento. No Brasil, o percentual de famílias que apresentam algum tipo de dívida é de aproximadamente 60,1% no início deste ano.

Em comparação com o mesmo período de 2018, o percentual de endividados diminuiu apenas 1,2%. Em dezembro de 2018, esse número era de aproximadamente 59,8%.

Segundo a pesquisa, as dívidas com compras em cartão de crédito são as que apresentam o percentual mais alto, 71,5%, seguido do financiamento de carro com 9,8% e financiamento de casa com 9,1%.