Cidades

Homem que matou a mãe e farmacêutico pode ser absolvido

Perícia médica constatou que homicida não tem consciência de seus atos e aconselhou tratamento hospitalar
["O assassinato do farmac\u00eautico em plena luz do dia chocou a popula\u00e7\u00e3o local","",""] (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Exatamente um ano depois do crime que chocou moradores de Cianorte e de toda a região, a Tribuna conversou com o promotor Sérgio Roberto Martins, da 1ª Promotoria de Justiça, para saber como está o andamento do processo. Marcelo Gimenes Natel, que matou a mãe e o farmacêutico que havia negado a venda de medicamento controlado sem receita ao jovem, continua preso na 21ª Subdivisão Policial de Cianorte e aguarda julgamento.

Além do homicídio duplamente qualificado na modalidade consumada, sem possibilidade de defesa e por motivo fútil, relativo à morte do farmacêutico Anderson Rodrigo Anibal, Natel também responde por homicídio triplamente qualificado, com a qualificadora de feminicídio consumado, relativo a sua mãe, Armelinda Gimenes Natel, que foi atingida por um tiro quando tentava impedir o filho de sair de casa; e por duas tentativas de homicídios qualificados, agravadas pela impossibilidade de defesa, relativas a uma cliente e o filho, que estavam na farmácia no momento do crime.

Como o réu utiliza medicação controlada e sofre de esquizofrenia, ele foi encaminhado ao Complexo Médico Penal, em Curitiba, para a realização de perícia, logo após a prisão. Segundo o promotor, a avaliação constatou que ele não tinha consciência de que estava cometendo os crimes. Martins explica que a perícia médica também aconselhou que o réu seja submetido a tratamento hospitalar durante um período e, se for constatado que ele não oferece mais risco à sociedade, o tratamento pode se tornar ambulatorial, que seria um acompanhamento monitorado.

Durante a realização da perícia, o processo estava suspenso e agora volta a correr, com a audiência de instrução, marcada para agosto. Na ocasião, as testemunhas serão ouvidas e o juiz vai decidir se encerra o processo ou o encaminha ao Tribunal do Júri. De acordo com o promotor Sérgio Martins, o que geralmente acontece neste tipo de processo é a absolvição do réu, com imposição de uma medida de segurança.

“Se a tese da defesa for apenas a inimputabilidade, ou seja, a condição do réu de não ser capaz de entender a ilicitude de sua conduta, o juiz deve decidir pela absolvição, mas deve impor uma medida de segurança, como o internamento hospitalar em um manicômio judiciário”, explica.

 Se esta for a decisão do juiz, o caso é encerrado e não vai a júri-popular e o tempo de internamento de Marcelo seria avaliado semestralmente, podendo durar a vida toda, conforme esclarece o promotor.

RELEMBRE O CASO

No dia 12 de julho de 2017, Marcelo Gimenes Natel atirou contra a mãe, Armelinda Gimenes Natel, dirigiu-se a uma farmácia no Jardim Atlântico, bairro onde morava, e atirou contra o farmacêutico Anderson Rodrigo Anibal, que morreu na hora. Mais cedo no mesmo dia, o autor dos crimes havia tentado comprar medicamento controlado sem receita na farmácia, o que foi negado pelo farmacêutico.

O autor dos disparos foi encontrado dois dias depois, nas proximidades do sítio onde morava. A mãe de Natel morreu no hospital. O indivíduo segue preso na 21ª Subdivisão Policial de Cianorte desde então e está medicado, pois sofre de esquizofrenia.