Saúde

Hanseníase ainda é comum na região

Em 2017, 23 pessoas foram diagnosticadas com a doença; pacientes são encaminhados a especialistas.
Remédios contra Hanseníase são distribuídos mensalmente na rede pública de saúde (Foto: MÔNICA CHAGAS / TRIBUNA)

Pouco popular e coberta de preconceitos, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa que ainda está presente na grande maioria dos estados brasileiros. No Paraná, o diagnóstico precoce e o tratamento dos doentes têm auxiliado no controle da doença. Nos 11 municípios que fazem parte da 13ª Regional de Saúde de Cianorte, a detecção ou suspeita é realizada nas Unidades Básicas de Saúde e os pacientes são encaminhados para médicos especialistas.

Os moradores de Cianorte com suspeita da doença são atendidos no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde e encaminhados para o tratamento assim que a enfermidade é confirmada. Os pacientes da região realizam esses procedimentos no Consórcio Intermunicipal de Saúde Centro Noroeste do Paraná (Ciscenop).

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), a doença tem diminuído nos últimos anos. Em Cianorte, o número de casos notificados chegou a 19 em 2009 e caiu para dois em 2015. No ano passado, 13 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Este ano, apenas um caso foi confirmado. Na região, foram 13 casos em 2016, 10 em 2017 e apenas um em 2018.

Para a farmacêutica do Ciscenop, Adriana Aparecida Altrão Alves, as notificações estão amplamente ligadas à qualidade de atendimento nos municípios. “A hanseníase é um achado e muitas vezes depende do olhar de enfermeiros e médicos, porque muitos doentes não percebem os sintomas e só buscam a saúde quando as lesões já estão avançadas”, explica.

COMO É

A hanseníase é uma doença infecciosa causada por uma bactéria. Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. A transmissão se dá pela convivência por um longo período com pessoas que são portadoras das formas contagiosas e não estão em tratamento. Nesses casos, a hanseníase pode demorar em média cinco anos para se manifestar.

Ela afeta primordialmente a pele, mas pode afetar também os olhos e os nervos periféricos, causando deformidades nas mãos e pés. O primeiro e principal sintoma é o aparecimento de manchas de cor parda, pouco visíveis e com limites imprecisos. Nas áreas afetadas, o paciente apresenta perda de sensibilidade térmica, perda de pelos e ausência de transpiração.

O diagnóstico envolve a avaliação clínica do paciente, com aplicação de testes de sensibilidade, palpação de nervos, teste de força motora, entre outros. Se o profissional desconfiar de alguma mancha ou ferida no corpo do paciente também realiza exame laboratorial.

Uma vez diagnosticado e iniciado o tratamento, o paciente não transmite mais a doença. O tratamento tem duração de seis meses a um ano, dependendo do tipo da doença, e consiste em medicação oral, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde.

“O tratamento é simples e a maioria dos pacientes segue as recomendações de forma correta até o fim. Eles comparecem ao Ciscenop ou ao CTA todos os meses para retirar o medicamento e tomar uma dose supervisionada. Além disso, recebem protetor solar e são orientados quanto aos cuidados necessários”, explica Adriana.

A maior preocupação da rede de saúde em relação à hanseníase é relacionada aos contactantes, que continuam alimentando a cadeia de transmissão da doença. “Nós damos uma atenção especial às pessoas que convivem ou conviveram muito tempo com o doente, porque como a hanseníase demora muito para se manifestar essas pessoas podem vir a apresentar a doença depois de alguns anos. Essa é a melhor estratégia para diminuir os casos e controlar a enfermidade”, afirma Flávio Goya, dermatologista e hansenologista da 13ª RS.

Para ele, a ampla divulgação da doença na mídia nos últimos anos também contribui para que as pessoas estejam atentas aos sintomas e busquem atendimento. A ação também ajuda a quebrar o preconceito com os doentes, tratados como leprosos e isolados do convívio familiar até 1980.

Alguns estados brasileiros já conseguiram eliminar a doença. Em 2012, o Paraná retomou a realização de cirurgias reabilitativas da hanseníase para tratar os pacientes que desenvolveram sequelas devido ao diagnóstico tardio da doença. Em 2013, o estado comemorou o controle da doença, com uma prevalência de casos de 0,9/10 mil habitantes, considerada como meta operacional de eliminação da hanseníase enquanto problema de saúde pública pelos parâmetros da Organização Mundial da Saúde. (Com Agência Estadual)